Quantum Fly [Análise]

Por Adriano Ponte RSS

Dá última vez em que analisamos um produto da Quantum aqui no Canaltech, muita gente se empolgou, houve empurra-empurra, mas nenhuma morte confirmada até o momento. E como o barulho foi tanto daquela vez, é óbvio que não deixaríamos o mais recente lançamento da marca passar incólume.

O Quantum Fly é uma peça de alumínio que podemos chamar de um “cruzamento” entre um iPhone e um gadget da Lenovo. Ele tem ainda acabamento arredondado no vidro frontal (o tal 2.5D) e é leve e fino. Então, se você é um dos que ficou empolgado com as especificações divulgadas pela subsidiária da Positivo, que criou aqui o primeiro smartphone de 10 núcleos do país, confira agora a nossa análise completa do Fly.

Especificações

  • Chipset Mediatek Helio X20;
  • CPU deca-core (4x Cortex-A53 de 1,4 GHz, 4x Cortex-A53 de 1,9 GHz, 2x Cortex-A72 de 2,1 GHz);
  • GPU Mali-T880MP4 (780 MHz);
  • 3 GB de memória RAM;
  • 32 GB de armazenamento interno (com slot para cartão microSD compartilhado com o dual-sim);
  • Tela IPS LCD de 5,2 polegadas com resolução Full HD 1080p (~432 ppi) com proteção Gorilla Glass 3;
  • Câmera traseira de 16 megapixes e f/2.0 com flash LED;
  • Câmera frontal de 8 megapixels com ângulo de visão de 80°;
  • Conexões Wi-Fi b/g/n, Bluetooth 4.1, GPS;
  • Android 6.0.1 (com atualização prevista para o 7.0 Nougat).

Display e multimídia

A primeira impressão que tivemos sobre a tela do Fly não foi exatamente sobre as imagens exibidas nela. Como manuseamos ele um pouco antes de ligar o aparelho, ficou evidente a falta de um tratamento oleofóbico. O vidro frontal é um “imã de digitais” muito poderoso, deixando marcas em todos os toques dados na tela. Isso é natural para telas sensíveis ao toque, mas ficamos impressionados com a facilidade com que isso acontece no Fly. Tivemos que limpá-los algumas vezes durante a produção da videoanálise.

Quantum FlyQuantum Fly é o primeiro smartphone com 10 núcleos do Brasil. (Foto: Canaltech)

Agora, tratando do desempenho da tela em si, é possível notar uma boa distância entre os pixels e a nossa visão quando tudo roda em Full HD — isso é excelente e funciona bem para o Fly. Cenas claras e com muitos detalhes ficam bem representadas e é quase certo que agradam a maioria dos usuários. O contraste entre os tons brilhantes funciona bem e as cenas ao ar livre se mostram bem precisas.

Contudo, o problema está nos extremos. Cenas claras que estouram no branco apresentam tons estranhos, com uma sutil distorção da iluminação do LCD. Já tons de preto nessa tela sofrem muito com a limitação do LCD comum, no qual a retroiluminação contamina a cena, tornando a cor preta algo mais próximo de um cinza — e no caso do Fly é bem cinza. Isso muda a mistura de cores como um todo, visto que a base preta (de fato) não existe em 100%, deixando os resultados do gadget bem abaixo do que  a sua resolução aparenta. O resultado de tudo isso é uma tela mediana, um passo enorme para trás em relação ao Quantum Go.

Em relação a parte sonora, temos a saída de som na parte debaixo do gadget. Esses buracos enganam um pouco, afinal existe aqui apenas um alto-falante (do lado direito). Não sabemos se é a espessura do aparelho, a distância da saída ou algo estranho na reverberação do som que sai dali, mas há um problema no som do Fly. Qualquer reprodução de áudio aqui soa com forte vibração, o que, somado à forte tendência de jogar todos os tons para níveis mais agudos, deixa a composição bem estranha. Infelizmente, mais um alto-falante comum.

