Top de linha "nerfado"? Confira a análise do LG G5 SE

Por Redação

A LG fez muito barulho para anunciar o G5, seu primeiro smartphone a se aventurar no ramo dos modulares. Contudo, o público brasileiro da marca recebeu uma espécie de balde de água fria ao saber que apenas o G5 SE, uma versão podada do gadget, seria lançado por aqui.

Contudo, ao menos por fora, o G5 SE é exatamente igual ao seu irmão mais potente, com a única diferença sendo a marcação “SE” presente na parte de trás do aparelho. No mais, ele tem o mesmo peso e os mesmos detalhes estéticos, como aparência arredondada do vidro no topo e metal na parte debaixo.

Na parte traseira, temos o botão de bloqueio/desbloqueio, com os botões de volume colocados na lateral. Se você viu a análise do G5 “de verdade”, deve ter reparado que não há qualquer notável diferença entre as duas versões. Só há pequenas diferenças em questões específicas, como a espessura e o peso, mas nada significativo.

LG G5 SELG G5 SE: a versão podada do G5 que veio para o Brasil. (Foto: Canaltech)

Especificações

  • Chipset Qualcomm Snapdragon 652;
  • CPU quad-core 1,8 GHz Cortex-A72 & quad-core 1,2 GHz Cortex-A53;
  • GPU Adreno 510;
  • 3 GB de Memória RAM;
  • 32 GB de armazenamento interno (com suporte microSD)
  • Tela IPS LCD de 5,3 polegadas com resolução 1.440 x 2.560 pixels (~554 ppi) com proteção Gorila Glass 4;
  • Câmera traseira de 16 megapixels, f/1.8, autofoco laser, estabilização óptica e flash de LED capaz de gravar vídeos de 2160p a 30 fps;
  • Câmera fronta de 8 megapixels, f/2.4 capaz de gravar vídeos de 1080p a 30 fps;
  • Conexões Wi-Fi a/b/g/n/ac (dual-band), Bluetooth 4.2, GPS/GLONASS, NFC, sensor infravermelho, USB Tipo-C e leitor de impressão digital;
  • Dimensões: 149,4 x 73,9 x 7,3 mm;
  • Peso: 156 gramas;
  • Android 6.0.1 com interface UX, da LG.

Display e multimídia

Testar um topo de linha (mesmo um topo de linha “light”) significa passar o nível do LCD, trazendo cores e contraste excelentes. E o equilíbrio das cores é o grande trunfo do G5, que evita tons mortos ou cores com saturação em excesso. E mesmo a LG sempre fazendo bonito mesmo com um LCD, bem, ainda é apenas LCD, então falta um pouco para o preto exibido no display ser 100% preto. Apesar de toda a qualidade, o LCD ainda não supera o AMOLED.

Destaque aqui para o modo Always On, que está sempre ativa para que relógio, data e notificações sejam exibidas na tela sem consumir muita energia. Se você tinha esperança de encontrar alto-falantes mais interessantes no G5 SE, melhor tirar o cavalinho da chuva. Ele é capaz de gritar bem alto e com qualidade acima da média para gadgets com apenas  uma saída de som, mas é só isso. Nada da experiência é envolvente de fato e o aparelho teve alguma dificuldade em reproduzir sons muito altos sem distorção.

Outro problema grave aqui é a posição da saída de som, que facilita o seu abafamento com a mão quando você está jogando no portátil, por exemplo. O erro presente no G5 normal não foi corrigido na versão SE.

Usabilidade e desempenho

Vamos para a parte polêmica do LG G5 SE: o chipset Snapdragon 652. Sem choro, ele é um kit de CPU e GPU recente e faz, sim, um bom trabalho. Mas não podemos deixar de lembrar que esta é uma combinação bem inferior à do Snapdragon 820, chipset que dá vida ao G5 normal.

A maioria dos usuários não vai notar a diferença, pois, mesmo com o G5 SE fazendo metade dos pontos do seu irmão mais forte nos testes de benchmark, não é fácil notar isso apenas usando o smartphone para acessar redes sociais e trocar mensagens em aplicativos. O desempenho dele fica próximo ao do Moto G4, ou seja, ele vai funcionar sem engasgos.

