ASUS Zenfone 3 [Análise]

Por Adriano Ponte RSS

Update: 25/10/2016

O Zenfone 3 foi lançado no Brasil em quatro cores diferentes: ouro, azul, preto e branco e chegará em versões custando R$ 1.499 (3GB de RAM e tela de 5,2") e R$ 1.799 (4GB de RAM e tela de 5,5").

O Zenfone 2 foi um aparelho que causou forte impacto no mercado intermediário brasileiro, propondo custo-benefício de grandes proporções. Agora, chega a vez do seu sucessor, evoluído e com aspecto premium. Com vocês, o Asus Zenfone 3.

O aparelho

A apresentação estética dos aparelhos celulares tem recebido cuidado extra nesse ano, e isso se reflete no Zenfone 3 claramente, que agora traz na sua parte de posterior a identidade visual da Asus de círculos concêntricos por detrás de um painel de vidro, com acabamento reflexivo na camada inferior. Os detalhes que circundam as bordas e contornos das peças seguem todos com corte angulado, dando a impressão ao toque de que tudo é "mais macio" do que parece.

A resistência do aparelho é uma faca de dois gumes: ele baseia-se no metal e vidro, então danos estéticos podem acontecer numa queda, afinal, é vidro. Porém, o dia-a-dia sem quedas não deve deixar danos ou marcas pois há reforço Gorilla Glass dos dois lados do Z3. Seu chassi de metal é inteiriço, ou seja, é escavado de um bloco de alumínio reforçado. Daí entra o acabamento curvo na frente e na traseira completado pelo vidro 2.5D.

A questão "aparelho" é confusa no caso do Zenfone 3. Apesar da excelente pegada que o aparelho apresenta, fica difícil não ignorar esse vidro todo. Principalmente porquê ele gosta de deslizar por aí com uma certa facilidade. Fica aquela sensação de "preciso tomar cuidado".

Nossa unidade mede aproximadamente 7.7 mm de espessura, porém esse número salta para quase 9 mm se levarmos a câmera em conta. E, claro, essa câmera saltada na traseira é a primeira parte do aparelho a encostar em mesas e superfícies. Usar uma capa/case para nivelar isso e proteger o aparelho parece uma boa pedida. Para os curiosos: o peso aproximado do Zenfone 3 que testamos por aqui é de 157g.

Especificações

Rodando o Android 6.0.1 Marshmallow (com upgrade futuro programado para o Android 7 "Nougat"), temos um aparelho com:

  • Chipset Qualcomm Snapdragon 625
  • CPU Octa-core (2.0 GHz Cortex-A53)
  • GPU Adreno 506
  • 32 GB de armazenamento interno (com 3 GB RAM) *ou* 64 GB (com 4 GB RAM), sendo este último o que analisamos aqui na redação;
  • Wi-Fi a/b/g/n/ac
  • Bluetooth v4.2
  • GPS/GLONASS
  • USB-C
  • Leitor de impressões digitais
  • Suporte dual-SIM (sendo o SIM 1 tipo "Micro SIM", e o SIM 2 tipo "Nano SIM", sendo impossível utilizar um cartão microSD caso esse segundo CHIP esteja ocupando a badeja).

Display e multimídia

Equipando a frente do Zenfone 3, temos uma tela IPS LCD de 5,5” rodando em Full HD (1080p), fechando em aprox. 401ppi de densidade, com proteção Gorilla Glass.

Apesar do tamanho desse display, segurar o Z3 não remete uma experiência desengonçada. As bordas curvadas do corpo e a moldura estreita da tela ajudam bastante a manter o corpo do aparelho o mais próximo possível do tamanho útil da tela. As três "touch-keys" na parte inferior seguem essa lógica de bom posicionamento, não sofrendo cliques acidentais durante o uso.

Em geral o desempenho da tela do Z3 é muito bom. Sob o sol, os 600 nits de brilho do display fazem sua força, e mantém a legibilidade em ambientes muito iluminados. Independente da condição de luz, os ângulos de visão da tela são bem abertos, suficientes para não haver inversão de cor visível ao inclinar o aparelho. Você pode ajustar via software os padrões de cor da tela do Z3, e deixar os tons como mais apreciar seu gosto. Porém, vamos pelo padrão, e ele é o equilíbrio.

A experiência básica da tela do Z3 é sempre voltada para a representação realista de tons e cores, sem dar vivacidade ou estouro nas cores em geral, trazendo uma experiência bem equilibrada e agradável ao usuário, fazendo bem o seu papel como... tela. Simples e funcional, com riqueza de detalhes também funcional para 5.5".

