Xiaomi Mi 5s Plus [Análise]

Por Adriano Ponte RSS

A Xiaomi arregou. Ela saiu do Brasil praticamente, e é muito improvável que outras coisas (além da Mi Band e do Redmi 2) cheguem aqui. Porém, vocês pediram tanto que fomos até a Ásia e trouxemos o Xiaomi Mi 5s Plus para esta análise.

O aparelho

Com aproximadamente 168 g de peso e 8mm de espessura, temos um grande aparelho em mãos, com design unibody de alumínio. O acabamento mostra metal escovado como identidade visual para o modelo, porém o toque é liso, "macio" em toda sua traseira. A pegada é mais "seca" apenas em sua moldura com acabamento angulado.

Integrado ao corpo temos a gaveta (para dois chips SIM) do smartphone, e do outro lado ficam seus botões de volume e bloqueio. As teclas de navegação seguem o padrão Xiaomi e são touch-keys na parte inferior frontal do Mi 5s Plus.

Dessa forma temos um aparelho chamativo, grande no encaixe das mãos (criando aquela sensação de phablet) e que pode escorregar em superfícies com alguma facilidade. Nas mãos, não, porém na sua mesa... as chances são grandes.

Especificações

Rodando o Android 6.0 Marshmallow, temos no aparelho utilizado em nossos testes:

  • Chipset Qualcomm Snapdragon 821
  • CPU Quad-core (2x2.35 GHz Kryo & 2x2.2 GHz Kryo)
  • GPU Adreno 530
  • 4 GB RAM
  • 64 GB de armazenamento interno (sem suporte a microSD)
  • Wi-Fi a/b/g/n/ac (dual-band)
  • Bluetooth v4.2
  • GPS/GLONASS/BEIDOU
  • NFC
  • Infravermelho
  • USB-C
  • Leitor de impressões digitais

Display e Multimídia

Justificando o tamanho do monstro de metal, temos uma tela IPS LCD de 5.7 poleadas, rodando em FHD (1080p), fechando em aproximadamente 386 ppi de densidade.

Ao utilizar o aparelho, é nítido o quanto o display do Mi 5s Plus é brilhante. Não como elogio, apenas como anotação de que seu brilho é alto, e uma regulagem máxima facilmente incomoda. Mesmo assim, a leitura da tela sob o sol é apenas OK, mostrando que brilho nem sempre é a resposta.

As cores mostradas na tela do Mi 5s Plus seguem um mesmo tom, sem destoar entre si. É possível notar as cenas tendendo para um certo equilíbrio. Porém, também é possível perceber que esse "equilíbrio" é a soma de todos os tons de cor um pouco mais saturados que o normal, ficando essa pista pelos tons de vermelho da tela.

Quanto aos tons de preto, eles são bons. Mesmo para um painel LCD, o forte brilho das áreas "não escuras" ajuda bastante no contraste, dando uma força para o "preto que na verdade é cinza" ficar bem menos evidente.

Infelizmente parece que as fabricantes simplesmente não ligam mais para isso e pronto. Isso, falamos do áudio integrado.

UM aparelho em um milhão traz saídas de som que prestam. E este não é um deles, com som FRACO, cheio de reverberação metálica, muito agudo e abafado. Mais um pra lista.

Usabilidade e Desempenho

Quase fica difícil dizer que o Mi 5s Plus usa Android, afinal, a MIUI 8.0 está presente. Isso significa que o Android 6 apenas é base para uma extensa modificação da Xiaomi sobre o sistema do Google, praticamente recriando um segundo sistema que (por acaso) é compatível com apps Android.

Tudo muda. Gerenciamento de permissões, gerenciamento de energia, controle de apps, processos em segundo plano e configurações. Tudo passa a funcionar de outra forma, seguindo a lógica da fabricante e lançando mão de centrais próprias para isso.

Nossa sincera opinião? Parece uma batida de frente entre o iOS e o Android. É funcional, mas não superior ao Android padrão. Existem fãs apaixonados pela MIUI, mas para nós é apenas um "Android alternativo", com MUITOS extras. Se são úteis ou se fazem sentido? Depende do usuário apenas.

Mas que isso passa longe do Android "padrão", passa MESMO. Gosta de Android puro? Nem pense nesse smartphone.

Se o Snapdragon 820 é forte, o 821 é a mesma coisa, mas com ajustes, consumindo um pouco menos de energia e trazendo quase um "overclock" (não vamos chamar assim pois os ajustes já vêm de fábrica).

O resultado é o esperado para um top de linha, mostrando em nossos testes zero de espera entre a troca de apps ou na execução de games ou tarefas.

Muitos aparelhos estão acima do máximo desempenho necessário para rodar as opções da Play Store, e o Mi 5s Plus é um deles.

Atrás do aparelho, temos o leitor de impressões digitais, que funciona exatamente como deveria. A leitura é imediata, e basta tocar na região abaixo da câmera para ativar o aparelho já desbloqueado.

Claro, como falamos de MIUI, o botão tem mais truques na manga, como clicar suas fotos para você, ao aproximar o dedo da região de leitura (já com a câmera aberta).

Câmeras

Existem pessoas que têm 2 gatos, 2 relógios... mas para os fabricantes de smartphones, o negócio mesmo é ter 2 câmeras, e ponto. A questão fica por conta de como o par de lentes faz valer a pena carregar o dobro de sensores.

