Apple Watch série 2 [Análise completa]

Por Adriano Ponte RSS

Lembram de quando ninguém esperava um smartwatch da Apple no mercado? Bom, os tempos mudaram. E mudaram tanto que estamos na segunda versão do Apple Watch. Veja o que achamos do novo wearable da Maçã.

O smartwatch

O design do Apple Watch 2 é virtualmente o mesmo do Watch 1. Os materiais disponíveis para a caixa do relógio este ano são o alumínio, aço e cerâmica. Existem opções de pulseiras e edições especiais, porém a que escolhemos é a mais básica das variações desse ano, que é feita de alumínio (com caixa de 38mm).

O relógio agora é à prova d'água, e o Watch 2 levou isso a sério ao oferecer massivos 50 metros de profundidade cobertos na capacidade de submersão do gadget. Isso significa até mesmo resistência ao mar aberto (a temida água salgada).

A coroa giratória segue no design da peça, e ainda tem a utilidade de controle para auxiliar as ações da tela touch. Também segue no Watch a capacidade de troca de suas pulseiras, bastando adquirir um modelo compatível com os encaixes.

Display

Sempre questionamos a Apple sobre seu LCD nos iPhones. Pois bem, o AMOLED ainda é o que move os Watches da companhia. São 1.5" rodando na resolução de 340 x 272 pixels, fechando a conta em 290 ppi de densidade.

Seu display touch é mais brilhante que a versão anterior, tornando-se mais legível sob luz solar (com o dobro de brilho pulsando de sua tela, praticamente). Seria algo como a tela mais brilhante que a Apple já fez para um iDevice mobile.

Para as versões padrão do Watch, a proteção dessa tela é o ION-X de vidro reforçado trazido no Apple Watch Sport original, naturalmente mantendo suporte ao Force Touch.

E, apesar do AMOLED, não foi dessa vez que uma versão compacta e simplificada das informações do Watch ficaram sempre visíveis na tela. Nada de always-on pelas bandas da Apple, pelo menos por enquanto. Tudo bem que basta um toque ou um gesto para ativar o display, mas isso ajudaria a caracterizar o Watch como um... relógio.

Especificações

Equipando o pequeno, temos um chipset Apple S2 de CPU Dual-core, com acelerômetro, giroscópio e sensor de batimentos cardíacos no kit, além de  Wi-Fi b/g/n, Bluetooth v4.0 e GPS.

Segundo a Apple, o processador para relógios S2 é 50% mais rápido que seu antecessor presente no Watch original - é esse tipo de descrição oficial que faz a Apple a rainha da desinformação, como sempre, ocultando números exatos (e restando aos destruidores de iPhone e Watches achar as especificações e peças utilizadas ao arrebentar os produtos).

Ainda segundo a Apple, a GPU do chipset S2 é duas vezes mais potente que a versão passada, mesmo sendo boa parte dos gráficos do Watch puro texto.

Usabilidade geral

O que você pensa de um relógio? Ele não deve sair do seu pulso por razão alguma. Se você tira para escrever, está desconfortável. Se tira na piscina, é porque ele não suporta água.

No caso do Watch 2, acabamos de falar sobre água, e o smartwatch faz sentido para essa finalidade. Ele possui modos de monitoramento de nado tanto aberto quanto em piscina, e trava a tela do Watch durante toda a execução do exercício, evitando cliques e comandos que a água poderia dar na tela touch. Ao final do exercício, basta girar a coroa do relógio para confirmar que é você quem está interagindo.

Mas a água é um exemplo específico. O mais provável é que uma pessoa com um smartwatch voltado aos esportes faça uso do GPS integrado, e eis uma adição que a Apple fez ao modelo 2 do seu relógio. Não que o Watch 2 valha a pena (ou valha mais que o Watch 1). A questão é que fica bem mais fácil justificar a utilidade de um produto desses quando há GPS independente embarcado, e esse é o caso do Watch 2.

Por padrão, iniciar seu treino irá utilizar o GPS integrado do iPhone pareado com o Watch. Caso você se afaste dele, deixando-o em casa e saindo apenas com o Watch, aí sim haverá o uso do GPS no seu pulso. A transição é automática e sem intervenção do usuário.

Isso significa que você terá um mapa com seu percurso registrado assim que voltar para casa, e seu relógio reconectar com o iPhone. Funciona corretamente, e com precisão considerável. Vale notar que nesse primeiro momento os aplicativos não-Apple ainda não tiram proveito do GPS integrado.

O desafio de processamento do Apple Watch é relativamente fácil, afinal os recursos gráficos exigidos são bem minimalistas, girando muito em torno de texto. A questão é que pode-se sentir uma melhora no tempo de resposta no Watch 2 em relação ao modelo original - tudo é moderadamente mais fluido e rápido. É a combinação do novo hardware com o WatchOS 3, refletida numa execução mais coesa do sistema de pulso.

