'Internet da NASA' tem taxa de transferência de até 91 gigabits por segundo

Por Redação | em 23.06.2014 às 09h15 - atualizado em 23.06.2014 às 14h20

internet

Quando se fala em um computador extremamente potente, uma brincadeira comum é afirmar que o PC é “da NASA”. Mal se sabe que essa expressão está bem próxima do correto, já que a agência espacial norte-americana realmente tem uma conexão ultra-rápida e inacessível para a esmagadora maioria dos usuários: a ESnet, que possui taxa de transferência de 91 gigabits por segundo.

A sigla, que significa Energy Science Network, é usada exclusivamente por instituições de pesquisa para upload e compartilhamento de grandes volumes de dados em servidores privados. Por esse motivo não é possível acessar o Twitter nem Facebook e muito menos downloads de torrents. Quem tem acesso a rede, no entanto, pode baixar, por exemplo, dados do projeto Genoma Humano ou as informações de experimentos realizados no Grande Colisor de Hádrons, bem como diversos outros projetos científicos altamente complexos que geram uma quantidade de informações igualmente gigantesca.

Apesar de ter a NASA como sua principal “gestora”, a ESnet é um projeto do Departamento de Energia do governo dos Estados Unidos. Apesar de já em utilização, não existe a menor intenção de trazer esse potencial de velocidade aos usuários domésticos. Levando em conta a curva de evolução das redes, uma velocidade desse tipo nem mesmo seria necessária. A ideia é exatamente reduzir as fronteiras da ciência e facilitar a comunicação entre pesquisadores espalhados ao redor do mundo, como mostra reportagem da revista americana Wired.

Ainda assim, tecnologias de transmissão oriundas da ESnet podem sim acabar chegando às casas dos usuários. Assim como a ARPAnet, um projeto militar que acabou dando origem aos sistemas atuais, a rede megarápida da NASA pode acabar modificando a forma como os dados são transferidos e ampliar o potencial dos sistemas em vigor na atualidade.

Nesse caso, o grande foco é o uso do que é chamado de “excesso de infraestrutura” ou “fibra escura”, uma porção de cabos e infraestruturas instaladas sem planejamento algum pelas operadoras de telefonia durante o boom da internet nas décadas de 1990 e 2000. Apesar de implementadas, tais redes acabaram nunca sendo utilizadas e foi nelas que a ESnet encontrou um caminho livre para transmitir seus 91 gigabits por segundo.

A ideia é quase como a de uma grande via expressa, com a diferença de que a ESnet roda a velocidades incrivelmente rápidas em uma pista marginal, enquanto a avenida principal está sujeita a restritos limites de velocidade e grande tráfego de motoristas. 

Em teoria, o valor utilizado hoje em dia pode até mesmo ser ampliado, mas esbarra em uma série de limitações práticas. Chegar a uma taxa de transferência de mais de 100 Gb/s, por exemplo, seria perfeitamente possível, mas o alto custo de equipamentos que permitam essa taxa de transferência, bem como a existência de grandes distâncias geográficas, acabam entrando no caminho. O primeiro caso pode ser resolvido no futuro próximo, mas o segundo é bem mais difícil de resolver.

Hoje, são dez instituições de pesquisa espalhadas por todo o território norte-americano conectadas à ESNet. São diversas cidades e territórios diferentes com diversos conectores que, por não estarem exatamente preparados para tal fluxo de dados, acabam criando um gargalo que macula a alta velocidade de transmissão. É esse tipo de coisa que os pesquisadores desejam resolver no futuro, em uma evolução de tecnologia que acaba sendo aplicada também à internet doméstica, que também sofre dos mesmos problemas.

A notícia é boa principalmente para empresas que trabalham nos mercados de jogos eletrônicos ou serviços de streaming de conteúdo em alta definição. Uma maior velocidade de transferência significa melhor qualidade na utilização de seus serviços e, claro, novos clientes. É possível que nós jamais tenhamos uma conexão de 100 Gb/s em nossas casas, mas levando em conta a atual situação das redes, principalmente no Brasil, qualquer melhoria na velocidade é extremamente bem-vinda.

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