LG G6: testamos o novo topo de linha da LG [Análise]

Por André Fogaça RSS

O G5 entrou para a história da LG como uma das maiores falhas, mesmo que com a premissa de inovação e pioneirismo. Não deu certo. Foi ainda pior com o G5 SE, versão capada e que foi a única que chegou ao Brasil.

Para solucionar este problema a LG voltou para o básico de um smartphone, só que esticou a tela e melhorou seu sistema de duas câmeras. Além de ser o primeiro smartphone da linha G com proteção contra água e poeira.

Será que isso é o suficiente para colocar a marca no trilho de maiores do mundo, nos smartphones mais caros do mundo? É o que você descobre agora...

MAIS TELA E CORPO ELEGANTE

Olhe para frente e é basicamente isso. Tela. Tela é o que você tem e esta é uma tendência belíssima para 2017. O G6 passou de 70% para quase 80% de aproveitamento da frente, mas ainda está abaixo de seu principal concorrente: o S8 da Samsung, que tem 83% de tela na frente do aparelho.

Ele deixou de ter um visual mais arredondado e agora é tudo em metal e vidro. Encaixa bem nas mãos, mas passa a impressão de que é mais grosso do que seus concorrentes. O único problema é tradicional de produtos com vidro na traseira: marcas de dedos aparecem com muita facilidade.

No geral o conjunto de corpo e materiais ficou mais sóbrio e, principalmente, sem calombo na câmera. A LG é uma das únicas empresas que decidiu não acabar com o visual do produto ao colocar uma parte saltada. Ponto positivo!

O conector para fone de ouvido continua por aqui e a LG abandonou qualquer ideia de modularidade que existiu no G5. É um passo importante e que faz todo sentido, mas é doloroso para quem investiu em outros módulos. Eles não tem mais serventia para além do próprio G5.

Ah, mais uma coisa: este é o primeiro smartphone da linha G que pode mergulhar em água doce, filmar o mergulho e voltar para contar a história. Repito: água doce, nada de mar. Ele pode sobreviver em até um metro de profundidade, por 30 minutos.

TELA GRANDE, BEM GRANDE

O G6 foi o primeiro smartphone de marca grande que apostou em tela grande sem aumentar ainda mais o corpo. E ficou bonito de verdade.

Ela é realmente gigante e aproveita bem a frente do smartphone, com suas 5.7 polegadas e resolução Quad HD+. O G6 faz parte de alguns aparelhos que ainda apostam forte em telas IPS LCD, sendo que ele é o melhor representante desta tecnologia. As cores são bem balanceadas, o ângulo de visão é generoso e aberrações cromáticas são raras.

Mesmo sem uma tela AMOLED a LG coloca sua versão para tela sempre ligada. O recurso mantém apenas um texto pequeno exibindo o relógio e algumas notificações, só que a tecnologia LCD ilumina todo o display, mesmo que apenas para uma pequena frase exibida. Isso fica claro em baixa luz, quando você vê claramente a tela iluminada com a cor preta.

A tela tem proporção que bate em 2:1, ou seja, ela é tem duas vezes a largura, na altura. Assim como acontece com o S8, o Android não está ainda preparado para telas altas e alguns aplicativos mostram barras, ou então ficam exibindo os botões virtuais o tempo todo. Em vídeos, que são capturados em 16:9 ou 21:9, para cinema, barras são ainda mais comuns. Você até vê que, por exemplo, o YouTube consegue ficar esticado e preencher todo o display, mas não o vídeo que ele exibe no mesmo momento.

Alguns apps permitem que você estique a proporção para preencher tudo, mas algumas informações laterais acabam perdidas. Isso fica claro em quase que todos os apps.

A tela tem suporte para Dolby Vision e HDR 10, mas estas tecnologias ainda não são tão comuns, mesmo para apps como Netflix ou YouTube. Ainda não é agora que estas duas novidades vão te surpreender, mas elas garantem cores mais vibrantes e brilho maior.

ESPECIFICAÇÕES

Infelizmente a LG ficou atrás em 2017 e seu smartphone mais potente não utiliza o Snapdragon mais potente e ainda trabalha com a mesma quantidade de memória RAM do ano passado (se você não considerar a existência do G5 SE, que tem 1 GB a menos de RAM).

  • Snapdragon 821 (quad 2.35 GHz + quad 1.6 GHz)
  • GPU Adreno 530
  • 4 GB de RAM
  • 32 GB de memória

SOFTWARE E DESEMPENHO

Pode não ser o processador mais potente e não é, mas ele é capaz de entregar tudo que você espera de um smartphone potente.

