EcoSport 2013: Testamos as tecnologias do novo modelo SUV da Ford

Por Rafael Romer RSS | 19.08.2013 às 18h56 - atualizado em 20.08.2013 às 00h26

suv ecosport

Produzido e montado no Brasil, na unidade de Camaçari (BA) da Ford, o EcoSport 2013 já não é novidade no mercado automotivo: o veículo foi apresentado pela primeira vez no Brasil em março do ano passado. Ainda assim, com diversos sistemas eletrônicos embarcados para facilitar a direção e conforto do motorista, o utilitário da Ford é um dos mais "tecnológicos" disponíveis atualmente, com funções como interação de voz com o veículo e conexões bluetooth e USB.

Emprestado pela Ford, testamos o modelo 2.0 Titanium Flex de câmbio automático da EcoSport 2013, a mais completa da categoria e a que vem com mais gadgets embarcados. Nossa ideia aqui não foi fazer uma análise completa do carro, já que não somos um veículo especializado nisso, mas sim da parte da tecnologia oferecida pelo modelo - sem deixar de lado, é claro, nossas impressões do design e comodidades. Partiu?

Ford EcoSport Titanium(foto: Leonardo Pavini/ Canaltech)

Só de bater o olho no carro já vem a primeira impressão marcante do EcoSport 2013: da primeira geração do SUV da Ford não sobrou praticamente nada. O veículo é completamente diferente do lançado dez anos antes, com linhas externas e internas bem mais modernas e alinhadas aos modelos mais recentes da montadora, como o Fiesta Hatch - apresentado também em 2012. O pneu de estepe externo continua suspenso na traseira, no tradicional design de "jipe", mas os traços mais esportivos deixam a cara de "caixotinho" do modelo 2003 para trás. Outra escolha de design que chama bastante atenção é a nova grade hexagonal frontal, que dá um aspecto mais importante ao veículo.

A primeira função tecnológica já é percebida pelo motorista logo na partida do veículo: não há chave para dar a ignição. O carro possui um sensor de presença interna da "chave", que só precisa estar dentro do veículo para ligá-lo. Então, basta deixá-lo em ponto morto, pisar no freio e apertar o botão do painel. No caso de mau funcionamento elétrico, há uma chave escondida dentro no chaveiro do EcoSport, que pode ser inserida em uma parte que fica coberta no painel.

O novo Ford EcoSport 2013 Titanium Ford EcoSport Titanium Ford EcoSport Titanium Ford EcoSport Titanium Ford EcoSport Titanium Detalhe do painel, volante e ar-condicionado digital EcoSport Titanium possui sistema de ignição sem chave Ford EcoSport Titanium Sistema de ar-condicionado digital do EcoSport Titanium Ford EcoSport Titanium Ford EcoSport Titanium Sistema Sync em funcionamento Sistema Sync em funcionamento Sistema Sync em funcionamento Sistema Sync em funcionamento Sistema Sync em funcionamento Sistema Sync em funcionamento Detalhe dos sensores de ré do veículo Entradas USB e auxiliar do veículo Retrovisor fotocrômico do EcoSport Detalhe do sensor de chuva no painel do veículo
O novo Ford EcoSport 2013 Titanium
O novo Ford EcoSport 2013 Titanium slideshow lupa

SYNC, o companheiro de bate-papo

Na área central do painel - que aliás, é bem alto -, está o sistema multimídia SYNC, desenvolvido em parceria com a Microsoft e que utiliza a plataforma Automotiva Embarcada Windows. Com um display LCD de 3,5 polegadas, o computador de bordo é o destaque de tecnologia do modelo e é item de série em todas suas versões. Através dele é possível controlar várias funções do carro, conectar dispositivos móveis através do bluetooth, controlar o som e até realizar ligações através de comandos de voz em português. Além da conectividade bluetooth, há uma entrada USB e uma entrada auxiliar para cabo P2 logo abaixo do freio de mão.

O Sync está presente em veículos da Ford desde 2008, quando estreou no modelo Focus da montadora, nos Estados Unidos. No Brasil, a tecnologia chegou em setembro do ano passado, com o novo Fiesta Hatch. Além do novo EcoSport, o sistema também está presente em alguns modelos do Fusion e do Edge.

Testamos os comandos de voz do Sync à exaustão e ficamos surpreendidos positivamente com o resultado. O sistema reconhece bem a voz do motorista e nem é necessário falar pausadamente para que ele entenda um número de telefone ou o nome de um artista. Aliás, o microfone fica posicionado logo acima do retrovisor, o que facilita bastante a captação. Claro, algumas confusões sempre acontecem: duas pessoas conversando dentro da cabine enquanto o motorista fala geralmente confunde o sistema, mas nada que atrapalhe a experiência.

Os principais comandos de voz do sistema são bem simples e utilizados para realizar ligações ou para a interação com dispositivos ligados no seu rádio, smartphone ou USB - como "próxima faixa", "faixa anterior", "discar" e, claro, números de telefone. Ouvir músicas através de uma conexão USB traz ainda mais funções de voz: é possível escolher artistas, faixas e até álbuns específicos através dos comandos de voz - função que não está disponível no pareamento bluetooth de celular. Notamos que é possível "enganar" o Sync dando comandos falsos como "caixa superior" (o carro entende "faixa anterior") e "piscar" ("discar"), mas isso não atrapalha em nada a interação com o sistema.

