Xperia X [Análise]

Por Adriano Ponte RSS

Demorou um pouco, mas a linha X da Sony finalmente chegou ao Brasil de forma oficial. Lançada lá fora no início de 2015, ela vem com aquela mesma cara de Xperia de sempre, mas, por incrível que pareça, o resultado é "igual e diferente" ao de outros smartphones da Sony. Logo de cara, é possível notar o visual omni-balanced tradicional da marca, mas com um tom de cinza brilhante graças ao vidro 2.5D que cobre a parte da frente do aparelho.

Em nosso vídeo de unboxing do Xperia X, muita gente deixou perguntas sobre o novo gadget da Sony. Então, nós tentamos responder a várias delas com esta análise completa. Leu tudo e ainda ficou com dúvidas? Deixe a sua pergunta lá na caixa de comentários ao final do texto.

Especificações

  • Chipset Qualcomm Snapdragon 650;
  • CPU dual-core 1,8 GHz Cortex-A72 & quad-core 1,4 GHz Cortex-A53;
  • GPU Adreno 510;
  • 3 GB de memória RAM;
  • 32 GB ou 64 GB para armazenamento interno com suporte para cartão microSD de até 256 GB;
  • Tela Triluminos IPS LCD de 5 polegadas com resolução de 1.080 x 1.920 pixels (~441 ppi) com motor X-Reality com proteção de riscos Sony e revestimento oleofóbico;
  • Câmera trasiera de 23 megapixels, f/2.0 e 24 mm com detecção de fase, flash de LED e gravação de vídeos de 1080p a 60 fps;
  • Câmera fronta de 13 megapixels, f/2.0, 22 mm capaz de fazer vídeos em 1080;
  • Conexões Wi-Fi a/b/g/n/ac (dual-band), Bluetooth 4.2, GPS/GLONASS, NFC e leitor biométrico;
  • Dual-sim (espaço para o segundo sim é o mesmo do cartão de memória);
  • Dimensões: 142,7 x 69,4 x 7,9 mm;
  • Peso: 153 gramas;
  • Android 6.0.1.

O leitor Llespfc perguntou se o Xperia X é à prova d'água e aqui vai a resposta: infelizmente, não há qualquer informação sobre isso nas especificações do aparelho. Apesar de vários youtubers terem mostrado que o gadget pode resistir a isso, ele não foi projetado para tal, portanto é aconselhável evitar contato com água para não perder a garantia do novo aparelho da Sony.

Xperia XNovo Xperia X. (Foto: Canaltech)

Display e multimídia

Um ponto bastante curioso do Xperia X é a sensação causada pelo toque na tela. Ela parece macia e o trabalho feita pela Sony nas bordas a torna bastante apropriada para o contato com a ponta dos dedos. Não dá para saber ao certo o que causa esta sensação, mas a fabricante acertou de forma precisa aqui.

Se a parte sensitiva da tela é boa, a qualidade ainda esbarra em alguns problemas já conhecidos da Sony. Talvez seja algo ligado à construção Triluminos ou então ao software — isso também não fica claro —, mas há algo errado no X que acaba por gerar algumas vibrações nas imagens. Outros Xperia já passaram por isso, deixando verdadeiros fantasmas nas imagens reproduzidas na tela. O caso do X não é tão grave, mas arrastar itens pela tela deixa evidente essas “vibrações de rastro”. É sutil, mas perceptível.

Em relação à qualidade do que é reproduzido na tela, não há muito do que reclamar. Inicialmente, os resultados são calibrados para equilíbrio e realismo, mas você pode alterar as configurações de cor para atingir níveis surreais de contraste. Mas como o que conta é o padrão de fábrica, ponto para a Sony.

Levando a análise para o lado da reprodução de áudio, temos dois alto-falantes frontais no Xperia X. Eles entregam um bom resultado, com sons reproduzidos de forma equilibrada e sem distorções ou outros problemas notáveis por nossos ouvidos. Além disso, o volume atingido é suficiente para fazer o X ser escutado mesmo em ambientes mais barulhentos.

Em suma, não há um som envolvente como já vimos em outros gadgets, mas o nível de equilíbrio das caixas é o suficiente para garantir uma boa experiência. Dá para dizer que o Xperia X fica no meio termo nesse aspecto — resumindo: aprovamos.

Usabilidade e desempenho

Aqui, já vale começar destacando o sucesso da troca do vidro pelo metal na parte traseira do aparelho. Se antes era comum ver os smartphones da Sony virarem uma garrafa térmica com a tampa de trás de vidro, desta vez isso não existe. Esta parte do gadget consegue trocar calor com o ambiente e, assim, não esquenta.

Xperia XAndroid com poucas modificações é um ponto positivo. (Foto: Canaltech)

Nosso leitor Matheus Vinícius perguntou no vídeo do unboxing se o Xperia X é um intermediário ou um premium. Aqui vai a resposta: como de praxe, pegamos pesado com o gadget aqui na redação. Rodamos testes, jogos, utilizamos o aparelho durante o dia todo e... Bem, eis aqui um smartphone movido por um Snapdragon 650. Ele é um intermediário, sim, mas um senhor intermediário. Apesar de bom para esta categoria, ele ainda está abaixo de outros nomes como o Xiaomi Mi 5, o LG G5, o Galaxy S7 e outros de ponta.

