Diferenças entre Chrome OS e Android vão diminuir, mas fusão não está nos planos

Por Douglas Ciriaco | 05 de Novembro de 2015 às 08h55

Uma das principais novidades da última semana foi a suposta fusão dos dois sistemas operacionais do Google em uma coisa só. De acordo com o Wall Street Journal (WSJ), a companhia de Mountain View estaria planejando unir Chrome OS e Android em uma coisa só no ano que vem, com produtos embarcando o novo sistema disponíveis a partir de 2017.

A ideia não é exatamente uma novidade e ronda o Chrome OS desde que o sistema veio à tona, durante o segundo semestre de 2010. Naquele momento, o Android ainda dava passos iniciais, mas rapidamente se expandiria a ponto de ser a principal plataforma mobile do planeta.

Então, era natural que muitos questionamentos girassem em torno do Chrome OS, o sistema do Google baseado nas nuvens e dedicado majoritariamente a máquinas mais leves, simples e de baixo custo. Os rumores sobre uma fusão entre ambos (ou mesmo a incorporação do Chrome OS no Android, marca mais forte da dupla) sempre estiveram presentes. Para muita gente, o anúncio feito pelo WSJ fazia até bastante sentido.

Chrome OS + Android?

De acordo com as informações publicadas pelo jornal na última quinta-feira (29), a lógica teria se sobressaído: a grande popularidade do Android teria levado as cabeças pensantes do Google a decidirem pela unificação dos dois sistemas operacionais em algo novo, em uma nova versão do Android.

Chrome OS

Chrome OS. (Foto: Wikimedia Commons)

Em um momento de unificação, quando a Microsoft apresenta o Windows 10 como uma espécie de plataforma única para desktops, laptops, tablets, smartphones e videogames, imaginar que o Google estivesse planejando algo semelhante fazia bastante sentido. Assim, o Android faria sua estreia oficial em notebooks a partir de 2017, quando os produtos embarcando o “Android global” chegariam aos mercados conforme a publicação estadunidense.

Isso tudo seria resultado de esforços do atual presidente da empresa, Sundar Pichai, para unificar as plataformas e focar os esforços de desenvolvimento em software em torno de um só produto. Em contato com o The Verge, um porta-voz do Google teria afirmado que uma versão demonstrativa da novidade seria exibida ao mundo durante a tradicional conferência Google I/O, em junho de 2016.

Fusão? Talvez não seja bem isso

Mesmo com tudo o que foi falado na semana passada, parece que a "fusão" entre os dois sistemas não é, de fato, uma fusão. Em conferência na China realizada nesta última segunda-feira (2), o presidente da Alphabet Eric Schmidt jogou luz sobre os fatos ao comentar sobre os rumores. “A tecnologia pode avançar para onde for possível envolver um [sistema] no outro”, afirmou o líder da companhia da qual o Google faz parte.

Porém, apesar de aparentemente reconhecer que as diferenças entre o Chrome OS e o Android podem se tornar cada vez mais sutis com o passar do tempo, com um sistema “bebendo na fonte” do outro, ele não chegou a confirmar a fusão da mesma maneira que a notícia do WSJ informava.

LG Nexus 5X

Nexus 5X, um dos gadgets oficiais do Google com o novo Android. (Foto: Divulgação/Google)

“Eu penso que as distinções mais codificadas hoje em dia podem se tornar menos codificadas”, comenta o executivo, reconhecendo que aproximar as duas plataformas do ponto de vista técnico pode significar que os produtos disponíveis para uma delas poderão, em breve, servir também à outra.

Google desmente fusão: “Chrome OS está aqui para ficar”

Em uma postagem chamada “Chrome OS está aqui para ficar”, o Google desmentiu os rumores de fusão. O vice-presidente sênior do Android, Chrome OS e Chromecast Hiroshi Lockheimer escreveu sobre o tema no começo desta semana, elencou alguns destaques do sistema operacional das nuvens do Google e cravou que encerrá-lo não está nos planos da gigante.

“Enquanto trabalhamos de diversas maneiras para juntar o melhor de ambos os sistemas operacionais, não há planos para acabar com o Chrome OS”, avisa o executivo logo no início da postagem.

O potencial educacional do projeto, com 30 mil Chromebooks ativados todos os dias em escolas dos Estados Unidos e serviços desenvolvidos pela companhia especificamente para este fim, bem como o crescente número de companhias adotando os Chromebooks (como Netflix, Starbucks e Google, obviamente), são alguns dos argumentos para ressaltar a relevância do SO.

Questões de segurança, afinal sua estrutura é segura de tal forma que dispensa a utilização de antivírus, e a facilidade de gerenciamento remoto, tornando-o ainda mais convidativo a ambientes empresariais e educacionais, também foram apontados pelo autor do texto como motivos pelos quais o Google não pretende encerrar o Chrome OS.

Parecido não é igual

E a reflexão feita por Lockheimer vai bem ao encontro da fala de Schmidt durante a conferência na China. Isso porque ela nega a fusão, mas admite que, cada vez mais, Chrome OS e Android podem se tornar parecidos, compartilhando funções e até mesmo aplicativos.

Além de citar o App Runtime for Chrome, um novo recurso que permite a utilização de alguns apps do Android no Chrome OS, o executivo anuncia também uma renovação do visual do sistema, que também vai aderir à interface implementada no Android na versão 5.0.

“Nós temos planos de lançar ainda mais recursos para o Chrome OS, como um novo player de mídia, visual renovado baseado no Material Design, desempenho aprimorado e, é claro, foco contínuo em segurança”, informa Hiroshi Lockheimer.

App Runtime for Chrome

Alguns apps do Android já rodam no Chrome OS. (Foto: Divulgação/Google)

É lógico que, olhando por um viés comercial, seria um tiro no pé o Google vir a público e confirmar a intenção de unificar ambos os sistemas, especialmente porque isso poderia interferir no marketing em torno do recente e poderoso Chromebook Pixel. Sem dúvida, planos para encerrar um sistema operacional gera muitas dúvidas na cabeça dos consumidores na hora de optar pela compra de um computador ou smartphone.

De qualquer forma, se tudo o que vem sendo dito pelos representantes do Google se confirmar, o que nós veremos de agora em diante é apenas uma integração cada vez maior entre os dois sistemas operacionais da companhia. Nem de longe isso é ruim, afinal apenas abre novas possibilidades para os usuários de ambas as plataformas.

Mas vale lembrar que o Google já apresentou projetos revolucionários e depois voltou atrás, abandonando ou transformando as ferramentas em outras coisas. Apesar de estar longe do fracasso, o Chrome OS ainda vai conviver com essa possibilidade por algum tempo, então não será surpresa se um dia ele e o Android virarem uma coisa só de fato.

Fontes: Wall Street Journal, The Verge, CNET, Google Chrome Blog