Usabilidade e desempenho

Temos pouco dedo da Quantum na interface do aparelho, então podemos resumir grosseiramente as mudanças visíveis a pequenos ajustes no painel de notificações e à presença de alguns apps pré-instalados. Outras mudanças estão escondidas e espalhadas pelo sistema, dando a impressão de que a Quantum quis “fazer mais” por alguns recursos do Android. Um exemplo: há uma função “programar desligar/ligar” no menu. 

São mudanças pequenas, mas em quantidade considerável, e aqui nós sempre preferimos o Android puro. Vale lembrar ainda que o Fly foi lançado no início da distribuição do Android 7.0 para os dispositivos Nexus. Segundo a Quantum, em breve será feito o update do sistema no seu novo gadget, então a versão do Android dele ficará “ultrapassada” por alguns dias.

Sobre o desempenho, notamos algo bem negativo sobre o Fly: ele é bem instável. Temos dois fatos que precisam ser pontuados em relação a isso. O primeiro é que, sim, sempre há uma chance da nossa unidade ter vindo premiada. A outra é que uma atualização do sistema pode resolver isso em um futuro próximo (e tomara que você que assiste a este vídeo já não sofra com este enrosco).  O problema é que alguns aplicativos sequer abrem no Quantum Fly. Quando começamos a falar deste problema eu toquei sobre o Asphalt 8 para iniciá-lo, mas ele não abriu até agora.

Em geral o desempenho é bom, e como sabemos que vocês perguntam muito sobre benchmarks, convidamos todos para acompanhar o resultado do Antutu. Durante a avaliação, ele consegue rodar o teste e não apresenta a mesma lentidão de alguns modelos mais humildes. Contudo, fica visível que nem tudo está correndo bem por aqui, pois muitos frames pulam o tempo todo. Ele consegue manter performance ao custo de abandonar alguns fragmentos de segundo cena-a-cena — técnica de “frameskip” comum em emuladores para lidar com situações pesadas demais.

O resultado seria: games pesados funcionam, mas fica a impressão de que as imagens estão falhando nas partes mais complexas da jogatina. É preciso ter cuidado para explicar e mostrar isso, afinal os números do Fly em benchmarks são altos e temos a impressão de uma supermáquina olhando apenas os dados. Em suma, ele é potente, mas não é estável. Não dá para saber se é o Android, má adequação dos apps para o chipset Mediatek, mas algo não está certo por aqui.

Quantum FlyQuantum Fly tem desempenho instável. (Foto: Canaltech)

E agora um tema que há tempo não aparecia em uma análise: calor. Foi possível notar que a temperatura do Fly decola facilmente durante o uso normal. Basta executar um pouco mais de tarefas para notar que ele está aquecido, em especial na região próxima ao leitor de digitais. Em geral, não é nada que incomoda, até porque a temperatura só causa calores mesmo quando executamos games mais complexos, mas é algo que incomoda e gera pontos negativos para a performance dos componentes e para a longevidade da bateria.

A parte da usabilidade também contempla a facilidade e a praticidade com que o aparelho é operado, e a leitura biométrica para desbloquear o Fly significa tudo isso. E há duas boas notícias aqui: uma é a posição do leitor de digitais, localizado na parte traseira do portátil, um apoio natural para o seu dedo; a outra é a precisão da leitura, que reconhece corretamente a digital cadastrada e leva apenas uma fração de segundos para liberar o acesso. Enfim, o sensor biométrico aqui é excelente.

Outro ponto que não pode ser deixado de lado é a gaveta compartilhada entre o chip SIM e o cartão de memória microSD. Aparelhos dual SIM fazem sucesso aqui e a Quantum sabe disso, porém, ela falha em não permitir que você use dois chips e um cartão de memória ao mesmo tempo. Ter que escolher entre um e outro é uma afronta ao consumidor.

Câmera

A Quantum deu alguma ênfase na capacidade fotográfica do Fly ao afirmar que houve ganho de performance e qualidade no sensor que equipa o modelo deste ano. Nós testamos exaustivamente este aspecto e podemos afirmar que, sim, os resultados deste aparelho superam os do seu antecessor, entendendo melhor a supressão de ruído e com menos tendência de deixar as fotos com tom leitoso ou esbranquiçado. As cores são mais realistas nas capturas feitas com o Fly.