LG G5 SEApesar de ser um LCD, a tela do G5 SE não decepciona. (Foto: Canaltech)

Porém, os usuários mais exigentes podem encontrar alguns problemas no SE. Ele traz 25% menos de memória RAM e suas CPU e GPU são 50% menos potentes em relação às que equipam o LG G5 convencional. Com isso, o excesso de tarefas vai resultar em algumas esperas e você também pode notar perda de quadros por segundo em jogos mais complexos. Porém, o grande problema aqui é a propaganda do LG G5 SE ser a de uma Ferrari quando, na verdade, ele não passa de um popular com motor 1.0.

Deixando um pouco de lado a parte ruim, vamos falar de algo que é igual nas duas versões do G5: o suporte para os módulos. A possibilidade de arrancar a parte inferior, o Magic Slot, é uma vantagem, apesar de haver apenas dois módulos disponíveis para ele atualmente: o módulo de áudio Hi-Fi Plus com B&O Play e o módulo que adiciona controles físicos para fotografia LG Cam Plus.

Em relação ao sistema operacional, o Android do G5 SE é uma versão modificada pela LG, que adiciona a interface UX 5.0 sobre o sistema do Google. Isso modifica muito o sistema, alterando o menu de configurações e inundando o gadget de aplicativos de utilidade e qualidade duvidosa.

Câmera

Se você se importa mais com ângulo de visão, a câmera frontal do G5 SE é superbem indicada: ela capta até 135° numa boa. Se a questão for resolução maior, a traseira oferece mais do que o suficiente, mas fica nos 75° convencionais em relação ao ângulo de visão. Em suma, fica óbvio que a intenção da LG foi oferecer um conjunto completo para que você opte por uma e por outra conforme as suas necessidades do momento.

LG G5 SEG5 SE tem um bom conjunto de câmera. (Foto: Canaltech)

Em geral, os dois sensores são ótimos, registrando cores e contrastes de forma precisa e dentro do esperado para um top de linha. Na câmera principal, foi possível notar fotos ricas em detalhes e com pouco ruído, mas com bastante pós-processamento, o que causou pequenos pontos um pouco artificiais nas imagens. A câmera frontal apresenta níveis suficientes de detalhes e pode usar a tela como flash — em suma, uma boa câmera de selfie.

Bateria e acessórios

Rodamos nossos testes na bateria padrão de 2.800 mAh. Durante uma hora contínua de streaming via Wi-Fi, com tela no brilho máximo, notamos uma descarga média de 19% por hora, o que é estranho. O G5 SE tem poder de fogo menor em relação ao G5 normal, mas parece que carregar uma tela 2K consome o mesmo tanto de energia.

Porém, a impressão é de que o G5 SE é mais econômico que a sua versão mais potente quando em modo de espera, sendo mais eficiente na hora de segurar a carga. Enfim, é meio evidente que o G5 Se vai precisar do carregador antes do final do dia se você for um usuário mais ativo. Contudo, o suporte para o Quick Charge garante recarga de 83% da bateria em apenas 30 minutos — e um carregador compatível com isso faz parte do kit básico do G5 SE.

Vale destacar ainda que o G5 SE emite menos calor do que o seu irmão mais forte, algo provavelmente resultante de um chipset mais fraco.

Vale a pena?

Esta parte poderia tornar essa análise ainda melhor, mas a LG não colaborou. Seria fantástico se pudéssemos dizer que o LG G5 SE pode ser adquirido por R$ 1.500, mas não podemos, porque ele custa entre R$ 2.500 e R$ 3.500 (o preço varia de acordo com a loja e a forma de pagamento escolhidas).

Em suma, o LG G5 SE é um intermediário com preço de top de linha, então não faz nem sentido tê-lo como opção de compra. Quer uma dica? Procure nos mercados online da internet por alguma unidade do G5 de verdade importado: ele sairá pelo mesmo preço e vai oferecer muito mais.

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