No caso do Mi 5s Plus, temos duas câmeras "praticamente idênticas", com 13 MP, f/2.2, detecção de fase e captura de vídeo em 2160p@30fps.

O porém é que uma registra a cena em preto e branco, e a outra captura as cores.

Pode parecer bobagem, mas já tivemos um exemplo de como isso funciona em um smartphone. O jogo seria o seguinte: com dois sensores, sendo um focado em capturar as cores, o outro fica concentrado no contraste, pois ele vê em preto e branco. Por apenas ver o mundo em tons de cinza, alguns filtros no sensor não são necessários nesse segundo sensor, permitindo que ainda mais luz entre ali - isso, MAIS LUZ. Agora você entendeu a jogada. Um olho preto-e-branco que vê o mundo sem cores, mas com extrema nitidez e riqueza de detalhes.

Claro, você pode simplesmente usar a câmera PB sozinha, ou a colorida. Ou as duas. Escolha.

Vamos ver o que acontece se você optar pela foto padrão, onde a colorida faz a foto sozinha.

Os resultados saem como padrão de aparelhos celulares, com média-alta qualidade. Existe supressão de ruído forte, suavizando a foto, porém o registro geral da cena mostra uma fotografia de alta qualidade, sendo nossa observação para os mais exigentes (assim como nós). As cores são precisas e o contraste excelente.

Agora, vamos ver o que acontece se você optar pela foto em PB, em que o sensor monocromático faz a foto sozinho.

"Ah, mas tem um filtro que faz isso". Sim, filtros simulam o PB, mas esse É DE VERDADE. Ou seja, basta olhar para a foto e notar O QUANTO OS DETALHES, O CONTRASTE E A LUZ dessas fotos são superiores às produzidas pelo sensor colorido. Sem os componentes para cor, a captação da estrutura da foto é muito mais sensível. São fotos melhores que o padrão, e melhores que a junção das duas... só que em preto e branco. Lide com isso.

Porém a ideia é a seguinte: esqueça as câmeras de forma individual. A combinação das duas atinge o melhor dos dois mundos.

Ao ativar a captura dupla, o smartphone une, via pós-processamento, as duas imagens, e toma como base a rica foto em PB. E é aqui que vemos um ganho NOTÁVEL na qualidade da fotografia, algo (quase) similar ao HDR, porém sem demoras ou tremores. O nível de detalhe também sobe, assim como a definição de áreas escuras. Com a ajuda da câmera PB, muito ruído é eliminado no processo, nivelando de forma uniforme a aplicação das cores que o outro sensor vê.

Nós gostamos.

Porém, mesmo abrindo mão do modo duplo, a abertura de 2.2 não ajuda tanto assim em cenas noturnas, fazendo os detalhes irem para o brejo. Claro, a captura dupla elimina muita coisa, até mesmo a foto PB fica melhor que a colorida por si só, mas milagre não existe.

Conte com o aparelho mais para condições de boa-média luz.

Já para a câmera frontal, nada de surpresas. Temos uma unidade de 4 MP, f/2.0, capaz de fazer vídeos em 1080p. A qualidade das fotos é boa, com nível de detalhe e fidelidade de registro agradáveis para 4MP. Não espere milagres, novamente, são apenas 4MP, então aguarde bons resultados proporcionais a este número de resolução máxima.

Bateria e Acessórios

O tamanho do corpo é grande, logo, a bateria deve acompanhar. A resposta da Xiaomi para essa afirmação é uma unidade com 3800 mAh de capacidade, número promissor.

Executamos nossa rotina de testes com o aparelho. Brilho máximo, conexão Wi-Fi e rodadas de streaming de 1h cada. Os resultados mostraram uma média que varia de 13 a 14% de descarga por hora do total da bateria. Uma marca excelente.

Apesar de todo o desempenho bruto, é quase garantido que o aparelho chega ao final do dia com o usuário mesmo um pouco acima do uso moderado.

Vale notar que esse monstro tem um bônus para a bateria gigante: carregamento rápido. Ele traz suporte ao bestial "Quick Charge 3.0", e traz um carregador compatível na embalagem.

Vale a pena?

Até a data de publicação desta análise, podia-se encontrar o Mi 5s Plus por $390 no exterior, valor que o coloca na metade do páreo dos aparelhos de alto custo, tops de linha em performance.

A grande questão é que, apesar do preço menos exorbitante que o normal, existem questões sobre o aparelho. Toda a semelhança da Xiaomi com a Apple chega ao ridículo de cortar a entrada para cartões microSD, por exemplo, impedindo bom uso de quem pretende fazer clipes em 4k, coisa que PRECISA de muita memória.

Outro ponto é que não há registro de proteção (Gorilla Glass) para a tela do Mi 5s Plus, tampouco resistência para líquidos ou umidade.

E temos ainda as câmeras. São boas, divertidas, mas nada ACIMA dos atuais tops das outras fabricantes.

Se a questão é que o aparelho oferece desempenho top por um preço menor, vale lembrar que sonegando impostos é fácil competir aqui dentro...

Você provavelmente terá que pagar tributos para trazê-lo ao Brasil, ou ter de viajar (pagando para isso) e buscá-lo no exterior.

Isso tudo vale a pena para você? Nós gostamos dele, porém não achamos ele "O GRANDE MATADOR", "SUPERIOR". Apenas mais um bom high-end.

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