Durante a execução das tarefas mais pesadas, é possível notar aquele efeito “horizonte” que já citamos aqui no Canaltech. Tudo é muito fluído e executado com naturalidade, mas há um limite nas taxas de quadro fácil de ser percebido, por exemplo, especialmente em testes de estresse e renderização.

Notamos ainda que a velha interface Xperia foi erradicada do mapa no X, algo positivo e que oferece uma experiência quase de Android puro, com apenas alguns pacotes de ícones aplicados aqui e ali. O launcher é praticamente o padrão do sistema mobile do Google, o que nos deixa sem entender a razão dos pequenos retoques feitos pela Sony — é visível que ela tentou oferecer uma experiência o mais próxima da original possível.

Na lateral do aparelho é possível termos o famoso botão da Sony para a leitura biométrica e desbloqueio do smartphone. Testamos e gostamos porque a fabricante acertou com este botãozinho, fácil de apertar e com leitura imediata da digital.

Na parte de baixo temos os bizarros botões de volume gritando para serem apertados acidentalmente a qualquer instante, tal qual como o botão saltado da câmera. Contudo, os botões apresentam rigidez suficiente para não serem acionados acidentalmente a qualquer momento — mais um ponto para a Sony. E temos o local inusitado do NFC: a parte frontal do aparelho. Pode ser mero rearranjo de componentes, mas não foi possível notar qualquer ganho nesta mudança. Contudo, não há nenhum contratempo advindo dela, então, é apenas o NFC em uma nova posição.

Câmeras

Durante a apresentação do X, a Sony bateu na tecla do novo sistema de foco do smartphone, chamado de “foco preditivo”. Trata-se de um algorítimo que analisa cenas dinâmicas e entende onde o novo ponto focal estará de maneira mais rápida. Na prática, isso significa rastreio de foco no objeto a ser capturado. O foco é rápido, mas é difícil dizer a olho nu o quão mais rápido ele é em comparação com outros aparelhos. Gostamos da presteza dele durante os nossos testes, ainda mais com a função de “foto automática ao acionar a câmera”. Deste jeito, são apenas 0,6 segundo para uma captura inicial.

Eis aqui uma câmera focada na automação, com ajustes internos para bom desempenho em diferentes condições de iluminação. Assim, ela vai desde regulagens de exposição/velocidade do obturador até compensação de ruído mais agressiva (ou não). Isso não é ruim para fotografia casual, mas limita a ação dos amantes do modo manual.

Xperia XCâmera do Xperia X não decepciona. (Foto: Canaltech)

A qualidade das imagens é um resumo do que a Sony traz em todos os Xperia de topo de linha; Não são somente muitos megapixels, mas o nível de detalhe é excelente. O problema fica por conta da já conhecida granulação, mostrando um pós processamento agressivo. O registro das cores e o contraste das fotos também é clássico da fabricante japonesa: cores e luzes equilibradas que miram mais no realismo e fogem de cores vivas.

Em relação à câmera frontal, os  13 megapixels da câmera são reais e você conseguirá fazer belíssimas imagens com boas condições de luz. Contudo, ambientes pouco iluminados vão “comer” essa resolução com ruído suavizado, fazendo você preferir versões menores da fotografia.

Bateria e acessórios

Ficamos desapontados com o desempenho energético do Xperia X. Apesar da Sony insistir em dizer que a bateria aguenta dois dias de uso, a afirmação é bem vaga e só é real se você topar andar com o smartphone com o modo Stamina ativado o tempo todo — limitando a sincronização de dados e reduzido recursos do gadget para poupar bateria.

Vamos para os números: são apenas 2.620 mAh, um pouco abaixo dos 3.000 mAh que consideramos razoável para um aparelho que se preze. E se os números já não eram bons, os resultados nos deixaram ainda mais frustrados: o Xperia X apresentou uma média de descarga de 23% por hora com brilho máximo, conexão Wi-Fi e streaming contínuo. Em suma, faltou muito para este aparelho ser considerado eficiente como anunciado em sua campanha.

Acompanhando o aparelho está um carregador de 5 volts de 1.500 mAh, capaz de recarregar 100% da bateria em aproximadamente duas horas. Juliane Müller de Castro havia perguntado no unboxing se o aparelho vinha acompanha de fones de ouvido e a resposta é não. Segundo a assessoria de imprensa da Sony, a versão à venda nas lojas de todo o país vem apenas com o carregador como acessório.

Xperia XIntermediário com preço de top de linha. (Foto: Canaltech)

Vale a pena?

Com uma casca bem trabalhada e um interior apenas OK, o Xperia X é um “super-mega-ultra-power” intermediário, mas nem de longe vale os inacreditáveis R$ 3.799,99 escolhidos pela Sony para tentar vender o seu gadget por aqui. Sem fabricação nacional, os já caros aparelhos da japonesa ficam ainda mais impraticáveis. É um duro golpe para os entusiastas da marca, que conseguem ver os aparelhos mais uma vez conquistando o troféu “Menor Custo Benefício da Categoria”.

É importante ressaltar: a questão não é que não gostamos do aparelho. Ele tem uma das melhores construções que a Sony já apresentou e vem com hardware decente, capaz de dar conta do recado. O problema é cobrar nele o valor de aparelhos duas ou três vezes mais potentes. Seria como cobrar por um Porsche o valor de uma Ferrari.

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