Indústria fonográfica quer trabalhar com BitTorrent para acabar com a pirataria

Por Redação | em 07.08.2015 às 11h45

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Se tem uma analogia que funciona perfeitamente com o mundo da pirataria – e que, inclusive, já foi usada por nomes como o Pirate Bay – é a da hidra. Arranque uma cabeça e diversas outras surgem no lugar. Fechar sites não adianta, atacar usuários não resolve e, na medida em que as empresas detentoras de direitos autorais tentam acabar com uma fonte, diversas outras aparecem da noite para o dia. Foi isso que levou a RIAA a, agora, falar diretamente com a raiz do problema que tanto a afeta.

A organização que representa os interesses da indústria fonográfica nos Estados Unidos publicou uma carta aberta, escrita por Brad Buckles, seu vice-presidente de combate à pirataria, e endereçada à BitTorrent. Basicamente, a associação pede que os detentores da tecnologia façam alguma coisa para combater a proliferação de arquivos ilegais e, inclusive, sugere a criação de um sistema de verificação capaz de bloquear conteúdo protegido.

Na carta, o executivo afirma que pelo menos 80% de todo o volume de torrents trafegados no ano passado, apenas nos EUA, representavam trabalhos protegidos de artistas associados à RIAA. Por isso mesmo que a ideia é trabalhar lado a lado para impedir isso e não bloquear a tecnologia, já que os outros 20% representam conteúdo legítimo e a tecnologia vem sendo usada como uma boa alternativa para compartilhamento e venda de material por artistas independentes.

Esse, afirmou Buckles, é um dado preocupante e, para a organização, não resta dúvida de que um dos grandes facilitadores da pirataria hoje são os aplicativos e sites de torrent. Sendo assim, pediu à BitTorrent o início de um trabalho conjunto, algo que já vem sendo tentado há alguns anos, mas sem sucesso. O executivo afirma publicamente que os responsáveis pelo sistema “ignoram o elefante na sala” e fazem vista grossa à pirataria.

A sugestão é a criação de um sistema, ao lado de empresas parceiras que já realizam esse tipo de serviço, que possa identificar torrents ilegais. A ideia não é necessariamente filtrar conteúdo, mas sim impedir a proliferação de arquivos protegidos e dificultar a vida de quem realiza esse tipo de ação até que ela não possa mais ser utilizada.

A BitTorrent ainda não se pronunciou especificamente sobre a carta, mas, no passado, já disse que não tem nada a ver com a forma como os usuários utilizam a tecnologia. Para a empresa, a pirataria ocorre fora do ecossistema de sua solução e, sendo assim, ela não tem qualquer relação com sua utilização. Não dá para controlar todos os usuários, afirma, e o objetivo é criar um sistema seguro e confiável. Se ele estiver sendo usado para o “mal”, a responsabilidade é de quem fez isso e não da desenvolvedora.

É claro, não dá para negar que, como apontam os próprios números citados pela RIAA, boa parte da popularidade da tecnologia se dá, justamente, pelo compartilhamento de músicas, séries, filmes e outros conteúdos protegidos. Sendo assim, não existe interesse da BitTorrent em impedir essa utilização e a quebra de direitos autorais não a afeta de maneira alguma – nem mesmo suas receitas, ao contrário do que acontece com a RIAA e outras associações do tipo.

A carta publicada por Buckles ainda cita uma afirmação do diretor de operações da BitTorrent, Matt Mason, que no passado afirmou ser fundamentalmente contra a pirataria. Por isso mesmo, pede mais uma vez que a empresa e as associações que representam artistas e empresários da indústria trabalhem juntas para impedir que o problema continue a acontecer.

Essa, inclusive, é uma reclamação antiga da RIAA, que já tentou agir, sem sucesso, ao lado da BitTorrent. As tentativas continuam, mas, como antes, parece que também não vão chegar a lugar nenhum desta vez.

Fonte: RIAA (Scribd)Ars Technica

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