Samsung Galaxy J3 [Análise]

Por Adriano Ponte RSS

Se você é daqueles que procura uma boa relação entre custo e benefício, mas não deseja gastar muito dinheiro para ter um smartphone, a linha J, da Samsung, é uma das mais interessantes da atualidade. E a virada do ano de 2015 para 2016 trouxe consigo mais um membro para esta família, o J3.

Um aparelho compacto, com pegada firme e bom manuseio para uma só mão, o J3 oferece acesso fácil a toda a sua área útil. Ele é feito de plástico, simula metal nas bordas e couro na parte traseira, o que funciona muito bem do ponto de vista estético e dá um ar de intermediário ao gadget. Mas, além da construção, será que ele tem mais a oferecer? Confira agora a nossa análise completa do Samsung Galaxy J3.

Especificações

  • Chipset Exynos 3475;
  • CPU quad-core 1,5 GHz Cortex-A7;
  • GPU Mali-400;
  • 1,5 GB de memória RAM;
  • 8 GB de memória interna (com suporte para expansão via microSD);
  • Tela Super AMOLED de 5 polegadas com resolução de 720 x 1.280 pixels (~294 ppi);
  • Câmera traseira de 8 megapixels e f/2.2 capaz de gravar vídeos de 720p a 30 fps;
  • Câmera frontal de 5 megapixels e f/2.2  capaz de gravar vídeos de 720p a 30 fps;
  • Conexões Wi-Fi b/g/n, Bluetooth 4.1, GPS/GLONASS;
  • Dimensões: 142,3 x 71 x 7,9 milímetros;
  • Peso: 138 gramas;
  • Android 5.1.1 Lollipop.

Galaxy J3 2016J3 é o mais novo membro da família J, da Samsung. (Foto: Canaltech)

Display e multimídia

As configurações da tela do J3 permitem que a reprodução de imagens com um nível de detalhe dentro do necessário para ocultar os pixels da sua visão. A tela AMOLED em um aparelho com baixa resolução significa que você não vai conseguir ver uma formiga caminhando sobre o ombro de alguém, mas enxergará com alta qualidade cores e contraste daquilo que compõe a imagem.

O que nós sempre cobramos em relação aos “pretos profundos” e a vivacidade de cores se aplica, em menor escala, a este aparelho, mesmo com seu menor poder de fogo. Em suma, a Samsung deveria adotar este tipo de tela como padrão em absolutamente todos os seus dispositivos.

Mas há aqui algo de problemático na tela e que nada tem a ver com o painel que gera as imagens. Sim, estamos falando da tampa de vidro que protege o display. Ela conta com um toque áspero, bem diferente do que é visto normalmente em uma tela tátil, na qual toda a informação e interação será definida por meio de toques.

O J3 2016 trava facilmente o seu dedo em meio a gestos e arrastes de toque. Com isso, não oferece uma experiência de interação agradável, mesmo gerando e exibindo belas imagens no display. Enfim, ela não é tão “macia” quanto deveria ser.

Galaxy J3 2016Vidro da tela do novo J3 apresenta alguns problemas. (Foto: Canaltech)

Outro problema comum em aparelhos de entrada é a presença de uma saída de som precária. No caso do J3, temos a popular grade de som ao lado da câmera, um local facilmente abafável e bem mal escolhido para um elemento que emite som. O resultado é o pior possível: sons nada envolventes, em volume baixo e com qualidade de radinho de pilha, com distorções e nenhuma fidelidade. Isso quer dizer que os fones de ouvido serão obrigatórios mesmo para quem quiser ouvir um som dentro de casa.

Usabilidade e desempenho

O Android é sinônimo de liberdade, por isso a Samsung não consegue se conter e realiza uma série de mudanças no sistema mobile do Google presente em seus gagdets. Apesar de andar bem mais contida na hora de aplicar a interface TouchWiz, a sul-coreana ainda inclui pacotes de ícones, transições e menus modificados. Apesar disso, não foi possível notar qualquer engasgo no sistema causado por isso.

A boa notícia aqui é que são poucos os apps da fabricante pré-instalados no dispositivo — e eles podem ser removidos, caso você queira. Se você precisa de trocas instantâneas de tarefas e pouco tempo de abertura de aplicativos, o J3 2016 vai responder de forma relativamente positiva. Dependendo do seu nível de uso, algumas coisas podem demorar mais para abrir, mas os engasgos são ocasionais.

Se você quer um smartphone para jogar, aí precisamos dividir a explicação em duas partes. Primeiro: se você curte jogos casuais, como Subway Surfers, pode ir sem medo que o J3 deste ano aguenta — games com renderização dinâmica para reduzir as configurações e os gráficos a fim de rodar em aparelhos mais simples vão funcionar sem quedas perceptíveis de rendimento.

