Fim da Lei de Moore? Intel vai focar em consumo energético em vez de desempenho

Por Redação | em 10.02.2016 às 11h53

Intel

A Lei de Moore, um dos princípios da computação criados pela Intel, pode estar com os dias contados. E pelas mãos da própria empresa, já que ela afirmou recentemente que pretende voltar seus investimentos para a eficiência energética ao invés de priorizar o desempenho das máquinas.

A declaração é de William Holt, vice-presidente executivo da companhia, que discursou na Solid State Circuits Conference, em San Francisco, na Califórnia. "Vamos ver algumas transições bem grandes. As novas tecnologias vão ser fundamentalmente diferentes. As melhores e mais puras melhorias na tecnologia que vamos fazer trarão benefícios no consumo de energia, mas vão reduzir a velocidade", destacou o VP da Intel.

Em tese, a afirmação de Holt colocaria a famosa Lei de Moore em risco. Elaborado na década de 1960 pelo cofundador da Intel, Gordon Earl Moore, o conceito se baseia na ideia de que a quantidade de transistores que poderiam ser colocados em uma mesma área dobraria a cada 18 meses, sem elevar os custos de fabricação. Isso significa que o poder de processamento dos computadores, baseado na proposta de Moore, sempre iria dobrar sua capacidade nesse período - que posteriormente foi ajustado para 24 meses.

De fato, os computadores evoluíram bastante em todo esse tempo e dentro da lei elaborada pelo cofundador da Intel. Basta notar que a maioria das empresas, incluindo a própria Intel, tem o costume de apresentar novas gerações de seus processadores dentro dessa janela de dois anos. Até as fabricantes de semicondutores se baseiam nessa "regra" para definir suas metas de produção, embora tenha se tornado uma tarefa nada fácil acompanhar essa tese por causa da complexidade na construção de transistores tão pequenos e que estão próximos de alcançar seu limite.

É justamente tal dificuldade que pode colocar a Lei de Moore em cheque, pois ano após ano ficou mais complexo adequar a evolução dos processadores a esse conceito. Em 2012, Carl Anderson, da IBM, previu que a lei começaria a entrar em conflito com a realidade com a chegada dos processadores com litografia de 10 nanômetros. Em julho do ano passado, a companhia veio a público admitir de que talvez não consiga acompanhar a Lei de Moore e deu a entender que se alguém vai mantê-la na ativa, esse alguém não será a Intel.

Com isso, a previsão de Holt em apostar na eficiência energética ao invés do desempenho faz todo o sentido. Na opinião do executivo, é provável que as próximas gerações de processadores enfrentem um retrocesso, ou seja, sejam inferiores aos componentes que já estão no mercado. Tudo em prol do consumo energético.

Para Holt, essa mudança pode ser benéfica para todos, desde empresas e usuários, mas principalmente para o mercado de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), no qual o consumo de energia é mais importante do que o desempenho dos equipamentos. Com menos "poder de fogo" e mais capacidade energética, uma CPU poderia ser instalada mais facilmente numa gama maior de dispositivos. Curiosamente, o campo da IoT é um dos principais focos da Intel, o que poderia justificar ainda mais a afirmação de Holt.

Apesar das previsões, Holt acredita que ainda deve demorar um tempo até que essas novas tecnologias cheguem ao mercado. Ele afirma que alguns componentes podem levar quase dois anos para serem lançados ao consumidor.

Fonte: The Stack

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