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Confusão: o Instagram pode ou não vender suas fotos?

Por Redação em | 18.12.2012 às 20h32 - atualizado em 19.12.2012 às 02h19

Instagram

Quando o Instagram atualizou ontem (17) seus termos de serviço, a seguinte frase causou má interpretação geral na Internet: "Você concorda que uma empresa pode pagar ao Instagram para exibir suas fotos em conexão com conteúdo pago ou patrocinado ou em promoções, sem qualquer compensação para você". Ora, será que o Instagram realmente vai utilizar uma dessas suas fotos de férias para fazer uma nova propaganda de viagem ou promoção na rede social? 

Pode até ser que sim, de acordo com as mudanças na política de privacidade e também em seus termos de uso. A parte do novo texto da política de privacidade dos usuários que mais chama atenção é a seguinte:

"Nós podemos compartilhar Conteúdo do Usuário e suas informações (incluindo, mas não se limitando a informações de cookies, relatórios, identificadores de dispositivos, dados de localização e dados de uso) com empresas que sejam legalmente parte do mesmo grupo de companhias do qual o Instagram faz parte, ou que se tornem parte desse grupo (‘Afiliados’). Os Afiliados podem usar essas informações para ajudar a oferecer, entender e melhorar o Serviço (incluindo o fornecimento de estatísticas) e os serviços dos Afiliados (incluindo o oferecimento a você de experiências melhores e mais relevantes). Esses Afiliados honrarão as suas escolhas acerca de quem pode ver as suas fotos."

Basicamente isso quer dizer que outras empresas (mais especificamente o Facebook) vão começar a lucrar indiretamente enquanto você usa o Instagram. Algo que funciona como os "posts patrocinados" da rede social. Isso não vai afetar a navegabilidade e nem a experiência do usuário na rede social de fotos, pois não haverá publicidade saltando para todos os lados.

E não, o Instagram não vai sair vendendo as imagens postadas pelos seus usuários, pois isso é proibido. Você não vai aparecer em uma propaganda de bebida só porque sua foto com um chopp gelado ficou bacana no Instagram. De acordo com o The Verge, os publicitários e anunciantes não poderão usar fotos de outras pessoas a torto e a direito. 

O texto de descrição do termo de uso do Instagram simplifica em poucas palavras o que realmente vai acontecer com as informações que compartilhamos na rede:

"Para nos ajudar a oferecer conteúdo pago, patrocinado ou promoções interessantes, você concorda que outra empresa ou entidade pode nos pagar para exibir o seu nome, imagem, fotos (juntamente com todos os metadados associados), e / ou ações que você realiza, em conexão com conteúdo patrocinado, pago ou promoções, sem qualquer compensação para você."

Ao que parece, vão ganhar dinheiro à custa do conteúdo que você posta, e você não poderá reivindicar um centavo. Mas, na verdade, como acontece com vários serviços na web, o Instagram sempre teve uma licença expansiva, que concedia permissão para uso e cópia das fotos postadas pelos usuários. Os novos termos especificam que a empresa pode criar suas próprias propagandas e promoções utilizando estas imagens - esse é um direito que o Instagram sempre teve sobre o conteúdo postado na rede, desde o dia que foi lançado.

Reproduzindo as palavras do professor de direito da Universidade Samford, Woodrow Hartzog, "por mais absurdo que isso pareça, esses tipos de termos são muito comuns hoje em dia, o que é lamentável, porque alguns deles fazem fronteira com o ridículo". Ele escreve frequentemente sobre lei e internet, e deu essa declaração para o site Gawker.

Vamos concordar que poucas pessoas realmente se importam em ler os termos de uso e políticas dos sites que participam, e é aí que mora um dos grandes problemas, ou a solução para esses absurdos. Até que as pessoas comecem a prestar atenção e exigir que as empresas de tecnologia parem de abusar do conteúdo postado pelos seus usuários, é muito difícil que algo mude.

Palavra do Instagram

O Instagram se posicionou, em seu blog oficial, a respeito da confusão gerada na web após a atualização de seus termos de serviço. No comunicado, Kevin Systrom, cofundador do Instagram, diz que documentos legais são difíceis de interpretar. E esclarece que o Instagram "foi criado para se tornar um negócio. Propaganda é uma das formas de o Instagram se tornar um negócio auto-suficiente".

Systrom diz que, embora muitos tenham interpretado que o serviço poderia vender fotos de usuários, isso não é verdade. Ele deixou claro que o serviço não tem planos de usar imagens como parte de um anúncio.

O executivo ainda explica que nada foi alterado nas políticas de privacidade e que os usuários são quem detêm direito sobre o conteúdo que postam no serviço. O Instagram sabe que existem muitos artistas que postam imagens bem elaboradas, e por isso respeita a propriedade de cada um. Systrom reitera com uma frase breve, porém muito esclarecedora: "Suas fotos são suas fotos. Ponto". 

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