Fechamento do Silk Road também teve como vítima o mercado da Deep Web

Por Redação | em 19.01.2016 às 18h27

Silk Road

Mais do que apenas um mercado virtual de drogas, para muitos entusiastas do anarcocapitalismo e do anonimato, o Silk Road era uma ideia: a de um mercado sem regulações externas, no qual os próprios vendedores e consumidores faziam os preços e as transações. A ideia de comprar entorpecentes sem, necessariamente, lidar diretamente com bandidos também tinha um que de democratização, e muita gente acreditava que esses ideais permaneceriam mesmo após o fim do serviço e a prisão, provavelmente perpétua, de seu criador, Ross Ulbricht.

Pouco mais de dois anos depois do fechamento do Silk Road, entretanto, o que se vê na Deep Web faz jus à alcunha de “mercado negro”. Com o desaparecimento do serviço, outras alternativas surgiram, mas o que se foi e nunca mais voltou foi a confiabilidade. Na maioria dos casos, os marketplaces não apenas de drogas, mas de qualquer produto no submundo da web, se tornaram iscas para roubo de dados e, principalmente, dinheiro, no formato de Bitcoins.

Na maioria das vezes, qualquer proposta que se posicione como uma alternativa acaba se provando um golpe, com os poucos incautos que decidem confiar vendo suas moedas virtuais sendo levadas embora – já aconteceu duas vezes com ditos “sucessores” do Silk Road, cujos administradores desapareceram, deixando para trás rombos de mais de US$ 12 milhões. E os poucos que se mostram realmente honestos acabam rapidamente na mira das autoridades, uma vez que, desde o Silk Road, se intensificou a vigilância não apenas quanto a mercados de drogas, mas também redes de pornografia infantil e outras ilegalidades.

Aqui, entra em jogo também mais um aspecto: o anonimato proporcionado pela rede Tor, que parece se tornar cada vez menor. Como o sistema é o utilizado para acesso à Deep Web e proteção de seus usuários, ele também se torna um alvo cada vez maior, e na imprensa já pipocam as notícias de quebras no sistema ou de operações de vigilância que teriam sido capazes de identificar quem o usa. 

Ainda assim, de acordo com os especialistas, quando se fala especificamente em drogas, temos um mercado global que movimenta mais de US$ 100 milhões por ano. É muito, sim, mas nada perto das perspectivas de ganhos do Silk Road caso ele tivesse continuado a funcionar e, mais do que isso, uma quantia ínfima perto da ideia original de que, quando se corta uma das cabeças da Hidra, nascem outras três. Não fosse a ironia por trás da desonestidade destes criminosos, esse monstro mitológico seria muito mais saudável.

Fonte: Wired

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