Análise: Quantum GO, seja bem-vindo!

Por Pedro Cipoli RSS

Um novo aparelho de uma nova marca, algo que não costuma acontecer com frequência no mercado de smartphones. Essa é a definição do Quantum GO, que chegou para competir com players bem estabelecidos na plataforma Android, já chegando com um grande desafio para conquistar o consumidor. 

Como o GO pretende competir com marcas já estabelecidas? Bom, pelo visto, focando em uma excelente relação custo-benefício, oferecendo um conjunto completo por um preço razoável, mirando diretamente em um segmento onde muitos fabricantes desistiram de ser competitivos e abusando de uma força de marca adquirida em gerações passadas. Vamos ver como ele se sai?

Construção

Um dos pontos no qual a Quantum mais focou durante a apresentação do GO foi a construção. De fato, os 6,5 milímetros de espessura são surpreendentes dentro do segmento intermediário, fazendo com que ele seja fino mesmo se comparado ao iPhone 6 (6,9 milímetros) e Galaxy S6 (6,8 milímetros), além de ser surpreendentemente leve nas mãos, já que pesa 115 gramas. Ele dá a impressão de não ter bateria de tão leve, assim como acontece com o Alcatel One Touch Idol 3.

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Positivo Quantum Go
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A qualidade de construção é excelente. As bordas são de plástico de alta qualidade, tanto que tivemos que questionar a Quantum sobre qual era o material, já que ele realmente passa a impressão de ser de metal. Esse detalhe tem um benefício extra: diferentemente do que acontece com alguns aparelhos do mercado, as bordas não dão a impressão de que vão descascar com o tempo, ponto que vai chamar a atenção de quem busca um aparelho mais durável, além de ganhar pontos de ergonomia por serem arredondadas.

Quantum GO - Screenshots Quantum GO - Screenshots

Tanto a região frontal quanto traseira são completamente cobertas por vidro, uma estratégia que a Sony tem colocado em prática com a sua linha Xperia com sucesso e que realmente passa a impressão de um aparelho mais sofisticado. Isso não faz com que ele seja frágil, já que ambos os lados contam com proteção Gorillla Glass 3, garantido que ele não vai apresentar riscos e arranhões com o passar do tempo.

Tela

Assim como boa parte dos intermediários disponíveis no mercado atualmente, o GO tem uma tela com 5 polegadas e resolução de 720x1280, o que resulta na densidade de pixels padrão da categoria de 294 pontos por polegada quadrada. É uma escolha boa e suficiente para um modelo que queria ser competitivo, ponto que, até aqui, faz dele um concorrente direto do Moto G 2015, Galaxy A5 e do Zenfone 5.

O que chama a atenção, porém, é que a tecnologia de tela é o AMOLED, a mesma utilizada em modelos mais avançados e uma novidade bem-vinda nesse segmento de preços. Isso não faz com que GO tenha a mesma qualidade do Galaxy A5, que usa o Super AMOLED, mas chega muito perto. As cores são bem saturadas e os níveis de preto são virtualmente infinitos, já que o AMOLED permite ligar e desligar pixels individualmente, o que ajuda (ainda que pouco) a melhorar a autonomia de bateria.

Em relação ao software, temos uma tecnologia proprietária do chip MediaTek chamada MiraVision. Basicamente, ela calibra automaticamente as cores da tela, compensando a saturação excessiva da tecnologia AMOLED e tornando as imagens mais naturais, um recurso semelhante ao Splendid da ASUS, disponível nos Zenfones.

Especificações

Ponto para a Quantum aqui. Ou Positivo. Ou ambas. Com exceção de alguns poucos modelos da Samsung que usam chips Exynos, o mercado de intermediários é praticamente dominado pela Qualcomm e seu chip Snapdragon 410. Quando muito, temos o Snapdragon 615, ainda que ele seja raro (senão inexistente) em modelos que custam menos de R$ 1.000, o que faz com que praticamente qualquer smartphone com preços próximos ao GO tragam o Snapdragon 410, não se diferenciando tanto pelo desempenho.

