Quantum MUV Up [Análise / Review]

Por Wellington Arruda RSS

A Quantum, marca brasileira que nasce das entranhas da Positivo, iniciou suas operações em 2015 com o Quantum Go, mas de lá pra cá ela amadureceu bastante. O primeiro smartphone de 2017 da companhia é o MUV Up, que chega para bater de frente com outros celulares intermediários.

O aparelho

A Quantum vem ouvindo os comentários dos seus usuários e o visual dos celulares da marca está mudando com isso. Desta vez, temos um dispositivo com tampa traseira texturizada removível, mas somente na cor Preto Asfalto, sendo bastante parecida com uma lixa. Esta tampa dá mais aderência e o celular não escorrega com facilidade, ficando fixo também sob alguma superfície.

A Quantum ainda não disponibiliza outras tampas traseiras para o MUV Up, fazendo com que esta, por enquanto, seja a única opção. A fabricante prometeu trazer duas cases adicionais, sendo uma transparente e outra colorida, mas ainda sem previsão de chegada para o mercado.

Ao removê-la, nós encontramos slots dedicados para dois chips no formato micro-SIM, e ele também aceita cartões microSD de até 128 GB.

Pesando aproximadamente 150 g, o smartphone tem um corpo com 8,9 mm de espessura e carrega metal nas laterais. E existe algo relativamente peculiar no design do MUV Up: as entradas para fones de ouvido e microUSB ficam no topo do aparelho, enquanto que na parte inferior nós temos apenas o microfone para chamadas.

Já nos habituamos com, pelo menos, o conector USB localizado na parte inferior. Mas, é claro, este também pode ser um local confortável. Tudo vai depender do costume e da maneira como você utiliza o aparelho.

A câmera traseira está levemente saltada, enquanto que o leitor biométrico fica logo abaixo dela e do flash dual-tone. E a tela, é claro, também está no padrão 2.5D, combinando com os cantos arredondados e facilitando na ergonomia.

Um outro destaque vai para a parte frontal dele. Nós temos o logo da Quantum na borda inferior, e na superior a câmera frontal com flash LED - e um pequeno LED para notificações.

O visual do MUV Up agrada, mas alguns recursos ficaram de fora do projeto, tais como alguma resistência contra água, por exemplo. Tirando isto, nós temos um belo aparelho da Quantum com preço equiparável aos seus concorrentes.

Vamos ser diretos com o alto-falante do MUV Up. Você consegue notar distorções no conteúdo que está sendo reproduzido com facilidade, além de ondulações no som que também são perceptíveis. Levando em consideração sua faixa de preço, era esperado, pelo menos, uma qualidade sonora relativamente melhor, algo que pudesse reproduzir as músicas com mais suavidade.

Display e multimídia 

Utilizando a tecnologia TrueView II, que utiliza menos camadas entre a tela e o vidro para aumentar os níveis de contraste, a tela IPS LCD de 5,5 polegadas do Quantum MUV Up realmente apresenta imagens bonitas. Os tons mais escuros ainda partem um pouco para o cinza, mas no geral ele não decepciona.

Você pode configurar os modos de exibição do MUV Up graças a tecnologia MiraVision, da MediaTek. Aqui é possível ajustar o brilho, contraste, saturação, nitidez e temperatura das cores individualmente. Existe também o modo de Contraste Dinâmico, que ajusta automaticamente a tela durante a reprodução de vídeos.

Essa tela carrega um vidro temperado, e não Gorilla Glass. A Quantum garante que a resistência é equivalente a de outros produtos, e até o momento de publicação desta análise, mesmo utilizando o aparelho no bolso normalmente, não nos deparamos com arranhões.

Agora, voltando à qualidade, o display do MUV Up é bem grande e carrega a resolução HD (Nota: edição, vocês podem colocar um lettering com a resolução 1280 x 720 e densidade de pixels? Dá pra ver a densidade no app CPU-Z). Este não é um ponto prejudicial ao celular, ainda mais considerando o preço atribuído a ele. Não vamos dizer também que esperávamos mais, pois ele entrega a qualidade prometida pela sua fabricante.

A experiência, de fato, é bem rica, mas não nos aproxima de algo imersivo de outros aparelhos mais caros. Ele consegue ficar na frente de produtos com painéis IPS LCD mais simples com facilidade, o que certamente é um ponto positivo para quem gosta de assistir vídeos e filmes no celular.

Especificações

Concorrente de aparelhos como o Moto G5 e LG K10 2017, o MUV Up carrega consigo hardware potente o suficiente para você realizar as principais atividades do seu dia-a-dia, embora o chipset utilizado não seja da geração mais atual.

  • Chipset MediaTek MT6753 (octa-core 1,3 GHz);
  • GPU Mali-T720MP3;
  • 3 GB de RAM;
  • 32 GB de armazenamento interno (~26 GB livres), com slot para microSD de até 128 GB.

Usabilidade e desempenho

O chipset da MediaTek carrega a tecnologia CorePilot, que basicamente utiliza a quantidade necessária de núcleos para uma ativ idade, deixando todos os outros em repouso para economizar bateria, mas com potência suficiente para o seu celular não travar.

Se você estiver rodando um game mais pesado, mais núcleos e poder de processamento serão utilizados. Se você estiver em algum app mais leve, menos núcleos serão utilizados.

Dito isto, vocês já devem imaginar que com 3 GB de RAM o aparelho não trava e consegue rodar tudo de maneira bem lisa, certo? Pois bem, na prática as coisas são bem bonitas com o MUV Up, mas se você tentar rodar algum jogo mais pesado, por exemplo, notará com facilidade alguns engasgos e quedas de FPS, além de gráficos menos destacados.

