Tudo o que você precisa saber sobre o OxygenOS da OnePlus

Por Pedro Cipoli | 09 de Março de 2015 às 17h00

Usuários Android mais experientes já estão acostumados com as diferentes ROMs que podem ser instaladas em seus aparelhos. Carbon ROM, SlimBean, Paranoid, MUIU, isso para mencionar apenas algumas, dão ao usuário a opção de não usar a versão de fábrica em seu smartphone ou tablet. Ainda que muitos discutam os motivos de existirem tantas, a verdade é que alguns usuários não estão satisfeitos com a experiência padrão proporcionada pelos fabricantes.

E porque desse descontentamento? São vários os motivos: falta de suporte ou atualização, interfaces toscas, pesadas e pouco funcionais, bloatwares e falta de controle por parte do usuário, que não tem permissão para resolver problemas por conta própria. Com o passar dos anos, boa parte das ROMs alternativas evoluíram tanto que passaram a oferecer mais desempenho e recursos do que a própria fabricante, o que é meio triste, já que, em teoria, era ela quem deveria fornecer a melhor experiência possível e não desenvolvedores independentes.

OxygenOS

É um cenário quase idêntico ao que acontece com o GNU/Linux em PCs. Embora todas as distros utilizem a mesma base, o kernel Linux, há centenas de opções por aí, cada uma delas com uma interface própria, conjunto de softwares embarcados, gerenciadores de pacotes, ciclos de atualização e assim por diante. Algumas delas acabam se destacando mais do que a maioria, como é o caso do Ubuntu, e o mesmo acontece no Android com o CyanogenMod.

O CyanogenMod é, na maioria das vezes, a primeira opção do usuário quando quer trocar de ROM, tanto pelos recursos quanto pelo suporte a um número maior de aparelhos. Ele ficou tão famoso que não é raro usuários comprarem certos aparelhos somente quando uma versão estável dele é disponibilizada, comprando o aparelho mais pelo hardware do que por preferência de marca.

Com o passar dos anos, o CyanogenMod ficou tão famoso que não demorou muito para que começassem a aparecer aparelhos embarcados com ele, como foi o caso do OnePlus One em 2014. Para dizer o mínimo, ele vendeu como água, tanto que a empresa enfrentou dificuldades para abastecer a demanda, gerando filas de espera para quem quisesse comprar um modelo.

OxygenOS

O OnePlus One aliava não só o CyanogemMod como stock ROM, como também um hardware poderoso (chip Snapdragon 801) e preço de apenas US$ 299 na versão mais básica. Como comparação, o iPhone começa com US$ 649 nos Estados Unidos. É aí que finalmente entra o OxygenOS, o que a OnePlus chama de “próximo passo”, usando o CyanogenMod como base.

Inicialmente previsto apenas para os smartphones da OnePlus, como o One, e para o Two, quando for lançado, o OxygenOS terá seu próprios visual, ciclos de atualizações, recursos e assim por diante. Como isso é diferente do que fazem muitos fabricantes com suas interfaces?

OxygenOS

O Android tem que funcionar com várias configurações e hardwares diferentes, de forma que otimizações nem sempre são possíveis. A OnePlus pretende “resolver” isso com o OxygenOS, fazendo com que ele rode perfeitamente liso na sua própria linha, retirando o que não é essencial do sistema e tornando a interface o mais leve possível.

Há uma diferença de objetivo em relação ao que acontece hoje. Fabricantes não personalizam seus aparelhos para deixá-los mais rápidos, mas sim para diferenciá-los, enquanto a OnePlus pretende cortar o que há de genérico e substituir por soluções específicas, além da garantia de não trazer nenhum bloatware de fábrica. Daí já dá para concluir que não será possível usar o OxygenOS em qualquer aparelho. Pelo menos a princípio.

OxygenOS

Se a empresa realmente conseguir fazer isso, significará mais fluidez, menos consumo de bateria e menos travamentos, já que o foco é ser um sistema leve, não carregado de extras que nem sempre são utilizados pelos usuários. Além disso, deixará de depender tanto dos desenvolvedores do Cyanogen, controlando seu próprio ciclo de atualizações e corrigindo bugs o mais rápido possível.

Os planos da OnePlus são admiráveis, mas é uma péssima notícia para a fragmentação do Android. À primeira vista, não parece muito diferente do que muitos fabricantes já fazem, como a Amazon com a sua linha Fire, que tanto modifica o Android que mal parece se basear nele. A diferença ente o que a Amazon faz e o que a OnePlus pretende fazer é mais pela base (Android vs Cyanogen) do que pela ideia inicial.

Cada fabricante mexe um pouco em seus próprios modelos. A Samsung tem a TouchWiz. A Huawei tem a Emotion UI. A HTC tem a Sense UI e mesmo a Motorola oferece apps extras em seus aparelhos, ainda que use uma versão quase pura do Android. Só o tempo dirá se o OxygenOS será um sucesso ou se tornará apenas mais uma opção na multidão. Entretanto, mesmo que a OnePlus prometa uma integração superior entre software e hardware, não é isso que todos os fabricantes prometem?

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