Moto Z: a análise completa!

Por Adriano Ponte RSS

Aparelho

O design do Z é praticamente o mesmo dos irmãos Z Force e Z Play, principalmente na frente. O que muda fica em detalhes menores e na moldura dos aparelhos. No caso, a do Z é em alumínio aeronáutico, o que ajuda a deixá-lo "leve" (são 136 g), e com pouca espessura.

Falando nisso, os tais 5.2 mm de espessura divulgados sobre o aparelho são um dos "motes" que a Lenovo tem apostado para o Moto Z, modelo "padrão" da linha Z. A questão é que esse é um dos primeiros "mitos" sobre o aparelho.

Buscando a capacidade de ficar "fino" além do possível, a Motorola fez a câmera saltada para fora do corpo, deixando claro que sua espessura é relativa. Entendemos que isso foi feito para que haja margem para a modularidade do aparelho, onde peças podem ser encaixadas magneticamente na parte de trás do dispositivo, dando funções extras a nível de hardware para o Z.

Para nivelar a parte de trás toda com a câmera, basta unir magneticamente a Style Shell inclusa no pacote com o Z, e pronto. Agora você tem o Moto Z de verdade para usar. Já a parte de trás  do Z, sem nada conectado, expõe além da conexão um acabamento todo em metal listrado no centro, com vidro no topo e embaixo (para que haja local onde as antenas transmitam sinal). Mas, basta um módulo para tapar tudo isso, e pronto.

Os módulos já lançados até então são: os "Moto Style Shells", com diferentes materiais/cores para completar a traseira do Moto Z; o módulo de bateria (Incipio offGRID™) - que também vem incluso no KIT inicial do Z aqui no Brasil - para uma recarga rápida ou ampliar o tempo de uso do Z; JBL SoundBoost, que adiciona som estéreo de alta potência ao Z; Moto Insta-Share Projector, para projetar a tela do Z em até 70" na resolução de 480p e Hasselblad True Zoom, que conta com uma câmera para zoom óptico de 10x no Z, com formato (mais) ergonômico (como uma câmera compacta).

Especificações

Rodando o Android v6.0.1 (Marshmallow) com upgrade futuro para a versão 7 (Nougat), temos um aparelho equipado com:

  • Chipset 820 com CPU Quad-core (2x1.8 GHz Kryo & 2x1.36 GHz Kryo) e GPU Adreno 530 de 510 MHz.
  • 4GB de RAM
  • 64 GB de armazenamento interno
  • Suporte microSD de até 2 TB
  • 4G LTE Dual-SIM 
  • Leitor de impressão digital
  • NFC
  • GPS
  • Porta USB-C
  • Bluetooth v4.1
  • Wi-Fi a/b/g/n/ac (dual-band) com MIMO

Display e Multimídia

Na frente do Z, temos uma tela Super AMOLED de 5.5" reforçada com Gorilla Glass 4, rodando em resolução Quad HD (1440p) - ou seja, 1440 x 2560 pixels, fechando em 535 ppi de densidade.

No passado, a Motorola usou AMOLED no Moto X original. Desde então, é raro ver esse tipo de painel nos aparelhos da marca. Optar por essa tecnologia significa alguns pontos, como leitura sob o sol melhorada em relação ao LCD, além de significativa economia de energia ao exibir imagens escuras. Sim, isso está diretamente relacionado ao preto de verdade, onde a tela se apaga em pontos específicos, criando assim o tal "contraste infinito" e ajudando as misturas de cores a permanecer mais puras possíveis, sem interferência do cinza-imitando-o-preto de alguns LCD.

Mais que isso, fica obviamente fácil manter o recurso do "Moto Tela", onde apenas alguns pixels acendem ao pegar o Z nas mãos ou aproximar-se dele.

Nossa única consideração sobre a tela do Z é a impressão "azulada" que o painel desligado possui. É mais fácil notar isso ao olhar de forma angular para o Z. Quando desligado, e lado-a-lado com outros painéis Super AMOLED, fica confuso saber se o Z traz um painel LCD ou AMOLED. Sua tela se destaca claramente da moldura preta.

Em uso normal (ou visto de frente) o Z não mostra problemas em virtude disso, apenas o detalhe de tender os tons brancos para uns nuances mais frios.

Em relação ao complemento multimídia, temos um alto-falante frontal, muito similar ao que vimos no Moto G. E isso também vale para seu rendimento.

A posição da saída de som é excelente, afinal é praticamente impossível abafá-la (e o usuário recebe o som diretamente). O problema é a qualidade do que sai daí, que é apenas mediana. Nada de som envolvente (como alguns Lenovo intermediários já mostraram para nós), tampouco fidelidade sonora. A tendência de tornar FLAT todas as ondas (e distorcer isso para o agudo) são fortes. Faixas com vários tons misturados são um problema, tornando "uma caixa de abelhas" o som que sai dali.

Usabilidade e desempenho

Chegamos na parte onde comenta-se a implicação real de uma CPU e GPU "amaciadas" para o mercado brasileiro. A questão é que o produto não desceu de categoria, ainda é um TOP proibitivo, e as reduções mostradas acabaram virando muita coisa.

