Sony Xperia XA Ultra [Análise]

Por Adriano Ponte RSS

Xperia XA é aquele aparelho caro da Sony que era mais barato, sabe? Ok, essa frase é bem estranha, mas faz sentido se você assistiu nossa análise do Xperia XA. Fato é que temos hoje aqui o irmãozão do Xperia XA, o XA Ultra.

Aparelho

Para os desatentos, este é um Xperia X gigante. Reparando com mais calma, podemos notar que é uma versão esticada do Xperia XA, com todos os cuidados da construção que o irmão menor traz. Aquele tom cristalizado do vidro frontal com acabamento arredondado (o tal 2.5 D) também vale para o grandão.

É um dos tijolos de vidro mais bonitos que você pode ter no momento. Sério, ele é enorme. Só indicamos para usuários que já passaram por um phablet antes, pois o o uso com duas mãos é obrigatório. 

Na parte de trás, temos um acabamento plástico que simula metal fosco. Nas bordas, porém, é metal de verdade que constitui o aparelho. O resultado disso tudo se resume em um peso aproximado de 202 g e 8,4 mm de espessura. 

O problema é que nada disso significa que ele é a prova d'água. Já foi-se o tempo onde a Sony era sinônimo indiscutível de resistência aos líquidos do dia-a-dia. Hoje, seus aparelhos são focados excessivamente no design, e não na usabilidade.

E vale um ponto que vocês sempre criticam: quem gosta da "carinha de Xperia" dos Sony's está feito, afinal, todos eles tem praticamente o mesmo aspecto, sendo uns mais brilhantes e escovados que os outros. A identidade visual da Sony claramente unifica quase todos seus modelos, e o XA Ultra não é exceção.

Especificações 

Rodando o Android 6.0.1 Marshmallow (com promessa de upgrade futuro para o Android 7.0 Nougat), temos um aparelho equipado com:

  • Chipset Mediatek Helio P10
  • CPU Octa-core (4x2.0 GHz Cortex-A53 & 4x1.0 GHz Cortex-A53)
  • GPU Mali-T860MP2
  • 3 GB RAM
  • 16 GB de armazenamento interno
  • Slot para cartão microSD de até 256 GB
  • Wi-Fi a/b/g/n
  • Bluetooth v4.1
  • GPS/GLONASS
  • NFC
  • Suporte Dual-SIM 4G

Display e multimídia  

Se você tem um telefone com metade do tamanho de uma régua, você precisa de um motivo para carregá-lo por aí – e o do XA Ultra é sua tela IPS LCD de 6.0", rodando na resolução de 1080 x 1920 pixels (fechando em ~367 ppi de densidade).

Para uma tela grande, os ângulos de visão possíveis são um ponto vital. No caso do XA Ultra, sem problemas: diferentes inclinações e variações de pegada não comprometem o uso do aparelho com aberrações na tela. O tratamento da tela e do vidro ajudam muito, e isso traz de quebra uma boa leitura com luz forte – não tão boa quanto telas AMOLED, mas definitivamente acima do padrão LCD.

As cores produzidas pelo display do XA Ultra são equilibradas. Existe uma tendência geral de "escurecer" um pouco tons vivos, como vermelho-sangue e o próprio branco puro. O resultado são boas imagens, para um painel LCD, mas com essa anotação do truque de "suavizar o brilho" de todas as cenas para que pareçam mais "críveis" nesse display.

Nada vívido, tudo equilibrado. É, até que deu certo, Sony. Ficou bom. E contando que 1080p de resolução em 6" fazem já o suficiente para um nível de detalhe bem agradável, acabamos por aprovar o display LCD do XA Ultra.

Mas nada é perfeito. A Sony perdeu uma bela oportunidade de deixar um aparelho de entretenimento mais completo. A saída de som na parte de baixo é apenas "ridícula" para o porte do XA Ultra. É natural cobri-la com as mãos ao segurar o smartphone no modo paisagem. Pior: todos os sons são jogados para o agudo – e essa caixa NÃO sabe lidar bem com agudos, distorcendo tudo. Mais um alto-falante quebra-galho qualquer equipando um smartphone. Se fôssemos invadidos por ALIENs na segunda feira que vem, eles teriam vergonha de ouvir as músicas terrestres nesta saída de som.