O único ponto abaixo do esperado são os tons de preto, que poderiam ser mais profundos. Eles seguem o padrão LCD, acinzentando gradativamente, conforme o brilho da tela. Poderia ser MELHOR, mas é apenas dentro do normal para telas desse tipo.

Fazendo par com o display do Z3, temos seu alto-falante, que fica sozinho na clássica posição "inferior-direita", que pode abafar a saída de som, principalmente ao jogar ou segurar o aparelho em modo paisagem. Mas falemos da qualidade do som que sai dali. 

Ela é um meio termo entre o que normalmente falamos aqui no Canaltech sobre caixas de som mobile. Esse alto-falante evita a todo custo a distorção das frequências que toca, e consegue uma experiência de reprodução sonora marcada pela nitidez das notas. Um som predominantemente limpo. Claro, mesmo sendo um "alto-falante de 5 elementos, com amplificação", ainda sim é uma tímida saída de som de tamanho reduzido, e a tendência é manter todos os tons em flat, sem graves. É "aquele" som "ok" de smartphone, mas muito limpo. Vale a pena conectar um fone de ouvido de alta fidelidade na saída de 3.5 mm mesmo, que conta com suporte hi-res integrado.

Usabilidade e desempenho

Modificações no Android, e no caso da Asus temos a ZenUI (na sua versão 3.0) - o que significa diversas modificações pelo sistema, passando por temas, APPs pré-instalados da fabricante com soluções proprietárias e gerenciadores/limpadores de memória e espaço.

Existem truques interessantes no meio disso, como o duplo toque na tela para desativá-la e bloqueá-la, por exemplo. Mas não foi dessa vez que a Asus se conteve com o Android na linha Zenfone. Puristas do Android terão um infarto fulminante ao utilizar o aparelho.

Temos um conjunto de CPU/GPU intermediário no Zenfone 3, porém com amparo de generosos 4GB de RAM. Na prática, fizemos nossos testes rotineiros e não encontramos problemas de execução em APPs, Games e Benchmarks. Claro, o desempenho é variável. A maioria esmagadora dos APPs flui corretamente no aparelho, sendo raro algum momento de espera. É algo previsível, visto a GPU intermediária de bom rendimento e o conjunto da obra, como um todo. é um kit ligeiramente acima do que temos no cenário intermediário de agora.

Vale notar que existem configurações de bateria que podem limitar ou soltar por completo o poder de fogo do aparelho, e as deixamos em 100% para garantir. De qualquer forma, fiquem os resultados do Zenfone 3 no GeekBench 4, Antutu e 3DMark.

  • capturar os 3 Benchmarks rodando/tabela de resultado final (números, pontuação).
  • edição, vale acelerar (muito) a execução do teste, e dar alguns segundos na tela que mostra o número de resultado final.
  • Letterings fixos durante os respectivos testes: Geekbench 4 | AnTuTu | 3DMark.

E parte vital da usabilidade, a leitura de digitais e sua execução. Nesse caso, "Leitura de digitais 360º". Dizemos isso pois não importa a posição de giro do dedo em relação ao sensor. Se for uma das 5 digitais cadastradas, haverá leitura e desbloqueio imediato do telefone, ativando a tela no processo.

Um detalhe que notamos nesse sensor: existe alguma tolerância de movimento. Durante o cadastro da digital, é possível arrastar o dedo pelo sensor para completar a captura, e da mesma forma, um suave arraste no dedo na hora de desbloquear o aparelho é possível. Não há a necessidade de manter o indicador estático, basta apoiá-lo sobre a traseira que haverá leitura, mesmo que um suave deslocamento ocorra.

Calma que tem um bônus sobre esse leitor. Algumas fabricantes tem dado funções extras para a peça, como bloquear a tela também. No caso do Z3, o leitor de digitais pode atender chamadas ao ser tocado, e também pode iniciar a câmera com toque duplo nele. Outro toque pode tirar fotos para você.

Câmeras

Na traseira do Zenfone 3, temos uma câmera de 16 MP, f/2.0, com autofoco laser + detecção de fase, com estabilização óptica de 4 eixos (OIS), e captura de vídeos em 4K. Na frente, são 8 MP, f/2.0, com gravação de vídeos em 1080p.

Falemos da câmera principal. Trata-se de um sensor Sony, com software PixelMaster 3.0 da Asus. Isso significa, como em outros Zenfones, controle manual com BOA gama de opções para os mais chegados à fotografia, incluindo coisas como exposição de até 32s para uma fotografia.

Claro, para o público geral há uma interface simplificada, com alguns "mimos", como HDR em tempo real, e os modos pré-configurados (como passagem de tempo). A captura das fotos nos mostrou "realismo". Apesar do "mote" de "cores mais vivas pela separação DTI do sensor" (onde cada cor vista pelo sensor não se mistura no espectro da outra), não notamos exageros ou cintilação das cores. Fotos de um dia ensolarado parecerão como estavam, sem tonalidades douradas excessivas ou céus lavados. Fica tudo equilibrado.

