PES 2017 joga muito, mas depende de outros pra ser campeão [Análise]

Por Leandro Souza RSS

PES 2017

Do Super Nintendo até a virada para a geração Xbox 360 e PS3, não tinha para ninguém: a Konami era a líder incontestável no mercado de games de futebol. Do International Superstar Soccer, passando por Winning Eleven até as primeiras edições do Pro Evolution Soccer, a empresa era a preferida dos jogadores, enquanto a EA e seu FIFA eram um justo concorrente, mas nunca a ponto de destronar o líder.

Entretanto, algo aconteceu a partir de 2009/2010. A produtora japonesa perdeu a mão nos jogos que fez para a geração de consoles na época, momento em que a EA oportunamente calibrou a sua franquia e levou a taça. Desde então, apesar de diversos esforços para recuperar a glória do passado, PES nunca mais conseguiu ser novamente a marca líder nos games de futebol. Os números mostram isso: de 2010 até 2013, a franquia dobrou suas vendas de 6,4 milhões de unidades para mais de 13 milhões em 2015. Os números são da Forbes, antes que alguém pergunte.

Fiz toda essa introdução para dizer que PES 2017 está entre nós, e para muitos, parece que esse é o momento em que a Konami pode voltar a ser a campeã. Gráficos melhores do que nunca, jogabilidade calibrada, aprimoramentos nos pontos fortes da série como a Master League e times brasileiros, assim como o Campeonato Brasileiro, dando as caras.

Logo de cara é preciso dizer: de fato, Pro Evolution Soccer 2017, lançado para PS4, Xbox One, PS3 e Xbox 360, é o melhor game de futebol lançado pela Konami em muito, muito tempo. Depois de todos os trancos e barrancos da empresa nas últimas edições da série, a publisher japonesa entregou um pacote muito bem acabado, principalmente quando a bola rola, o que mais interessa no fim das contas.

Lances plásticos

Primeiramente, os prós já esperados da franquia: os gráficos. Novamente baseados no ótimo Fox Engine, os gráficos do jogo trazem um alto grau de realismo, principalmente nas feições e expressões faciais dos atletas. Isso é visto muito bem quando a câmera do jogo foca nos detalhes das jogadas, mostrando a luz dos refletores nas texturas de pele e no suor dos jogadores. Outro show à parte são os estádios, com detalhes vívidos, tanto na reprodução dos locais verdadeiros, quando na torcida.

Pena que os modelos realistas dos jogadores fiquem restritos aos jogadores mais famosos nas ligas europeias, como Pogba, Ibrahimovic, Messi, Neymar e Suarez - vale lembrar que o jogo firmou uma parceria com o Barcelona, então os atletas do time catalão e o Camp Nou estão retratados à perfeição. 

No Brasil, porém, os gráficos realistas do jogo despertam um sentimento misto: se por um lado os estádios do país como Arena Corinthians, Beira-Rio e Maracanã estão reproduzidos de forma impecável, os modelo dos jogadores em sua maioria são genéricos, o que imediatamente quebra a sensação de realismo tão bem feita na ambientação.

Com a bola no pé

PES 2017 é, de fato, um ponto de virada para a franquia da Konami, que finalmente se encontrou ao alinhar a jogabilidade rápida e levemente arcade de seus jogos anteriores com uma naturalidade maior com a bola na grama, algo que FIFA estava levando a melhor nos últimos anos. O jogo está mais cadenciado, favorecendo o toque de bola, mas também sendo mais amigável com os que prezam o talento individual. A inteligência artificial dos NPCs também teve aprimoramentos, especialmente os goleiros (UFA) e atacantes, que agora estão menos em posição de impedimento - algo que era muito irritante em outras edições do PES.

Em uma continuação do avanço já mostrado na edição 2016, a mobilidade dos atletas está mais natural, ou seja, aquela sensação que o jogador está correndo "sobre um trilho" está de vez eliminada. Ou seja, é hora de realmente abandonar a jogabilidade do PS2 e usar o controle analógico para jogar melhor. A física da bola também está caprichada, exigindo uma atenção redobrada do jogador ao calcular seus passes e chutes. Em suma, em termos de jogabilidade, Pro Evolution Soccer está melhor do que nunca.

Organização tática

Em time que está ganhando não se mexe (muito). No caso da Konami, um vencedor na franquia PES sempre foi a Master Liga. Neste novo game, ela segue o que já foi apresentado na mais recente geração, alinhando de forma equilibrada a experiência dentro do gramado e a administração do clube. Como sempre, é possível sondar jogadores, contratar e evoluir jovens talentos e buscar títulos. Como o Brasileirão está licenciado em sua plenitude e as ligas europeias estão meio capengas com clubes genéricos, os times brasileiros acabam sendo a melhor pedida. Pena que este ano não tem a Libertadores.

Outro destaque é o MyClub, a resposta da Konami para o sucesso Ultimate Team do FIFA. O modo continua divertido, mesclando aspectos da compra de itens do UT com a o gerenciamento do clube como na Master Liga, rendendo boas horas de diversão. Se partir para o online no MyClub então, perderá ainda mais horas. A propósito, testei algumas partidas online e os servidores estão segurando bem a onda, apesar de algumas demoras no pareamento de jogadores para os confrontos.

Problemas fora de campo

Apesar de ser o melhor PES em muito, mas muito tempo, alguns detalhes negativos acabam incomodando. O mais óbvio deles é o eterno drama da Konami em conseguir licenciar os clubes para a franquia. Ver times como o Real Madrid retratado como o genérico MD White, ou os já clássicos London FC (Chelsea), Man Red (Manchester United) e Man Blue (Manchester City) é um saco, algo que quebra a sensação de imersão do jogador que quer um verdadeiro simulador de futebol eletrônico.

Em casos como a liga espanhola - que só tem o Barcelona e Atlético de Madrid licenciados - e a praticamente inexistente Bundesliga, é impossível esconder a insatisfação. Claro que isso não é algo que quebre a ótima jogabilidade do game, mas é algo que faz a franquia da Konami perder na comparação com FIFA e todo o seu capricho com licenciamentos das ligas, infelizmente. A favor do PES, temos a Champions League, a AFC e a Europa League, que dão um brilho a mais. 

A dublagem ainda é um ponto problemático para PES. Se na edição 2017 a chegada de Milton Leite no lugar de Silvio Luiz traz um novo ar, os problemas como falta de sincronia com as jogadas e as frases que se repetem pouco tempo depois que foram ditas pelo narrador persistem - e sim, elas incomodam. Vamos lá, Konami, dá pra caprichar mais!

É campeão?

PES 2017 é um grande jogo, possivelmente o melhor futebol que a Konami nos entrega desde os lendários tempos do PS2, do Bomba Patch e de Ibrahimovic jogando no Milan. Os gráficos estão muito bons e a jogabilidade, idem. Algumas coisas podem ser melhoradas ali e acolá, mas em suma, a experiência puramente futebolística proporcionada pelo game é ótima.

Agora, o porém: lembram de toda aquela historinha que eu contei no início do texto, sobre como PES derrapou e FIFA aproveitou para ocupar o primeiro lugar nos games de futebol? Pois é. Para que PES volte a ser o campeão nesta briga, FIFA terá que vacilar. Neste caso, não basta mais bater um bolão quando o líder está na frente na tabela em pontos corridos. PES 2017 tem sim o poder de converter novos fãs, mais do que nunca, mas depende de resultados paralelos para levar a taça. FIFA 17 ainda está por vir, e a briga está só começando.

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