Quantum GO - Screenshots Quantum GO - Screenshots

A Quantum optou pelo MediaTek MT6753 com oito núcleos Cortex-A53 rodando a 1,3 GHz e suporte a instruções de 64 bits, além de contar com processamento assíncrono (frequências de operação diferentes para cada núcleo) e a habilidade de ligar ou desligar núcleos sob demanda, poupando energia ao mesmo tempo em que mantém o aparelho frio (conjunto que a MediaTek chama de CorePilot). Outros fabricantes deveriam considerar fortemente esse chip como uma alternativa ao Snapdragon 410, uma escolha mais apropriada para um intermediário que não quer abrir mão de desempenho.

Quantum GO - Screenshots Quantum GO - Screenshots

Outro ponto é a GPU Mali T720 triple-core da ARM rodando a 450 MHz, que não nos deixou na mão na hora de rodar games mais pesados, além dos 2 GB de memória RAM DDR3 em todas as versões do GO, o que significa uma quase ausência de travamentos quando vários apps estão abertos, mandando bem no multitarefa. Junte isso a uma implementação praticamente pura do Android 5.1 Lollipop (com atualização garantida para o Android 6.0) com apenas alguns apps próprios da Quantum e o resultado é uma responsividade acima da média. A Quantum provavelmente se inspirou na Motorola com essa estratégia, um bom modelo para se seguir.

Quantum GO - Screenshots Quantum GO - Screenshots

Em relação ao armazenamento interno, temos nada menos do que 32 GB de memória flash, outro ponto forte do GO, enquanto muitos fabricantes reservam essa quantidade de memória interna somente para modelos superfaturados (Motorola e ASUS são praticamente as únicas que fogem a essa regra). Isso não impediu a Quantum de permitir expansão via cartão microSD, algo surpreendente para um modelo tão fino.

Vale mencionar que tanto a configuração quanto a quantidade de armazenamento variam dependendo da versão do GO, indo desde 16 GB com o chip MT6592M na versão 3G mais básica até os 32 GB e chip MT6753 na versão 4G que recebemos para testes.

Câmera

A câmera traseira conta com 13 megapixels, BSI (Backside Illumination) flash, HDR e um software de câmera até bastante completo. A qualidade de fotos é excelente, próxima ao que observamos com o Moto G 2015, se comportando de forma relativamente estável em diferentes condições de luz. O modo que nos chamou mais a atenção é o Quantum Resolution, que funciona de forma bastante semelhante ao Dynamic Super-Resolution (DSR) dos novos Zenfones, capaz de tirar fotos de 24 megapixels sem uma perda significativa de qualidade.

Quantum GO - Fotos

Quantum GO - Fotos

Quantum GO - Fotos

O resultado não é tão bom quanto o DSR da ASUS, mas estamos falando de segmentos diferentes. Os vídeos ficam restritos a 1080p a 30 quadros por segundo com qualidade entre média e alta e vídeos bem estabilizados, considerando que a estabilização é eletrônica e não óptica. A câmera frontal tem 5 megapixels e abertura de até 84 graus, ou seja, cabe você e uma boa quantidade de amigos com fotos tiradas com a distância de um braço estendido.

Quantum GO - Fotos

Quantum GO - Fotos

Quantum GO - Fotos

As selfies são excelentes quando as condições de iluminação são favoráveis, mas a qualidade cai perceptivelmente em fotos noturnas, o mesmo valendo para os vídeos. Nesse ponto o GO se parece bastante com o Moto G 2015.

Extras 

Há uma boa quantidade de extras, mas sentimos falta somente do padrão GLONASS de GPS e do NFC, que ainda não está consolidado no segmento intermediário de uma forma geral:

  • Suporte para dois chips simultâneos, um deles habilitado para 4G LTE em três frequências (700/1800/2600 MHz), o que significa que ele funcionará sem problemas em boa parte do mundo;
  • Wi-Fi de banda única nos padrões B, G e N com suporte a roteador;
  • Bluetooth 4.0 LE;
  • GPS com A-GPS (sem GLONASS e BeiDou);
  • Rádio FM;
  • Televisão digital no padrão 1Seg*;
  • USB com suporte a OTG;

* Tecnicamente o aparelho não suporta TV, já que necessita de um dongle externo conectado à entrada micro USB 2.0 para funcionar, mas ele está incluso na embalagem.