Porém, “bom” não é excelente. É notável que os tons registrados pela câmera tendem a ser mais escuros do que gostaríamos. As características do Fly são relativamente OK e apenas definem que ele se desvia um pouco do ideal para fotos. A conclusão é que ele se mostra um intermediário para fotografia, o que não é totalmente ruim dada a faixa na qual o aparelho se posiciona.

Quantum FlyIntermediário, o Quantum Fly tem câmeras de intermediário. (Foto: Canaltech)

O que falha mesmo é a capacidade de leitura das cenas presente neste aparelho. A calibragem que ele deveria fazer ao observar a luz, por exemplo, é extremamente lenta, principalmente na câmera frontal. A traseira sofre mais com o autofoco, que se esforça mesmo em cenas que notavelmente teriam foco infinito.

Até o vazamento de luz nas fotos traseiras foram quase eliminados, mas poderão ser notados pelos mais observadores. A Quantum melhorou a capacidade fotográfica do seu aparelho, mas ainda há muito para ser feito aqui.

Um detalhe que não poderia deixar de ser citado é o modo “Quantum” de fotografia. Ele promete produzir fotos com mais megapixels graças a uma tecnologia proprietária do aparelho, mas isso simplesmente não acontece. As fotos saem maiores, mas exatamente com a mesma quantidade, ou seja, é a mesma foto, só que esticada, o que definitivamente não melhor a imagem. É um tipo de interpolação, como vista nos celulares “xing ling”, que serve apenas para aumentar fotos e nada mais.

Enfim, o veredito final da câmera é: ela é boa, mas está distante da expectativa criada pela Quantum na divulgação do aparelho. O Fly é um intermediário e faz fotos como um intermediário, apenas isso.

Baterias e acessórios

Fino e leve, duas características que nos fazem imaginar que o tamanho da bateria será um problema. Porém, isso não acontece aqui: temos 3.000 mAh fornecendo energia para que tudo funcione. Mas nós sabemos que ter uma bateria enorme não basta, então é necessário medir o desempenho do gadget com tudo isso.

Assim, nós demos início só tradicionais testes aqui na redação, com streaming contínuo de vídeo com tela no brilho máximo e Wi-Fi ligado. E isso nos decepcionou um pouco, pois foram consumidos cerca de 20% da bateria por hora. Repetimos várias vezes e não tivemos outro resultado, o que indica uma realidade cruel: apesar do tanque generoso, o aparelho consome muita energia.

E vale lembrar que este teste é de equilíbrio do uso ativo, ou seja, é mais suave que jogar. Assim sendo, “Quantum Fly” significa “não se esqueça de levar o carregador quando for sair de casa”. A conclusão é que o chipset Mediatek pode ser um comilão de energia, pois vários outros gadgets com chips desta marca apresentam um desempenho de bateria não muito agradável.

Junto do aparelho temos um carregador de 2.000 mAh, ou seja, 1h30 será o suficiente para recarregar completamente o Fly. Ainda no pacote há um par de fones de ouvido intra-auriculares de qualidade bem superior ao que normalmente encontramos em fones iniciais que acompanham smartphones, porém, o seu formato pode causar uma divisão forte de opinião — muita gente odeia os intra-auriculares.

Quantum FlyApesar de anunciado como premium, o Quantum Fly é apenas um bom intermediário. (Foto: Canaltech)

Uma nota sobre acessórios: nos chamou muita atenção o trabalho enorme da Quantum na caixa do aparelho. Normalmente, esse item é bem menos trabalhado em aparelhos intermediários, mas aqui fica claro que a empresa fez de tudo pare que o seu produto pareça “o mais premium possível”. 

Vale a pena?

Claramente chamado de premium e colocado como high-end nas divulgações do produto, o Fly nada mais é do que o substituto do Go. Levar um desses para casa custa a partir de R$ 1.299, preço de intermediário, valor dentro do qual giram todos os demais concorrentes desta faixa.

Ele não é um top de linha com preço de intermediário e a gente tem obrigação de contar isso para vocês. Ele é um bom intermediário, com preço próximo aos de seus rivais, e é apenas uma escolha com leitura de digital, longe de ser o negócio do ano ou o smartphone do século.

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