Smartwatch Samsung Gear S3 Frontier [Análise/Review]

Por Adriano Ponte RSS

Outra vez temos a renovação de um portfólio de relógios inteligentes, e dessa vez é a Samsung quem traz essa nova leva. Confira agora o review completo do Samsung Gear S3 Frontier!

O smartwatch

Gear S3, em dois sabores. Os mais atentos já pegaram que existe um "Frontier" como sub-gênero deste S3, portanto existe outro S3 "não-frontier" disponível. Esse seria o Gear S3 Classic, com pulseira de couro. Pronto, explicamos as diferenças entre os dois.

A versão Frontier seria uma pegada mais esportiva do S3, emborrachada e aventureira; já o Classic seria a opção sóbria e executiva do modelo. Existe uma versão com conectividade celular do Frontier, mas não é essa que abordaremos nesta análise.

Olhando para o S3, vemos que a Samsung entendeu a mensagem do seu público sobre usabilidade. O formato redondo desse relógio feito em aço é a chave do modelo, mostrando que relógios inteligentes não podem ter o formato de um sapo, barquinho ou qualquer outra coisa. Tem que ser redondo, com recursos de navegação que já foram ensinados pelos relógios clássicos ao longo dos séculos onde a humanidade usou relógios em geral.

Dessa forma, o S3 mostra seu anel giratório logo de cara, trabalhado com detalhes de cronógrafo e texturizado para manuseio mais assertivo. Ele realiza a função de rolagem pelos menus e textos, além de fazer a navegação pelos menus do sistema do Gear, que é claramente voltado para essa interface cêntrica.

Claro, existe mais do que isso no relógio. Há ainda, na lateral dele, o par de botões que pode-se esperar, sendo um Home/Menu e um Voltar.

Fechando todos esses fatos, vale frisar que ele possui compatibilidade com pulseiras padrão de 22mm para relógios, ficando a cargo do usuário trocar a pulseira por uma mais próxima de seu gosto em qualquer relojoaria, caso deseje.

Display

Dando vida ao pequeno relógio, temos uma tela Super AMOLED de 1.3" (com proteção Gorilla Glass), rodando na resolução de 360 x 360 pixels (fechando em ~278 ppi de densidade). Isso mostra outra vez que temos uma espécie de consenso em torno das resoluções de relógios inteligentes, sendo poucos os modelos a apostar em outras combinações de resolução.

Logo de cara fica nossa anotação: parece que a Samsung entendeu que relógios precisam mostrar a hora, e fez essa correção no Gear S3. Seu modo "Always-on" foi consertado. Sabemos que isso é mero ajuste de software, mas precisamos pontuar esse detalhe, afinal é um relógio - e mostrar a hora o tempo todo é parte desse desafio que claramente é cumprido por qualquer relógio de 5 reais encontrado em feiras de bairro.

Alguns efeitos e animações são simplificados para ajudar a bateria, mas nada que seja diferente do que os Android Wear fazem. É bom — e parece que a Samsung entendeu que estava errado não oferecer isso.

Existe uma tímida saída de som no Gear S3, e você pode utilizá-lo para ser um agente secreto (como outros relógios permitem), atendendo e originando ligações direto do seu pulso. A saída fica na lateral do modelo, e possui volume apenas "suficiente" para uma chamada.

Falemos sobre Super AMOLED. Essa opção de painel para um relógio inteligente é sempre questionável, afinal existem implicações altamente contrárias. E no caso do Gear S3 isso se repete.

Testamos bastante o modelo, e ficou claro que ambientes externos são horríveis para essa tela. Sua luminosidade diminuída torna impossível ver as horas na rua simplesmente olhando para o relógio. É preciso ativá-lo mesmo, seja num gesto ou toque - dessa forma a tela subirá seu brilho e se tornará legível. Claro, em ambientes internos (escritórios, casas) é perfeitamente legível o conteúdo da tela no modo "sempre ativo".

Nos momentos onde a tela do Gear é visível, temos o lado bom do Super AMOLED num relógio - cores vibrantes, tons de alta qualidade e contraste impecável. Nosso questionamento é se não seria interessante abrir mão de parte dessa qualidade toda em prol de materiais transflectivos para o display, movendo parte da qualidade para a usabilidade do dia-a-dia.


Especificações

Com aproximadamente 86g de peso total, temos no Gear S3 um "Chipset Exynos 7270" embarcado, contando com:

- CPU Dual-core 1.0 GHz
- 768MB de RAM
- 4 GB de armazenamento interno
- Wi-Fi b/g/n
- Bluetooth 4.2
- GPS/GLONASS
- NFC (para uso do Samsung Pay)
- Sensor de batimentos cardíacos

Tem mais: existe certificação IP68 no modelo, tornando-o resistente a imersões em água doce por até 30 minutos numa profundidade de 1.5m.

Usabilidade

Não temos muitas novidades neste modelo em relação ao que tínhamos no Gear passado. Isso se deve à decisão amarga da Samsung em utilizar um sistema operacional no relógio baseado em Tizen (sim, aquele sistema experimental que ninguém gosta e que precisa da boa vontade dos desenvolvedores para refazerem seus APPs adaptados para a plataforma).

Pra começar, isso tudo significa que para usar o Gear S3 você precisará instalar o App "Samsung Gear" no seu celular Android. Isso também implica em compatibilidade limitada com os apps que você está acostumado a utilizar no seu celular, afinal não ocorrerá a migração automática das suas aplicações do telefone diretamente para o relógio como o Android Wear faz ao ser pareado.

Você notará que existe uma loja própria para o S3 com opções de apps direcionados especificamente para o Gear. Se funciona num Android Wear, não há garantia nenhuma de que esteja no Gear, e vice versa. São mundos diferentes e não-conectados.