Mais uma nota: o nível de detalhe é grande, mesmo para a quantidade normal de MPs que o Zenfone oferece. O algoritmo do aparelho não tenta consertar coisas que não existem como alguns smartphones fazem (vulgo linha Xperia), e dessa forma mantém os pontos de cor da foto o mais fiéis possível. Ampliações mostram texturas de telhados, árvores e afins preservados, sem "zonas mortas de cor" que viraram uma coisa só.

Cenas com baixa luz se refletem proporcionalmente em granulação nas fotos, porém sem aberrações cromáticas ou ações agressivas por parte do pós processamento. O aparelho tende a deixar a foto como ela realmente sairia com luz desfavorável, não tenta arrumar as coisas. Isso é bom, e deixa os resultados bem honestos. Ou seja: Como padrão da linha Zenfone, faz sentido usar os recursos do modo manual para ampliar o rendimento das fotos nesses casos mais extremos de uso da câmera, como a noite.

Aapesar da estabilização óptica das fotos produzidas, a gravação de vídeos ocorre sem ela. A estabilização digital assume essa parte, e por processamento de aceleração e movimento, compensa o que você faz com a empunhadura do aparelho. Em geral, funciona, mas acaba removendo a nitidez de alguns momentos da gravação, consequência da suavização digital dos tremores.

Já na câmera frontal, não temos muito o que falar. Existe um certo desvio nas cores, tendendo sempre para tons mais quentes, além de uma forte suavização de cena (mesmo fora do modo de embelezamento). É uma câmera para Selfies que sempre visa suavizar as fotos. De boa qualidade, mas que pós-processa bastante seus cliques para que fiquem uniformes.

Bateria e acessórios

Um telefone que não é grosso, mas que também não fica abaixo do esperado para tamanhos de bateria. No caso do Zenfone 3, temos 3000 mAh como tamanho do tanque. Existem diversos modos de economia de energia possíveis no aparelho, com e sem agendamento, mas ignoramos isso para nossas baterias de teste de streaming contínua via Wi-Fi em ciclos de 1 hora cada.

Ao final de nossos testes, notamos uma descarga média de 15%/h no Zenfone 3, colocando ele como um bom gerenciador de energia móvel. Não é o rei dos reis nem o campeão de bateria do ano, mas fica cabeça-a-cabeça com os intermediários de alto rendimento energético. É um telefone que tem de tudo para chegar ao final do dia, caso você faça uso misto ativo dele. Claro, os usuários mais esforçados conseguirão roubar toda essa carga antes do pôr do sol.

Ainda na caixa temos um carregador + cabo USB-C, com saída de 5V/2000mAh (carregando o Zenfone 3 em menos de duas horas). No pacote também temos um par de fones de ouvido intra-auriculares, com borrachas de reposição.

Vale a pena?

Até a data de fechamento deste vídeo, não havia nenhuma divulgação oficial de preço para o Zenfone 3, e todo nosso review estava sob embargo neste período. Portanto, agora que ele pôde ser publicado para vocês, resolvemos fazer de forma diferente a conclusão desta análise, tornando também nossa conclusão atemporal.

Funciona assim: vamos dar faixas de preço, onde vale ou não a pena optar pelo Zenfone 3. Assim, não importa se é preço oficial, promoção ou macumba. Está naquela faixa, fica a conclusão.

- De R$ 1.400 ~ R$ 1.600

Dentro dessa faixa de preço, o Zenfone 3 fica como opção superior aos intermediários com bom custo benefício. Ele traz superioridade de materiais, câmera e desempenho (ligeiramente) superior, com armazenamento interno excelente.

- De R$ 1.700 ~ R$ 2.000

Fica o degrau do desconforto para o Zenfone 3, colocando-o explicitamente como segunda opção para quem busca um intermediário. Nessa faixa, o Z3 passa a ser uma "opção de luxo, mais cara", com alguma superioridade aos demais, porém não pelo mesmo valor. Quem estiver mais disposto a gastar com um intermediário, pode optar pelo Z3 se desejar um aparelho "mais premium", porém cobrando seu preço por isso.

- Acima de R$ 2.000

Passando deste valor, temos os aspirantes a TOP de linha e aparelhos especializados de outras marcas, que focam OU em câmera, OU em bateria, OU em tela, e assim por diante. Nesse segmento, o Zenfone 3 deixa de fazer sentido, passando a não ser uma opção viável para a grande maioria do público de intermediários.

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