Análise: Samsung Gear VR

Por Adriano Ponte RSS

Em um mundo com cada vez mais opções para quem quer experimentar a realidade virtual (RV), o Samsung Gear VR aparece como uma opção interessante. Ele permite que você use todo o aparato sem depender de um computador — basta conectar um smartphone dentro do headset e mandar ver.

Então, o truque é simples: é preciso de um aparelho com resolução de tela altíssima (com uma boa taxa de PPI). Falando de forma mais específica, apenas os modelos Galaxy S7, S7 Edge, S6, S6 Edge, S6 Edge+ e Note 5 são suportados pelo Gear VR, que é composto por uma estrutura rígida de plástico muito bem trabalhada para segurar um gadget diante de seus olhos.

Ainda em relação ao corpo do Gear VR, ele pesa 321 gramas e vem com revestimento interno de espumas para evitar marcas, cortes e outras injúrias em seu rosto. Complementam o dispositivo um par de lentes para dar imersão nas imagens, conector USB para manter o smartphone carregado durante o uso, botão lateral para controle direcional, botão de volume, tecla voltar, roda para controle de foco e acelerômetro próprio de alta velocidade.

Samsung Gear VRGearVR: a aposta de realidade virtual da Samsung. (Foto: Canaltech)

Os óculos para a Matrix

Para colocar ele para funcionar, basta encaixar um aparelho combatível na entrada USB, ajustar o tamanho e fechar o Gear VR. O aplicativo necessário é iniciado automaticamente a partir deste ponto, então a coisa aqui funciona toda na base do plugar e usar — vale um aviso: é recomendável limpar bem a tela do smartphone antes de encaixá-lo no dispositivo de RV.

Você também não precisa carregar nada na tela do aplicativo antes de encaixar tudo em seu rosto: o Gear VR conta com um direcional que vai acionar menus e confirmar todas as opções. Vale lembrar também que ele analisa a cabeça de cada usuário para inserir você de forma mais precisa dentro da realidade virtual.

Em suma, fica fácil de perceber como esta plataforma foi desenhada para manter você focado, sem nada para tirá-lo de dentro da imersão proporcionada pelo headset. Precisa calibrar o ângulo da cabeça? Faça pelo Gear VR. Precisa aumentar ou diminuir o volume? Faça pelo VR. Deseja trocar de aplicativo? A mesma coisa. Nesse ponto, a Samsung acertou em cheio na combinação entre hardware e software.

Outro ponto altamente positivo aqui é a forma como o Gear VR lida com os conectores físicos. Como a experiência ideal é realizada com fones de ouvido, ele vem com suporte para permitir a passagem do fio do par de fones por dentro do headset. E é a mesma coisa com a bateria: você pode plugar tudo e morrer de inanição, vivendo para sempre dentro do Gear (ou quase).

Samsung Gear VRGear VR conta com inúmeros conectores. (Foto: Canaltech)

Nem tudo são flores

Se a interface é excelente a ponto de não ser necessário desconectar o aparelho para quase nada, a sensação física de utilizar o Gear VR ainda é tão problemática quanto em outros dispositivos de realidade virtual. Bastam alguns minutos de uso para começar a sentir uma forte fadiga visual e até mesmo um pouco de enjoo.

Isso, é claro, pode variar significativamente para cada pessoa, mas praticamente todo mundo da redação que testou o headset durou apenas alguns minutos até começar a sentir um desconforto.

Você no controle

Já deve ter ficado claro que você controla tudo por aqui. Para escolher entre opções e menus, basta girar a cabeça, olhando ao seu redor; para interagir com algo, aí depende das peculiaridades de cada jogo ou aplicativo. A maioria dos apps foca em movimento pela cabeça, então basta olhar fixamente para objetos ou tocar na lateral do Gear VR para confirmar. Já outros necessitam de um GamePad para funcionar — não recebemos um para testar junto com o gadget de realidade virtual, o que foi frustrante, pois alguns títulos simplesmente se tornam inúteis sem ele.

Em geral, temos aplicativos e jogos que exploram o giro da cabeça, sendo algo até repetitivo em alguns casos. Temos ainda muitos vídeos em 360° disfarçados de app, o que também é frustrante. Na primeira vez, tudo é lindo, mas, na segunda, fica ridículo ter um conteúdo em círculo que não interage em nada com o usuário. É decepcionante.

Samsung Gear VRGear VR funciona apenas com alguns aparelhos da Samsung. (Foto: Canaltech)

Existem bons exemplos de realidade virtual do Gear VR, mas é tudo questão de instalar, testar e desinstalar para descobri-los. Um serviço que realiza aproveitamento épico dos potenciais do headset da Samsung é o Netflix. Ele leva você para outra realidade, numa sala de estar ampla em meia luz, algo especialmente útil para se isolar do restante do mundo para curtir suas séries e filmes favoritos. Você pode ver tudo deitado, sem ter que segurar nada com as mãos e imerso em um mundo criado especificamente para isso.

Vale a pena?

Pelo preço, até que vale a pena — uma unidade do Samsung Gear VR custa em média R$ 750. Porém, temos em mãos um aparelho que simplesmente não tem utilidade alguma sem um smartphone compatível plugado a ele, evidenciando aquilo que ele é de fato: um acessório. Se você tem algum celular da linha Galaxy compatível, o investimento pode ser uma boa, mesmo com ressalvas.

Você curte tecnologia experimental? Certo, esse tipo de apreço é requisito obrigatório para usar o Gear VR, pois ainda falta conteúdo em realidade virtual e os existentes ainda precisam ser melhorados. Ainda é um pouco desgastante usar o gadget, e é bom você estar ciente disso. E o mais importante: se você não tem um celular compatível, esqueça.

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar

Novidade

Extensão Canaltech

Agora você pode ficar por dentro de todas as notícias, vídeos e podcasts produzidos pelo Canaltech.

Receba notificações e pesquise em nosso site diretamente de sua barra de ferramentas.

Adicionar ao Chrome