Por dentro do Exynos 5, processador que equipa o Samsung Galaxy S4

Por Pedro Cipoli

Mesmo que por fora o Galaxy S4 se pareça (e muito) com o Galaxy S3, por dentro do capô a situação é completamente diferente. São basicamente duas versões do novo aparelho: uma edição americana, equipada com o Snapdragon 600 da Qualcomm – que por si só já é duas vezes mais poderoso que o chip que equipa o iPhone 5 – e outra que irá para o restante do mundo, o tão esperado Exynos 5 octo-core... ou quase.

Embora todos os rumores tenham dado a impressão de que teríamos oito núcleos ativos, o Exynos 5 é um dual-quad-core, trocando entre os quatro núcleos de desempenho no Cortex-A15 e outros 4 de economia de energia baseados no Cortex-A7. Essa abordagem não é ruim, afinal, o Android possui poucos aplicativos que conseguem utilizar 4 núcleos simultâneos e adicionar mais 4 não traria nenhum benefício ao desempenho, e consumiria uma quantidade preciosa de bateria.

ARM - Big-Little

Embora o fato de o poder de fogo dos smartphones aumentar exponencialmente ano após ano e ser sempre recebido como boa notícia, a verdade é que, em grande parte do tempo, os utilizamos apenas para tarefas básicas, como checar e-mails, escutar músicas ou nos comunicarmos com alguém. É exatamente por esse motivo que a Samsung incluiu seus núcleos de economia de energia, afinal, para quê ter um Cortex-A15 ligado o tempo todo, sendo que o smartphone passa horas a fio guardado em nossos bolsos?

Essa é uma abordagem muito semelhante à adotada pela NVIDIA com seu Tegra 3, um SoC quad-core lado a lado com um núcleo de economia de energia que entra em ação quando o usuário desliga a tela. A diferença é que, com quatro núcleos rodando a uma frequência relativamente alta (1,2 GHz), mesmo quando a tela estiver ligada, não é necessário recorrer aos núcleos de desempenho, economizando bateria mesmo ao navegar na internet ou ver e-mails.

Segundo o SlashGear, os quatro núcleos Cortex-A15 voltados para desempenho só são ativados sob demanda, entregando 1,6 GHz de potência somente quando necessário. Essa abordagem tem o nome de big.LITTLE, denominação dada pela ARM (empresa que projeta a família Cortex-A) para a união de dois tipos diferentes de núcleos, em que somente um deles ficará ativo em determinado instante. Ou seja, nenhuma aplicação utilizará os oito núcleos do Exynos 5 ao mesmo tempo, e sim enxergará apenas 4 núcleos por vez.

Assim como PCs e laptops convencionais, os chips de smartphones também incluem uma placa de vídeo, e o motivo de a Samsung ter voltado a utilizar GPUs da Imagination Technologies em vez das tradicionais GPUs ARM Mali (que equipam o Galaxy S2 e o Galaxy S3) ainda é um mistério. O modelo em questão, chamado PowerVR SGX 544MP3, é muito semelhante à 543MP3 que equipa o iPhone 5 mas que suporta OpenGL 2.1 e o DirectX 9 da Microsoft. Segundo o Ars Technica, isso abre espaço para que num futuro próximo os Exynos 5 possam ser implementados em modelos que rodam o Windows Phone.

ARM - Big-Little 2

Tanto no que diz respeito às CPUs quanto à GPU, temos um grande avanço em relação ao Galaxy S3 com uma abordagem que alia desempenho à economia de energia. Ainda não pudemos testar para ver se isso funciona na prática, mas podemos prever uma autonomia de bateria maior, tanto pelo implementação focada em economia de energia quanto pela bateria maior (2600 mAh contra os 2100 mAh do Galaxy S3) e um desempenho bruto maior, já que o Cortex-A15 é consideravelmente mais poderoso que o Cortex-A9 utilizado nos aparelhos Galaxy S2 e S3.

Instagram do Canaltech

Acompanhe nossos bastidores e fique por dentro das novidades que estão por vir no CT.