O que há de novo no Ubuntu 15.10? [Spoiler: pouca coisa]

Por Pedro Cipoli RSS

Ubuntu 15.10

O Ubuntu 15.10 (Willy Werewolf) é, provavelmente, o último a ser anunciado de seis em seis meses, já que a Canonical passará a trabalhar somente com versões LTS (Long-Term Support), iniciando com a versão 16.04 (Xenial Xenus). É uma versão anunciada sem grandes mudanças visuais, mas sim com atualizações importantes por baixo do capô e com melhorias na estabilidade e velocidade geral do sistema, com algumas pequenas mudanças em alguns poucos detalhes no Unity.

Brincamos com o Ubuntu 15.10 na seguinte configuração:

  • Processador: Intel Core i5-4210U (dual-core de 1,7 GHz, Turbo Boost até 2,7 GHz, 3 MB de cache L3 e Hyperthreading);
  • Memória: 8 GB DDR3L single-channel rodando a 1600 MHz;
  • GPU integrada: Intel HD 4400;
  • GPU dedicada (automaticamente detectada): NVIDIA GeForce GT 820M;
  • Armazenamento: OCZ Vector 256 GB

Abaixo, o changelog dessa versão (versão de 64 bits):

  • Kernel 4.2;
  • X.org 1.17.2;
  • Compiz 0.9.12.2;
  • Unity 7.3.2 (nada de Unity 8);
  • Firefox 41.0.2;
  • LibreOffice 5.0.2;
  • Ubuntu Software Center 13.10

Instalador e inicialização

Um dos pontos de destaque do Ubuntu, o que ajudou a torná-lo uma das versões mais conhecidas do Linux, é o instalador. Não encontramos nenhuma mudança significativa, sendo basicamente o mesmo instalador utilizado na versão 15.04, que, por sua vez, mudou pouca coisa desde a versão 14.04 LTS. Substituímos a versão anterior do Ubuntu (14.04) de forma automatizada sem erros, mantendo o Windows 10 em seu devido lugar.

Esse cálculo automático reservou 8 GB de memória SWAP (mesma quantidade de RAM), com uma partição de “/” Ext4 e outra para suporte a UEFI, sem uma “/home” separada. É um dimensionamento bastante simples, mas usuários mais avançados provavelmente irão optar por seus próprios layouts de disco, mas não é um dimensionamento que cause problemas em longo prazo. Ainda assim, sentimos falta de uma opção automatizada que crie uma partição “/home” separada, em especial para usuários iniciantes.

Todo o processo demorou alguns poucos minutos, mesmo com a instalação de atualizações durante o processo. Em seguida, durante a inicialização, percebemos um boot ligeiramente mais rápido (mesmo usando um SSD), comparando com a versão 15.04, mas mais lenta do que a versão 14.04, resultado da transição do Upstart para o Systemd, iniciada na versão 15.04, em especial na animação de abertura, que, por algum motivo, aparecia com erros na configuração de testes nas versões anteriores.

Unity

A tela inicial é exatamente a mesma da versão 15.04, onde apenas o wallpaper padrão é diferente, assim como os programas de acesso rápido na lateral direita. Um ponto que observamos, e pode ser um caso particular dos testes que realizamos, é que o Dash abria de forma bastante lenta com os gráficos integrados. Quando passamos a usar a GPU dedicada (dentro do Software Sources) esse problema desapareceu, mostrando que ainda há um trabalho a ser feito para otimizar o Unity, especialmente em configurações mais básicas.

Ubuntu 15.10Same old Ubuntu

Ubuntu 15.10Os gráficos integrados não foram suficientes para abrir o Dash sem travamentos.

Ubuntu 15.10Com exceção da versão escrita abaixo do Login, é a mesma tela de bloqueio utilizada há gerações.

Esse é um problema que só sentimos no Ubuntu padrão, até onde lembramos. As derivações Xubuntu (Xfce), Kubuntu (KDE), Ubuntu Gnome não sofrem com esse problema. Aliás, em versões derivadas do Ubuntu que usam suas próprias interfaces, caso do Linux Mint nas versões Cinnamon e MATE, isso algo que o usuário deve ter em mente caso não tenha uma GPU mais potente para rodar o Ubuntu. Talvez isso seja resolvido no Unity 8, mas ainda há dúvidas se ele será implementado na versão 16.04.

Ubuntu 15.10Uns belos de uns wallpapers. Infelizmente, é a maior mudança que observamos nessa versão.

De uma forma geral, quem estava esperando alguma mudança visual mais significativa vai ficar decepcionado. O único ponto que observamos de diferente foi a barra de rolagem, e mesmo isso é um detalhe bem pequeno. Outro ponto são os wallpaper novos inclusos por padrão, como acontece com cada nova versão, sendo uma das versões que menos trouxe mudanças que temos memória.

Hardware

Não utilizamos uma configuração tão atual assim, de forma que o reconhecimento de hardware foi automático. Nossa preocupação era a antena wireless (Dell 1705), que foi reconhecida automaticamente, mas ofereceu um desempenho perceptivelmente inferior, se comparado ao Windows. Por exemplo, na mesma posição, o Windows oferecia 84% de potencia de sinal, enquanto o Ubuntu 15.10 mal chegava a 25%. Não chegamos a testar se o driver proprietário melhoraria isso, mas, ainda assim, é uma queda perceptível de desempenho.

Ubuntu 15.10

Ubuntu 15.10

A autonomia de bateria girou em torno de 3 horas (contra quase 6,5 horas do Windows) sem otimizações, em especial pelo fato da GPU dedicada ficar ligada o tempo todo. Quando mudamos para os gráficos integrados e configurarmos o TLP, esse valor passou para quase 5 horas e 40 minutos, depois de habilitarmos suspensão seletiva das portas USB

Ubuntu 15.10Para variar, temos o Compiz queimando MHz.

Aliás, vimos que alguns usuários com processadores Skylake (tanto desktop quando notebooks), relataram uma experiência bastante errática, como geralmente acontece com hardwares mais novos, algo que o usuário deve ter em mente se utilizar uma configuração muito nova, em especial adaptadores de rede.

Conclusão

Passamos alguns dias usando o Ubuntu 15.10, uma das versões com menos atualizações que vimos até hoje. Vale a pena atualizar apenas para quem já faz isso a cada nova versão, mas certamente não recomendamos atualizar para quem possui a versão 14.04 LTS e preza pela estabilidade. Quem possui configurações mais recentes, a atualização valeria a pena apenas pelo Kernel 4.2, com um suporte melhorado a GPUs da AMD e novos Atom da Intel, mas, bom, é possível atualizar o Kernel sem precisar atualizar o sistema todo.

Ubuntu 15.10Talvez a versão 16..04 traga mudanças boas.

Esperamos que a Canonical, fabricante do Ubuntu, tenha guardado as armas grandes para a próxima versão LTS, a 16.04, pois as últimas versões não apresentaram grandes mudanças. Especialmente, esperamos que a próxima versão finalmente traga o Mir e o Unity 8, ainda que, provavelmente, ambos sofram novos atrasos. A partir do 16.04, a Canonical provavelmente começará a liberar novas versões a cada 2 anos, o que faz bastante sentido, já que dará tempo para a empresa implementar recursos novos de fato, não anunciando versões intermediárias com com pouquíssimas mudanças.

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