Usabilidade e desempenho

Parece que a Sony ainda não entendeu como a lógica Android funciona. Ela exibe com orgulho as mudanças que faz no sistema, e o balde de entulho que ela pré-instala nos seus Xperias. O que a Sony se controla na interface, ela instala em apps que ela julga serem úteis para sua vida. Puristas do Android, podem começar a reclamar. Desde a tela de bloqueio até os widgets estão (suavemente) modificados, além dos pacotes de ícones. A questão é que as modificações suaves estão presentes em todo lado. 

Um aparelho maior, com mais resolução de tela, pedindo mais potência e mais hardware para que possa mandar ver em 1080p com os games e APPs. Esse é o fardo do XA Ultra. O problema é que ele legou a mesma CPU e GPU do Xperia XA com seu chipset MEDIATEK, que já não era um "exemplo" em potência e rendimento. 

Isso significa que temos um modelo que se auto-proclama ULTRA, mas que na prática fica lado a lado com o Moto X Play e Xperia C5 quando o assunto é coisa pesada. É literalmente um Xperia XA sobrecarregado.

Foi uma péssima ideia manter as peças do modelo menor e subir a resolução da tela. Em alguns momentos, a queda de frames é clara, e temos assim um aparelho que fará qualquer coisa (menos jogar) muito bem, mas que vai engasgar com qualquer exigência em 3D mais feroz.

O único bom ponto aqui é que tarefas sociais (Facebook, WhatsApp e apps do tipo) rodarão tranquilos e acumulados entre si, pois 3GB de RAM abrem as porteiras da estabilidade para APPs que rodam de fundo o tempo todo.

Câmeras

Na traseira do Xperia XA Ultra, temos uma câmera de 21.5 MP, f/2.2, detecção de fase (com tracking-focus) e flash LED. A gravação em vídeo é de 1080p@30fps. Porém, não é isso que brilha no XA Ultra. Seu real propósito é sua câmera frontal, de generosos 16 MP, f/2.0, autofoco frontal, flash LED e estabilização óptica OIS. Sim, na frente.

É clara e transparente a curadoria e o cuidado da Sony com a câmera frontal do XA Ultra, tornando assim o sensor dedicado para selfies mais poderoso que a própria câmera principal. O foco em fotos implica, inclusive, num botão físico para o disparo da câmera, localizado na lateral direta do aparelho. Esse botão serve para a captura imediata que a linha X oferece, também.

Só um esclarecimento. Por se tratar de Sony, a quantidade de MP nas fotos pode variar. Para tirar fotos no tamanho máximo dito para cada sensor, é necessário mudar a captura para o modo manual. O padrão é o modo superior auto, que tira fotos ligeiramente abaixo dos MP máximos que o sensor tem.

Isso não é ruim, é apenas a consequência do processamento inteligente do aparelho sobre as imagens. Se isso te incomoda, basta desativar. As selfies caem de 16MP para 15MP, por exemplo, com o Superior Auto trabalhando para melhorar as fotos.

A câmera frontal com certeza é o foco desse aparelho bestial para selfies. Existem "mimos" na interface, como usar a câmera traseira junto à frontal, por exemplo. Mas isso é apenas um bônus, você vai querer a captura apenas com a frontal mesmo.

O nível de qualidade dos detalhes e riqueza das imagens é impressionante, e com uma quantidade quase insignificante de ruído. As cores também são bem registradas, e ficam entre um tom "vivo" e "um pouco mais saturado" – um equilíbrio, em geral. O resultado sobe consideravelmente com o HDR ativado.

Os modos automáticos que a Sony embarca no aparelho prezam por tudo isso que falamos, e inclusive tratam de fazer a "magia do flash frontal" acontecer. Seria como o HDR, só que para o FLASH. Sabe aquela foto onde só o rosto está visível, e o fundo todo preto? Em teoria, o XA Ultra consegue criar uma imagem que une duas capturas para neutralizar esse efeito. Funciona, mas não todas as vezes. De qualquer forma, ele traz FLASH frontal e isso é mais um ponto para suas selfies.

Em ambientes de menos luz, temos queda natural do desempenho dessa câmera. Porém, sua abertura de f/2.0 dá uma boa força para que os resultados continuem dentro do esperado para uma câmera selfie de ponta. O tom "anoitecer" vai estar nas suas fotos, mas ainda assim serão bons resultados que sairão delas.

Vale lembrar que todo esse desempenho que comentamos até agora vem embalado na estabilização de imagem, que corrige o grande problema do "braço esticado" para fotos frontais, e mais que isso: segura o sensor no lugar para fotos noturnas.