Porém, na prática, não há porque tanto alarde para quem comprar o smartphone, a menos que seu objetivo seja especificamente rodar benchmarks, daí o seu número no final do teste vai ser um pouco menor. Se isso é importante a você, aí sim é um problema o Snapdragon 820 "lite" do Moto Z.

Agora, se você tem um smartphone para usar aplicativos e jogos, e não fazer testes de números, temos a clara noção de que até hoje, mesmo os chips 801 rodam praticamente tudo da Play Store, por exemplo.

A única ressalva fica por conta de quem pretende ficar muito tempo com o celular, visando o futuro, onde esse desempenho menor pode chegar no seu limite um pouco mais cedo que o Moto Z pleno.

Em testes e uso pesado, o Z é tão capaz quanto todos os outros tops de linha que passaram por nossa análise em 2016, sem dever nada para ninguém. São todos tão potentes que dão um baile nas opções mais pesadas que o Android tem hoje.

Há também a leitura de digitais integrada ao aparelho, em um quadrado logo abaixo da tela. Ele faz a ativação e desbloqueio com o toque do seu dedo ali, sem necessidade de pressionar mais nada. Está sempre ativo, e a resposta é instantânea. Com a tela ligada, este quadrado não age como "home", mas pode ser segurado para bloquear a tela.

A nível de sistema, temos os Apps "Moto" e "Moto Snaps" instalados, e eles gerenciam os comandos de voz, de gestos e os módulos do Z. Fora isso, o sistema foi mantido como o Android v6 original.

Câmeras

Para a câmera traseira, são 13 MP e abertura de ƒ/1.8, com estabilização óptica (OIS), foco laser, flash LED duplo e suporte para vídeos em 4K (30 fps).

Na interface de controle vemos o toque minimalista de sempre que a LenovoRola tem trazido para seus aparelhos, mas com os "extras" de sempre (como a habilidade integrada de escanear QR Codes e o "modo PRO" para controles deslizantes mais avançados).

Em termos de qualidade, muito detalhe e cor, em condições de luz favorável. Fotos dignas de um top de linha. Mas, se a luz caiu, as coisas "estranhas" acontecem. Que fique claro, as fotos não ficam ruins, mas alguns pontos devem ser levados em consideração.

Com pouca luz é notável que o sensor se confunda um pouco. O balanço de branco erra algumas leituras de cena, e o resultado é que fotos específicas terão uma grade de cores um pouco abaixo ou um pouco acima da realidade, aleatoriamente.

Uma outra curiosidade é que mesmo com a excelente abertura de lente de ƒ/1.8, temos algum tempo "extra" de espera entre cada disparo, onde as velocidades do shutter ficam prolongadas. Ou seja, dentre os aparelhos com boa estabilização óptica E boas lentes para noite, o Moto Z é um dos que precisa de mais firmeza nas mãos e tempo de captura. Há até um aviso de segurar a câmera firme nessas horas.

Na câmera frontal, são 5 MP com abertura de ƒ/2.2, lente de ângulo aberto e flash LED.

Nela temos resultados também honestos. Os detalhes capturados são bons, e não trazem suavizações ridículas de pele como é padrão em algumas câmeras de selfie. É bom.

O flash frontal faz fotos "como outros" aparelhos que tem o recurso, nenhuma novidade significativa aqui.

Menção honrosa para o "mimo" de sempre que a Motorola tem trazido em seus aparelhos, onde temos a integração ao Google Fotos com backup gratuito de arquivos no tamanho original por dois anos. Brinde sempre bem-vindo.

Bateria e acessórios

Movendo o Moto Z, temos uma bateria tão fina quanto o próprio aparelho. São 2600 mAh, fato interessante para uma peça com tão pouco tamanho. Mas, como dizemos sempre, 3.000 mAh seria o ideal de todo aparelho.

Brilho máximo, conexão WiFi, streaming contínuo. Isso rendeu descargas de 13%~16% por hora de uso do Moto Z, mostrando que em uso misto-ativo, pode-se chegar ao final do dia com o aparelho.

Ainda no pacote, temos o carregador "TurboPower", que injeta boas horas de uso extra com alguns minutos de carga. Os valores são variáveis, dependendo da temperatura do aparelho, carga restante e tal.

Daí a mágica fica por conta dos 5V, 3A (15 W) de poder. 

E na caixa ainda temos o adaptador de fones de ouvido 3,5 mm para USB-C. 

Vale a pena?

Lembrando que o "Moto Z Power Edition" é o kit padrão do aparelho em solo nacional, e seu preço oficial em seu site é de R$ 3.199,01 (sim, tem esse 1 centavo aí).

O Moto Z é um aparelho muito bonito. Com módulos que podem ser a revolução dos próximos anos, ou não. Porém por um dos preços menos aceitáveis já praticados pela Motorola no Brasil.

Na época do Moto X original, uma revolução foi instaurada pelos comandos de voz, com custo relativamente baixo, competindo forte com aparelhos até mais potentes que ele.

Agora, vem o Z, com a premissa do X + módulos, mas num preço ALTO. Abaixo da Apple e da Samsung, mas ainda sim alto. Não achamos que dessa a Motorola repetirá o sucesso da linha X, com a Z.

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