Mas o que você pode fazer com o Gear S3 para interagir com o celular? Bom, notificações. Grande parte do uso de um relógio inteligente é baseado nisso, rebater e fazer pequenas ações nas notificações que os aplicativos geram. A boa notícia é que a interação com as notificações melhorou bastante se compararmos o S3 com o S2 que testamos há um bom tempo no Canaltech. O que é espelhado para o relógio conta agora com opções melhoradas (e não apenas um "descartar"); porém essas opções ainda estão atrás do Android Wear, algo como "apenas parte do recurso está aqui, no S3".

Por exemplo: É possível responder mensagens usando digitação por voz, porém o motor de conversão é o "S Voice", que está muito atrás do Google. Quer saber o quanto? Vamos passar de notificações para usabilidade mais geral. O "S Voice" é burramente incapaz de fazer o que o Google já sabe há tempos, como "WhatsApp para alguém", ou "Abra o Waze". Na verdade, "Abra o Waze" é hilário no Gear S3, pois ele dirá com uma voz robótica "não existem novas mensagens". Isso mostra que relógios inteligentes podem ser burros.

Vamos olhar para a parte do sistema que não é de todo ruim: seu aspecto e disposição de ícones e menus. ele é redondo, dessa forma menus e ações giram nisso, sendo o anel do S3 parte importante para navegar confortavelmente por todo o relógio. Infelizmente isso é combinado com o uso dos botões de forma obrigatória, e não complementar. Isso atrapalha um pouco, faltando mais gestual para os lados ou pelos cantos como no Android Wear.


Dependência do smartphone

Temos bons pontos para o Gear S3 nessa hora. Ele conta com WiFi, no caso da unidade que testamos por aqui, porém há a possibilidade de adquirir um modelo com sinal celular. Lembrem disso como bônus.

Via WiFi, fizemos o teste clássico: telefone ligado, conexão remota com o relógio. Funcionou, sem dúvidas. Não são todos os APPs que entendem isso, e há o pedido de conexão via Bluetooth, mas isso é comum até aos Android Wear atuais, portanto para este quase-Tizen não é problema essa limitação.

Porém, prosseguimos o teste, desligando o aparelho e mantendo o relógio conectado via WiFi. A surpresa foi boa. Ainda é possível ler notícias, por exemplo, além de previsão do tempo. Recursos que não consultam o celular, e sim a internet, funcionam. Isso mostra uma independência agradável no S3. Claro, não tente ver suas mensagens com o celular desligado, isso é obviamente não-funcional.

Vale colocar na lista de independência do S3 seu GPS e leitura de batimentos cardíacos, recursos disponíveis todo o tempo, integrados ao seu pulso.

Bateria e acessórios

Hora de pensarmos como levar 380 mAh um pouco mais adiante que o normal. A resposta é usar um chipset customizado, como citamos nas especificações do Gear S3.

Por incrível que possa parecer, o S3 é um dos poucos modelos de relógio que de fato gasta menos energia. Sua construção interna simplesmente "deu certo". Em nossos testes, experimentamos de 2 a 3 dias de uso com o modelo. Notem: pelo menos dois dias de uso são a garantia, indo num cenário muito otimista a até 4 dias de uso. Portanto, de 2 a 3 dias ativado é um cenário perfeitamente real para o S3. Claro, contamos com a tela sempre ativa para ficar nessa média de "2 dias e alguma sobra".

Esperamos de verdade que outros relógios sigam nesse caminho.

Outro detalhe interessante: acessórios. A Samsung caprichou no S3 nessa parte, mostrando imenso cuidado com a impressão e uso que seu produto teria.

Começando pela caixa e pelo carregador. Existe a base de carregamento sem fio, apoiando e fixando o relógio durante todo o processo de carga. OK, isso era o esperado se analisarmos o Gear S2. A questão é que a caixa do modelo foi projetada para ser a BASE do relógio, dando para você a opção de não ficar com um acessório minúsculo para apoiar o relógio, e sim com um DOCK inteiro. Basta passar o fio do carregador incluído pelos encaixes, e pronto. a parte de baixo da caixa é a estação de descanso do S3.

Apenas lembrando que isso é puramente opcional, o carregador sozinho é apenas a mini-base padrão. Esse cuidado todo faz muito sentido para nós, afinal são mais de duas horas para recarregar o modelo em 100%, deixando assim mais motivos para aproveitar o "altar de carregamento".-

Mas calma, tem mais uma coisa nesse KIT que faz essa seção merecer destaque. A pulseira do S3 é disponibilizada em dois tamanhos, um normal e um "small" para pulsos menores. E esse segundo tamanho já vem na caixa. É só trocar caso queira.

Vale a pena?

Apesar de todo o potencial que o Tizen pode ter (principalmente em independência para o relógio operar separado do celular), é quase infantil manter um Zumbi digital desses rodando por aí. A Apple tem uma base instalada fiel e gigantesca, o Google também. Por mais interessante que seja ter um terceiro competidor na parada (no caso a Samsung), não há tanto espaço ou interesse assim.

Qual o preço disso tudo? Aproximadamente R$ 2.000 no mercado brasileiro.

Como relógio inteligente, o Gear S3 manda bem. Ele está mais sólido que o S2, com recursos mais maduros e mais poderosos. A questão é que ele custa MUITO, MUITO caro, até para os padrões de lá de fora. Tem muita gente reclamando desse preço.

Até dá pra pensar que a Samsung pirou. Vender um produto abaixo do Android Wear com preço de luxo é receita certa para afastar o consumidor que poderia dar um chance para o Tizen.

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