Quantum GO - Screenshots Quantum GO - Screenshots

O sistema de som do GO conta com duas saídas na parte de baixo e áudio bem definido, mas que não consegue alcançar volumes muito altos, o que é até esperado, considerando as dimensões do aparelho. Na embalagem há um fone de ouvido tipo intra auricular extremamente minimalista com qualidade média, suficiente para você não precisar correr atrás de um “fone que presta” ao comprá-lo para aproveitar uma boa qualidade de som, o que acontece com alguns modelos nessa faixa de preços.

Bateria

Este último item é o calcanhar de Aquiles do GO, ainda que 2300 mAh de capacidade sejam até bastante coisa para um modelo com essas dimensões, sendo previsivelmente não removível. Basta considerar que é a mesma capacidade do Nexus 5, que é maior e mais “gordinho”, mas não deixa de ser pequena, mostrando uma priorização de design ao invés da autonomia. Em nossos testes tivemos dificuldade de terminar o dia com carga mesmo com o sistema de gerenciamento de energia proprietário da Quantum ativo, então pode se preparar para usar uma bateria externa e virar expert em achar tomadas livres.

Quantum GO - Screenshots Quantum GO - Screenshots

A situação piora quando adicionamos o alto tempo de carregamento do GO, que demora várias horas para completar a bateria. O carregador incluso na embalagem é bem padrão (5V e 1A), oferecendo somente 5 watts de energia. Esse ainda é um problema dos chipsets MediaTek, que ainda não são capazes de oferecer carregamento rápido como os chips da Qualcomm e Intel, o que parece estar sendo resolvido somente recentemente, mas não foi o caso aqui.

Conclusão

O Quantum GO chegou ao mercado com valores que variam de R$ 699 (3G, 16 GB e chip  MT6592M) até R$ 899 (4G, 32 GB e chip MT6753), usando uma estratégia de vendas semelhante ao que aconteceu com a Xiaomi, com vendas diretas no site oficial e tendo apenas a B2W (Submarino, Americanas e Shoptime) como parceira oficial. A Quantum pode ser vista como uma divisão independente da Positivo, fazendo parte da empresa mas aproveitando um bom nível de decisão nos detalhes técnicos.

É inegável que o GO é um aparelho excelente mesmo sem considerar o seu preço, trazendo um conjunto que não é somente bastante completo, como equilibrado. Juntamos isso com um preço bem agressivo e temos um dos modelos com maior custo-benefício do mercado e pouquíssimas falhas, mas com dois adversários de peso: Zenfone Laser (ASUS) e Moto G 2015 (Motorola), ambos com mais tempo de mercado.

Isso faz com que o GO tenha que lidar com algumas variáveis extras para estabelecer a sua presença no mercado, mas que só podem ser analisadas com o passar do tempo. Entre as mais importantes, temos a qualidade, quantidade e velocidade do RMA, que determinam se o usuário tem a segurança de contar com suporte técnico sem medo.

Outro ponto é que a Quantum garantiu atualização para a próxima versão do Android quando ela estiver disponível, o que é um excelente ponto de partida. O tempo que a empresa demorará para isso, entretanto, é crucial. O fato de o GO contar com uma implementação praticamente pura do Android facilita esse processo, já que não é necessário lidar com as particularidades de uma interface própria, o que nos faz ficar otimistas.

No fim das contas, o GO já chegou com bastante expectativa mesmo sem contar com um marketing tão agressivo como o de fabricantes maiores, e vale ficar de olho na Quantum para ver como ela se sai com o passar do tempo.

Vantagens

  • Tela de alta qualidade;
  • Configuração competente;
  • Câmeras acima da média para o segmento;
  • Construção excelente;
  • Conjunto bem completo de extras;
  • Alto custo-benefício;
  • Android atualizado de fábrica.

Desvantagens

  • Bateria abaixo do esperado;
  • Carregamento lento.
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