A única questão sobre essa poderosa câmera é que seu ângulo de captura é bem aberto, e fotos MUITO próximas podem gerar o efeito olho de peixe, criando narizes gigantescos por exemplo. É apenas a característica dessas lentes de maior amplitude, portanto use-as lembrando disso para resultados mais interessantes.

Uma nota sobra a câmera frontal: talvez você ache o autofoco dela meio estúpido. Parece que o XA Ultra está sempre buscando seu rosto, mesmo quando ele está claramente no mesmo lugar. Ficar parado olhando para a câmera gera vários momentos de "refoco" em algumas situações. É mais perceptível ao fazer vídeos mesmo.

E quase esquecemos da câmera traseira. Bom, como dissemos, o foco desse aparelho é a frente, mas temos coisas legais para o sensor tradicional de trás. Foco de perseguição: o tracking focus para qualquer objeto (ou pessoa) está ativo, por exemplo.

O que notamos é que, apesar das fotos maiores produzidas pela traseira, temos bem mais suavização das imagens, apagando parte dos detalhes finos, como folhagens, por exemplo. É como se uma câmera nova estivesse na frente, e uma mais antiga atrás.

A estabilização de imagem também foi para o buraco na traseira, restando apenas a correção digital de tremor para quebrar um galho – o que significa que fotos com menos luz não só terão bastante ruído, como também ficarão tremidas com uma facilidade considerável.

Fechando nossa análise da câmera: CALOR. Nada do que fizemos com o aparelho gerou tanto calor quanto manter a câmera ativada. Nem falamos de gravar um vídeo, apenas abrimos a câmera e ficamos olhando pra ela. Isso consegue em poucos minutos subir consideravelmente a temperatura na região superior do aparelho, onde estão os dois módulos de imagem.

E vale notar que esse aparelho não grava vídeos em 4K.

Bateria e acessórios 

Quando se fala em bateria, tamanho é documento. Antes de seguir com a análise, lembremos que aparelhos do passado com esse tamanho já traziam 3000 mAh de bateria. Justamente por isso, ficamos impressionados com o fato do Xperia XA Ultra trazer apenas 2700 mAh. Um exemplo mais direto: o Galaxy S7 Edge, aparelho menor que o XA Ultra, oferece 3600 mAh.

Dito tudo isso, fizemos nossa parte. Colocamos o gigante de tela para queimar energia, dentro das regras de sempre. Brilho máximo, com todas as conexões desligadas (exceto o Wi-Fi), fazendo streaming contínuo. O resultado não poderia ser diferente: notamos uma descarga média de enormes 22%/hora após cada rodada de testes, indicando de forma empírica que não existe bom senso em misturar telas grandes com baterias menores.

Temos assim um aparelho que não chega ao final do dia com o usuário de forma tranquila. Você precisará de um power bank ou mesmo andar com o carregador, preenchendo a bateria conforme você exige mais do aparelho. O carregador incluso leva longas duas horas para devolver 100% de energia para o XA Ultra.

O que é engraçado de verdade nisso tudo é que a Sony simplesmente quer que tudo isso se dane, em termos de bateria, e traz a boa e velha provocação na caixa do aparelho, num pequeno dizer no fim da caixa, que diz: "Bateria para até dois dias".

Segundo a Sony, temos mais uma coisa para falar sobre essa bateria: ela conta internamente com regulagem inteligente de corrente, e dosa a energia de entrada para que não haja desgaste prematuro da peça, dobrando (em teoria) a quantidade de meses/anos que o aparelho ficará com você até que a bateria comece a perder sua capacidade de reter carga corretamente.

Vale a pena

O preço oficial do XA Ultra é R$ 2.399,00 (e ele está disponível nas cores preto, branco e dourado). Não vamos enrolar muito não nessa conclusão: o Moto G4 Plus custa R$ 1.000 a menos que esse mamute da Sony, e nos arriscamos a dizer que, com exceção da câmera frontal... vocês entenderam.

Pelo preço, falta leitura de impressão digital, por exemplo, e uma autonomia menos miserável para um aparelho tão grande. Quando você se propõe a abrir mão do conforto de algo, você espera receber algo em troca, e 6" causam vários malabarismos no dia a dia.

OK, você leva a melhor câmera de selfies da geração para casa. E só. Vamos sempre lembrar do XA Ultra pelo marco de oferecer câmeras frontais de alto rendimento no Brasil. Mas não vale pagar R$ 2.399,00 apenas por este motivo?

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