Galaxy J3 2016J3 2016 consegue  realizar o básico sem dificuldades. (Foto: Canaltech)

Contudo (a segunda parte), se a ideia é jogar coisas mais pesadas e que exigem mais de um dispositivo, com mais elementos em tela, aí o J3 não é nada indicado. Bastam as animações acumularem para que as perdas da taxa de FPS sejam muito grandes, o que resulta na incompatibilidade de títulos que sequer podem ser baixados da Play Store para o seu aparelho.

Apenas 8 GB para armazenamento interno é outro fator que atrapalha bastante. Por isso, o J3 fica abaixo de outros produtos da própria Samsung, e tudo por causa da memória interna, que arrasa a usabilidade dos mais exigentes. Lembre-se que o WhatsApp, por exemplo, é um app leve e popular, mas acaba consumindo muita memória interna com o conteúdo recebido por você nas conversas individuais ou em grupo — e este é apenas um exemplo.

Câmeras

A câmera principal apresenta um sistema de foco lento, causando esperas consideráveis ao ser apontada para os objetos. Fotos fora de foco ou tremidas serão a sina de quem não espera tudo se estabilizar ao mirar a lente do J3 2016 para algo. Agora, em relação à qualidade, as câmeras da frente e de trás do portátil se enquadram em um patamar intermediário.

As fotos não são ruins como costumam ser quando realizadas por um aparelho de entrada e até podem ser guardadas para a posteridade. A parte negativa fica por conta das suavizações excessivas, muito evidentes em cada foto, deixando claro que o sensor traseiro é incapaz de enxergar detalhes e texturas — a câmera frontal repete o mesmo comportamento, com o adendo de que as fotos parecem estar sempre fora de foco.

Contudo, apesar de todos esses pontos, o pior ainda está por vir: o pós-processamento, responsável por distorcer as cores da fotografia. Pequenas manchas de supressão de ruído acabam formando o efeito de gotas d’água sobre papel, manchando alguns pontos mais escuros da foto.

Galaxy J3 2016Câmera do J3 não faz nenhum milagre. (Foto: Canaltech)

Resumindo a coisa toda, temos aqui uma câmera que é capaz de quebrar alguns galhos com muita maestria, mas que deixa todas as fotos com aquele cara de “foi feita com um celular”. Mas vale citar ainda um aspecto positivo: basta pressionar o botão home duas vezes seguidas para abrir a câmera imediatamente, mesmo com o aparelho bloqueado.

Baterias e acessórios

Aparelhos de menor poder de fogo costumam oferecer boa autonomia energética, e é exatamente este o caso do J3 2016. O tamanho do tanque é de 2.600 mAh, quantidade suficiente para um gadget de 5 polegadas. Durante os nossos testes habituais, notamos uma taxa de descarga de aproximadamente 13% por hora, um valor muito bom, capaz de colocar o J3 2016 entre os aparelhos mais indicados para conservar energia.

É importante destacar que não notamos um calor excessivo e incômodo durante a utilização do novo J3 em nossa redação, tampouco gastos surpresa de bateria quando em modo de repouso, com a tela desativada. Vale lembrar que nosso teste é sempre feito com o brilho da tela no máximo, o gadget conectado via Wi-Fi e reproduzindo vídeo contínuo por streaming.

O kit básico do J3 é composto por um carregador capaz de carregar completamente o dispositivo em 2 a 3 horas. Além disso, ele vem com um par de fones de ouvido que até quebram um galho até que você consiga um modelo de maior qualidade — eles são apenas os fones padrão oferecido pelas Samsung em seus gadgets mais acessíveis.

Galaxy J3 2016Fone do J3 2016 apenas quebra um galho. (Foto: Canaltech)

Vale a pena?

Com custo médio aproximado de R$ 650 (até a data em que concluímos esta análise), temos um dilema. Tudo ficou caro demais nos últimos meses, e temos acompanhado uma tendência inacreditável do mercado de smartphones em lançar aparelhos cada vez menos acessíveis — alguns dos aparelhos de boa relação custo-benefício de diversas marcas hoje estão custando em torno de R$ 1,5 mil, e a Samsung entra nesse bolo. No caso da linha J, porém, temos um combatente que segue na faixa dos smartphones vendidos abaixo dos R$ 1 mil.

Como aparelho de entrada — leia-se, algo indicado para quem apenas quer acessar a internet e usar as redes sociais —, ele funciona bem e é uma escolha de respeito. A tela AMOLED é um ponto positivo, deixando o J3 2016 muito mais agradável de usar do que outros aparelhos desta mesma faixa de preço.

Então, se este é o seu perfil de usuário (se você não é um usuário hardcore), ir de J3 não será problema algum. Pode ser até que ele receba a atualização para o Android Marshmallow, o que seria um atrativo ainda maior para este portátil.

E aí, você concorda com a análise? Gostou do J3 2016? Deixe a sua opinião aí nos comentários.

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar

Novidade

Extensão Canaltech

Agora você pode ficar por dentro de todas as notícias, vídeos e podcasts produzidos pelo Canaltech.

Receba notificações e pesquise em nosso site diretamente de sua barra de ferramentas.

Adicionar ao Chrome