Guia: como montar o melhor (e mais caro) PC para jogos possível

Por Pedro Cipoli RSS

PC Gamer básico

Comprar um sedã zero? Ou dar entrada em um apartamento? Ou mesmo viajar pelo mundo? Montar um PC para jogos, é claro! Quando estamos falando de componentes voltados para entusiastas, 6 dígitos é o limite, em especial por serem componentes altamente dolarizados, e o preço de cada um deles é suficiente para montar um PC que já é bom o suficiente para quem maximiza o custo-benefício.

É interessante ver como o valor final cresce rapidamente, já que estamos falando de uma configuração que custa 4,2 vezes mais caro do que o nosso PC avançado, quase 15,5 vezes mais caro do que o nosso PC intermediário e mais de 40 vezes mais caro do que o nosso PC básico

Processador: Intel Core i7-5960X

PC Max

Ao contrário do que acontece com os FX de “oito núcleos” da AMD, que compartilham várias unidades internas (como a FPU), o i7-5960X tem oito núcleos de verdade, reais, sendo o processador mais potente que o usuário pode comprar para um PC doméstico. Aqui já entramos no território entusiasta, com 20 MB de cache L3 (os Core i7 quad-core “comuns” trazem 8 MB), TDP de 140 watts e Hyperthreading para emular 16 threads.

O “X” depois da numeração significa Extreme Edition, com clocks e controles de voltagem destravados para que o usuário possa realizar overclocks extremos, já que o i7-5960X foi projetado para isso. Pode parecer um exagero investir tanto somente em um processador, já que ele, sozinho, custa mais caro do que o PC intermediário que montamos. Mas, para quem busca o melhor, não há opção mais parruda por aí.

Preço médio: R$ 7000

Cooler: DeepCool Storm Captain 360

Como dissemos, o i7-5960X tem uma TDP de 140 watts, número bastante alto para os padrões da Intel, mas que faz sentido para um produto entusiasta. Ou seja, ele é quente, e exige um cooler de refrigeração compatível com a quantidade de calor que gera, como o Captain 360 da DeepCool, capaz de deixar qualquer processador com TDP de 150 watts frio, o que garante uma pequena margem de overclock para esse modelo. 

Poderíamos ter escolhido um cooler a ar capaz de refrigerar TDPs maiores, especialmente os projetados para os FX série 9000 (TDPs de até 220 watts), mas modelos a ar refrigeram sim, ainda que deixem o processador trabalhando quente. Como o foco aqui é deixar o i7-5960X frio, e não bater recordes de overclocks, o Captain 360 se apresenta uma solução mais ideal, já que é difícil ver esse processador deixando o usuário na mão mesmo sem overclock.

Preço médio: R$ 700

Pasta térmica: DeepCool Z9

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Nada de elastômero ou pastas térmicas comuns aqui. Uma máquina tão potente merece detalhes localizados, como uma pasta térmica profissional para melhorar a distribuição de calor do processador para o block do watercooler. E, por um pequeno investimento (comparado ao resto), incluímos a Z9 da DeepCool, que oferece uma das melhores condutividades térmicas do mercado.

Preço médio: R$ 55

Placa-mãe: ASUS Rampage V Extreme

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A vantagem de escolher um processador entusiasta é que fabricantes de placas-mãe não se arriscam a projetar modelos de qualidade duvidosa. Aliás, é onde esses fabricantes concentram todas as suas tecnologias e componentes de maior qualidade. A desvantagem é que é difícil encontrar um modelo acessível, em especial pela segmentação de mercado desses produtos, voltados para quem busca o melhor independentemente do preço.

No caso, temos a Rampage V Extreme da ASUS, que usa o socket LGA 2011 V3 do i7-5960X e oferece tudo o que o chipset X99 tem de bom, como o suporta a quad-SLI, o que é essencial para a configuração que estamos montando. De quebra, o usuário tem acesso a USB 3.1 (até 10 Gbps), Wi-Fi 802.11ac dual-band, memórias DDR4 em quatro canais, um design projetado para aguentar situações extremas e várias ferramentas para overclock.

Preço médio: R$ 4.200

Memória RAM: Kingston HyperX Predator

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Qual o suporte máximo de memória RAM que a Rampage V Extreme suporta? 64 GB. Então, quanto vamos instalar? 64 GB, óbvio, padrão DDR4 em quatro canais rodando a 3000 MHz, modelo máximo que encontramos disponível no Brasil, já que a placa-mãe suporta até 3300 Mhz. Novamente, escolhemos um modelo da Kingston, só que agora da série Predator, que usa dissipadores maiores voltados para situações extremas.

Sim, os dissipadores são maiores, o que pode atrapalhar o uso de coolers a ar mais parrudos, sendo um outro motivo para escolhermos um watercooler, sendo algo que o usuário deve considerar se for escolher um modelo a ar. O kit que escolhemos é de 32 GB em 4 pentes de 8 GB cada um, então 2 serão necessários, já que a Rampage V Extreme tem oito slots, então, por que não?