Para um uso mais corriqueiro com mensageiros, redes sociais e streaming de conteúdo (áudio e vídeo), o aparelho se sai muito bem. O software também não decepciona: temos o Android 7.0 Nougat com uma interface que é basicamente herdada do Google Now.

Alguns ícones foram remodelados, mas no geral temos o mesmo visual padrão do Android. Isto é bem positivo, também considerando o fato de que temos pouquíssimos aplicativos pré-instalados.

O leitor biométrico, localizado na traseira, funciona mesmo quando o celular está bloqueado. O recurso de dar dois toques na tela para acender/desligar também está incluso, facilitando a digitação da sua senha quando ele está apoiado numa mesa, por exemplo.

Câmeras

A Quantum optou por uma dupla de 13 MP no MUV Up, com abertura de f/2.0 para a traseira e f/2.2 para a frontal. O sensor principal ainda traz foco PDAF, enquanto que o de selfies tem um flash LED único.

Ambos os sensores conseguem filmar em Full HD com 30 fps. A estabilização para gravações, no entanto, acaba pecando em relação aos seus concorrentes. Não é nada tão decepcionante, mas sim, ele fica para trás neste aspecto.

Mas agora, partindo para a qualidade dos cliques, vemos que a Quantum melhorou significativamente. As fotos conseguem um bom nível de nitidez, mas aqui vai uma dica boa: o modo HDR, na maioria das vezes, acaba elevando muito o brilho, fazendo com que as cores sejam distorcidas. Sendo assim, opte pelo modo padrão de câmera se perceber que as imagens não estão tão legais no HDR.

Em cenários noturnos, temos a velha reclamação de boa parte dos intermediários: o nível de ruído é bem perceptível, deixando de fora muitos detalhes do cenário em questão. O software da Quantum tenta consertar este incômodo, mas aqui vai uma segunda dica: se for fazer fotos noturnas com ele, procure um local mais iluminado. É sério.

Você também pode ativar/desativar o modo de embelezamento e mexer no ISO, balanço de branco e escolher os modos de cena, embora os ajustes manuais estejam basicamente limitados a isto.

A câmera frontal do MUV Up nos dá uma luz positiva sobre as selfies. Com 13 MP, mais detalhes são preservados e as cores também não decepcionam, mantendo um nível agradável de contraste. Os usuários que estão mais acostumados com este tipo de recurso realmente vão se divertir com este sensor, que não fica forçando modos de embelezamento e traz aspectos mais reais até mesmo nos cenários.

Vale citarmos, inclusive, que ele também conta com um flash único para ajudar nas suas selfies noturnas, mas nós recomendamos fazer um uso moderado do recurso para não borrar ou estourar o branco das suas fotos

Bateria e acessórios

Equipado com uma bateria de 3.000 mAh, o smartphone da Quantum carrega consigo uma série de recursos para economizar energia. A tela agora consome menos, enquanto que o CorePilot, já mencionado por aqui, também faz sua parte. O Android tem o modo Doze, que acrescenta um melhor gerenciamento de bateria, e ainda temos um recurso para ligar/desligar o aparelho automaticamente.

Em nossos testes, reproduzindo vídeo por streaming durante uma hora com o brilho no máximo e conectado ao Wi-Fi, o dispositivo obteve uma descarga média de 20% por hora. De fato, para um uso estimado em mediano, o consumo exagerado de bateria pode ser prejudicial para o desempenho geral do celular.

Mas, é claro, também testamos o celular da Quantum no nosso cotidiano. A autonomia é boa para um aparelho intermediário e está dentro dos padrões para uma carga de 100% que dura o dia inteiro. Chegar ao segundo dia de uso, porém, pode ser um desafio e tanto.

Ah, e vale citarmos por aqui que o carregador de 5V - 1,5A demora quase 2 horas e 30 minutos para devolver a carga pro aparelho - lembrando, também, que a sua porta USB é 2.0, e ele não traz Quick Charge.

Vale a pena?

Custando R$ 1.099 nos canais oficiais da Quantum, o MUV Up chega para bater de frente com intermediários de outras fabricantes que atuam no Brasil. Ele consegue aliar um desempenho muito bacana para as atividades diárias e ainda sobra espaço para se divertir com jogos, mas sem tanta folga quanto você deve estar imaginando.

A bateria também tem duração boa o suficiente para ser equiparável aos seus rivais, e o conjunto de câmeras escolhido pela Quantum trabalha bem com os 13 MP. Nada tão excelente, mas ele fica na média dos intermediários, com destaque para o sensor frontal.

Claro, sentimos falta de uma série de itens que poderiam ter sido adicionados, mas devemos lembrar que este aparelho é média gama. Ainda assim, a proposta da Quantum com o MUV Up é de aproximá-lo cada vez mais dos seus concorrentes, oferecendo uma opção viável no atual mercado.

Aos que procuram um smartphone não muito caro, o Quantum MUV Up pode ser uma bela opção. Ele traz leitor biométrico e câmeras suficientemente boas para redes sociais e afins, além de ter um bom espaço interno para armazenar suas fotos, arquivos, jogos e afins.

O custo-benefício nos diz que este pode ser um bom investimento, visando um uso intermediário, tal qual prometido pela fabricante. Se você já estiver mirando um uso mais avançado com ele, aí as coisas podem ficar mais complicadas.

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