Mesmo quando dividimos a tela em duas, utilizando dois apps ao mesmo tempo, não vimos qualquer engasgo ou travamento. Muito menos alguma queda no desempenho.

Com muitos aplicativos abertos no fundo, coisa de mais de 15 deles, o resultado foi o mesmo. Entendeu? Deixar de lado o Snapdragon 835 para colocar o 821 não é tão ruim assim. O único ponto que você pode e vai notar é que, depois de um ou dois anos, o processador do G6 vai mostrar mais sinais de cansaço do que o 835.

O software que a LG utiliza mudou em alguns pontos, mas a interface ainda tem algumas animações desnecessárias, como a de puxar a tela inicial para o fim dos ícones e ela estica. Ou então a ausência forçada de bandeja de apps.

Como a tela tem cantos bem curvados, os ícones receberam tratamento especial e também estão assim. Nos ícones com fundo transparente, como o do Google Drive ou mesmo o Google Maps, há um fundo esbranquiçado e que faz tudo parecer igual. O melhor de tudo é que é possível remover este formato de ícones.

Por outro lado, há alguns truques bem bacanas para aproveitar melhor a tela. É possível selecionar quais apps rodarão mais esticados no display. Dá pra virar a tela na agenda e na lista de contatos, para exibir ainda mais conteúdo. Uma mas novidades que mais me agradou está na “lixeira” para apps. Isso significa que se você apaga um aplicativo, ele fica em uma espécie de quarentena que dura 24 horas. Se você não fizer nada, o app é realmente desinstalado e some da memória.

Se você apagou algo por engano, dá pra recuperar sem perder qualquer dado dele. Seja um histórico de chat ou mesmo a timeline de uma rede social.

CÂMERAS

No G5 a LG trouxe duas câmeras, mas existia uma diferença de qualidade bastante grande entre ambas. Enquanto uma trabalhava com 16 megapixels, a outra utilizava metade disso e ainda funcionava com uma lente bem mais escura. No G6 metade do problema foi solucionado, já que as duas lentes trabalham com 13 megapixels, mas a lente escura continua por aqui. Desta o pós processamento trabalha bem esta diferença e os resultados são bacanas com boas condições de luz.

Em fotos noturnas a qualidade me surpreendeu, mas encontrei um problema. Em uma das fotos o granulado ficou excessivo e visível até mesmo de longe. Aparentemente foi alguma falha de processamento, já que outras fotos tiradas na mesma avenida paulista ficaram ótimas.

Cores são bem representadas, detalhes também e a lente com angular maior fica com efeito de GoPro. É uma das melhores formas de utilizar duas lentes em um smartphone. Sinceramente? É a melhor forma.

A troca de lentes pode ser feita de forma muito mais rápida do que no G5 e o mesmo vale para vídeos. Você pode começar a gravar um vídeo com uma lente e depois trocar.

BATERIA

A LG finalmente passou a marca dos 3.000mAh e agora trabalha com 3.300mAh. Poderia ser motivo para festa, mas a realidade não é bem essa. A tela cresceu também, o que aumenta o consumo de energia. Entendeu? Ela gasta mais energia, que ela pode armazenar em maior quantidade.

Em um dia de uso, com muita música em streaming, GPS ocasional no Google Maps, muitas redes sociais, quase 4h30 de tela ligada e alguns jogos, consegui chegar em casa, por volta das 22h, com 20% de energia restante. Uma marca um pouco abaixo da média de um dia e meio de seus concorrentes.

Ao menos existe a tecnologia Quick Charge 3.0 e ela recarrega a bateria em menos de duas horas. Do zero até 100%.

VALE A PENA?

O G6 trouxe tela grande, tira boas fotos e tem desempenho esperado de um topo de linha para 2017, mesmo que com processador de 2016.

Ele seria o primeiro smartphone com Google Assistant, mas nós nem temos acesso a ele no Brasil e o próprio Google está liberando para quem tem Android 7.0 em diante.

Pela primeira vez a LG fez um smartphone que realmente aparece como ótimo concorrente para a Samsung e Apple, ou mesmo Motorola. Infelizmente ela perde em alguns pontos. É, ao menos, um tiro mais certeiro do que foram o G4 e G5.

Se fosse com o meu dinheiro, eu talvez tomaria café olhando para a xícara do lado.

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