Falando no sistema novo, temos um pouco mais de facilidade para lidar com o sistema de "Grid de bolhas" que o Watch mostra, utilizando um dock de apps para acesso rápido. Alguns apps podem rodar em plano de fundo, ou seja, abrem imediatamente após um toque.

O monitoramento de atividades também ficou mais coeso, tornando mais fácil visualizar passos, frequência cardíaca, tempo de atividade, entre outros, num display reduzido, sem obrigar você a gastar o dedo usando abusivamente gestos para navegar entre cada informação.

E faz todo sentido não tirar o iPhone do bolso, afinal já existe um relógio quadrado do seu pulso. Basta chamar a Siri pelo Watch que você poderá usufruir da assistente pelo wearable. Claro, isso não funciona sem o iPhone ligado, é apenas uma ponte entre ele e o relógio. 

Dependência do smartphone

Existe um meio termo entre o que relógios podem fazer sozinhos (isso inclui todos, Android, Tizen ou da Apple). Basicamente, este é o caso do Watch. Sem o iPhone por perto, ele ainda será capaz de fazer algumas ações (que chamaremos de KIT 1).

Neste KIT ele pode monitorar seus treinos com o app de exercícios integrado, bem como suas metas, rotas e frequência cardíaca. Além disso, você pode ver a hora e usar os apps básicos de Alarme, Timer e Cronômetro. Bônus: dá para ouvir via Bluetooth a música que você sincronizou com ele pelo iPhone, mesmo isso não contemplando todo serviço de música possível, tipo Spotify, por exemplo. Você só ouve o que foi sincronizado. Tudo isso offline.

Porém, caso você esteja num lugar onde há Wi-Fi (e seu iPhone já tenha conectado nesta rede antes), o Watch abrirá possibilidades, e chamaremos esse cenário de KIT 2.

Tem Wi-Fi? Então ele poderá ligar-se ao telefone remotamente, habilitando assim a Siri, mensagens e chamadas, por exemplo. Não é capacidade de fazer isso "graças a internet", que fique claro. Um Apple Watch 2 conectado no Wi-Fi sem o iPhone ligado, com bateria, e conectado à internet não terá acesso aos recursos que acabamos de citar do "KIT 2", permanecendo com o básico offline do "KIT 1".

Pelo posicionamento premium do Watch, a opção de conexão 3G/4G seria algo que justificaria melhor sua proposta, tal como o GPS já o faz agora.

Bateria

Infelizmente, a maior calibragem em relação ao modelo original não foi resolvida. A autonomia da bateria do Watch 2 é praticamente idêntica ao que vimos no Watch 1, e agora com uma diferença crucial: ele precisa de mais energia do que pode parecer.

Valores exatos em mAh são um problema, afinal falamos de Apple, a empresa que odeia revelar dados técnicos e números precisos. O que sabe-se é que temos um incremento de bateria, e isso é visível pela mínima diferença de tamanho no Watch dessa geração.

Tenha em mente que o GPS integrado é um recurso interessante e um avanço bem vindo, porém que consome muita energia ativo, e que irá zerar a energia do Watch em cerca de 4 a 5 horas. Não que você vá correr por todo esse tempo, mas lembre do período que o GPS estará ativo com o Watch desconectado do iPhone.

A Apple recomenda que você desative inclusive o monitor cardíaco para corridas com longas durações, poupando assim energia para que o GPS não mate o Watch antes de chegar em casa.

Vale a pena?

A versão mais acessível do Watch 2 é a feita de alumínio (com caixa de 38mm), e custa US$ 369 no exterior - quase 1/2 iPhone 7 de preço.

A parte boa desse produto é que ele está mais rápido que a geração passada, traz GPS integrado, recebeu melhorias no Display e agora sobrevive ao mar e às piscinas, e te convida descaradamente a usá-lo dentro da água.

O problema é que esses US$ 369 não te entregam uma autonomia de bateria melhor. Ele não vai dormir com você sempre, ele estará carregando em diversas noites. Ou então você irá tirá-lo durante o dia para carregar, o que também descaracteriza um "relógio". Não ter uma tela always-on também descaracteriza.

Se você teve um Apple Watch antes e achou útil, esse novo tem mais poder de fogo e oferece um KIT mais completo, ou mesmo se você busca um relógio inteligente para o iPhone, ele é a melhor opção, afinal, relógios inteligentes (que não esse) não funcionam muito bem com o iOS, ou o fazem de forma limitada graças à Apple.

Um bom resumo seria: um monitor fitness, um lembrete de pulso, controle remoto, iPodinho e um brinquedo de adultos.

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