O Sync também possui uma série de aplicativos que não vêm com o sistema de fábrica, mas que podem ser baixados em casa ou nos distribuidores da montadora e instalados pelo usuário. Atualmente, já existem diversos apps para os sistemas operacionais móveis iOS, Android e BlackBerry. Os apps podem ser bem úteis para expandir as capacidades do Sync ao máximo. Entre os principais, estão programas como o AppLink, que permite comandar aplicativos instalados no seu smartphone através do controle de voz do Sync, o 911 Assist, que liga automaticamente para serviços de emergência após o airbag do carro ser disparado e o Relatório de Saúde do Veículo, que fornece informações sobre o estado do carro. No exterior, empresas como o Spotify e a Amazon já fornecem serviços que podem ser utilizados através do Sync.

Todas as funções de reconhecimento de voz do Sync podem ser substituidas por comandos físicos que ficam ou no painel ou no volante do veículo. Para algumas delas, inclusive, como mudar de faixa, fica muito mais fácil e rápido apertar uma seta no volante do que ativar o comando de voz para fazê-lo, convenhamos. Também há um teclado númerico ao lado direito do controle do painel para ser utilizado em ligações. Mas, além de um pouco duro, é complicado de operar sem tirar os olhos da rua - o que não é muito seguro e nem recomendável.

Só sentimos falta de uma coisa no Sync: o GPS. O sistema não possui um sistema próprio integrado de fábrica, como computadores de bordo de outros veículos, e obriga o motorista a recorrer a alternativas de navegação como dispositivos externos ou até smartphones.

Sensores por todos os lados

Sensores também não faltam dentro do carro. Bem no centro do painel, próximo ao vidro do para-brisas está o sensor de chuva (presente somente da versão Titanium do EcoSport), que é bem sensível. Nos nossos testes, o sensor acionou os limpadores até quando uma névoa fina molhou o vidro. Infelizmente, São Pedro não colaborou nos outros dias e não conseguimos dirigir o carro debaixo de chuva pesada para testar a funcionalidade. 

Também há quatros sensores de estacionamento (presentes na versão Titanium e Freestyle do veículo) na parte traseira do carro. Quando engatada a ré, o veículo abaixa o som do rádio e emite um som que fica mais intenso conforme a distância entre o veículo e um obstáculo diminui. A tela do Sync também mostra uma animação que estima a distância do veículo e do que estiver no caminho da ré. Um ótimo auxilio para quem é um pouco "braço" na hora da baliza (como o repórter que vos escreve).

Outra ajuda bem bacana presente nos modelos Freestyle e Titanium é o assistente de rampas "Hill Holder", que segura o veículo em inclinações por até três segundos para auxiliar na hora da arrancada. Há também o sensor de luminosidade no retrovisor fotocrômico (presente apenas no modelo Titanium), que escurece conforme a luz do farol de um carro traseiro bate no espelho. Isso acaba sendo bem funcional na estrada, evitando a ofuscagem dos olhos, mas acaba atrapalhando um pouco no ambiente urbano, deixando a rua vista pelo retrovisor no breu.

Comodidades na direção

Para quem curte deixar os vidros fechados e o ar-condicionado ligado, o carro possui também um sistema de ar digital, que pode ser colocado no modo "automático" para ligar sempre que a ignição for dada. Além de visualmente bem acabado, o ar-condicionado do carro mostra todas as configurações na telinha do Sync, como a temperatura interna exata do veículo e a velocidade das ventoinhas, o que facilita muito os comandos do motorista.

Outra coisa bem bacana é o sistema de setas do carro, que possui dois "níveis" diferentes. Além do sinal de seta comum de qualquer veículo, é possível dar apenas um leve toque na alavanca para que o veículo pisque a luz da seta apenas três vezes. A função pode ser bem legal para uma mudança de faixa, por exemplo, que normalmente não força a seta de desligar sozinha após a manobra. Essa função também pode ser modificada no computador de bordo do carro para piscar apenas uma vez.

Também há outras comodidades não-tecnológicas dentro do veículo que podem deixar a viagem do motorista bem mais confortável: dentro da cabine, há sete espaços diferentes para porta-copos, além de dois espaços para encaixar garrafas de 1,5 litros nas portas do motorista e do passageiro da frente. Aliás, você prefere sua bebida (não-alcoólica, claro) gelada? O porta luvas do EcoSport também é climatizado e mantém a temperatura do líquido conservada. No total, são 20 compartimentos diferentes dentro do carro. 

Conclusões

Nossa pretensão não foi fazer uma análise completa do veículo, visto que não somos uma publicação voltada para esse setor, mas sim das tecnologias e facilidades presentes em alguns modelos da nova geração do EcoSport. E nesses aspectos, o EcoSport deixa pouco a desejar.

Apesar de completamente presentes apenas na categoria Titanium do carro, que não sai por menos de R$ 70 mil, os "gadgets" do veículo auxiliam bastante o motorista tanto na direção quanto no entretenimento dentro do carro. As capacidades do Sync, além de poderem ser expandidas através de aplicativos, são bem acabadas, simples de usar (basta pedir "ajuda" em voz alta que o Sync se explica para o motorista) e com pouco tempo de uso passam a ser "naturais" para o piloto. 

Isso tudo aliado às facilidades de direção, como o sensor de ré, espelho fotocrômico, ar-condicionado digital e sensor de chuva, deixa a viagem bem mais confortável para o motorista, sem automatizar completamente a direção. Sem esquecer, é claro, das funções tradicionais em carros do estilo, como travas elétricas, vidro elétrico, direção assistida e faróis de LED, também presentes desde o modelo mais simples da categoria.

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