Preço médio: R$ 6.000 (2x R$ 3.000)

Placa-mãe: EVGA Titan X 4K Ready

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É aqui que a coisa dói mais. A Titan X transita entre a série gamer profissional e uso corporativo de placas de vídeo, oferecendo um nível de performance maior do que a GTX 980 Ti individualmente e de quebra trazendo 12 GB de memória dedicada GDDR5. Com tanta memória RAM e 3072 processadores de fluxo, é fácil entender a denominação de ˜placa de vídeo single-chip mais rápida do mundo˜, o que torna a escolha mais fácil.

Mas, bom, como dinheiro não é problema, vamos usar 4 Titan X em quad-SLI, garantindo que praticamente qualquer jogo do mercado rode em 4K com uma taxa de frames por segundo de 3 dígitos sem abrir mão de filtros e efeitos. E, claro, suportando todas as tecnologias exclusivas da NVIDIA, como G-SYNC, Dynamic Super Resolution,Voxel Global Illumination, Surround, CUDA e Multi-Frame sampled Anti-Aliasing.

Preço médio: R$ 31.200 (4x R$ 7.800)

Armazenamento: RAID de SSDs + HDs

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Sendo bastante tradicionais aqui, vamos escolher 4 SSDs em Raid 0 para o armazenamento primário e 4 HDs também em RAID 0 para dados. Bem convencional, não? No caso, não podemos escolher soluções PCI Express porque as placas de vídeo ocupam todo o espaço disponível, de forma que, tristemente, temos que escolher modelos SATA III de 960 GB da linha SAVAGE da Kingston, que em RAID 0 podem alcançar somente 2 TB/s de transferência contínua. 

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Somadas, temos 4 TB de armazenamento SSD, o que achamos (um simples palpite) que seja suficiente para o Windows e meia dúzia de jogos. Para os arquivos, sendo, novamente, bastante tradicionais, optamos por 36 TB de armazenamento, o suficiente para alguns filmes e músicas, divididos em 4 discos de 8 TB cada um, usando modelos da Seagate. No total, são quase 40 TB de espaço, talvez suficiente para os arquivos do usuário.

Preço médio: R$ 22.000 (4x R$ 3500 (SSD) + 4x R$ 2.000 (HD))

Fonte de alimentação: EVGA 1600W P2 SuperNOVA

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Calma lá: 1600 Watts não é capaz de sustentar a configuração acima com uma boa margem de tolerância, já que as 4 placas de vídeo e o processador, juntos e sem overclock, já puxam quase 1200 watts, isso sem considerar os pentes de memória, HDs, SDDs e FANs extras que ainda vamos instalar. Então vamos usar duas delas, totalizando 3200 watts de capacidade teórica, o suficiente para lidar com alguns chuveiros.

É necessário? Nem tanto. Então, por que usar duas fontes tão caras? Porque podemos! No caso, optamos pela EVGA P2 SuperNOVA, que tem todas as proteções elétricas do planeta e selo Platinum de eficiência energética 80 PLUS, já que quem monta uma máquina dessas está preocupado com a conta de luz no final do mês, algo extremamente natural. 

Preço médio: R$ 3.800 (2x R$ 1.900)

Gabinete: Silverstone Full-Tower Temjin Series 

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Já que estamos falando de uma configuração que usa duas fontes de alimentação, temos que restringir a nossa escolha de gabinetes aos modelos projetados para isso, e o Temjin da Silverstone é um dos melhores modelos que há por aí. Um ponto bacana desse modelos é que ele isola as fontes e as baias de SSDs/HDs do resto dos componentes, não levando o calor para eles (em especial o gerado pelas placas de vídeo). Além de bonitão, o Temjin vem com dois FANs de 180 mm e 3 de 120 milímetros pré-instalados, além de ter uma estrutura em alumínio que ajuda a dissipar o calor.

Preço médio: R$ 2.600

Preço total: R$ 77.555

Extra: o que é possível melhorar?

Bom, temos uma configuração em que somente uma das fontes custa mais caro do que o PC básico para jogos que montamos, o kit de memórias custa mais do que o PC médio e o armazenamento ultrapassa o custo total do PC avançado, sendo uma verdadeira configuração “ostentação”, mostrando até onde podemos chegar quando escolhemos que há de melhor por aí na hora de montar um computador para jogos.

Podemos incluir um drive de Blu-ray, um sistema de refrigeração customizado para o processador e placas de vídeo e outros pequenos “detalhes”, como substituir os FANs padrão por versões mais potentes e instalar um controlador de FANs, mas seriam mais notas de rodapé do que propriamente algo que tornará essa configuração mais potente. Aliás, alguns componentes são até exagerados, caso da fonte, que realmente “super-dimensionamos”, já que é difícil imaginar um jogo que exija tanto.

De qualquer forma, já imaginou um brinquedo desses rodando seu jogo preferido?

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