Força Aérea dos EUA quer equipar caças de guerra com armas a laser até 2020

Por Redação | em 05.01.2016 às 16h41

F-15 Eagle

Aeronaves equipadas com canhões a laser são uma marca registrada em dezenas de filmes de ficção científica. mas ainda não fazem parte da realidade. Pelo menos por enquanto, já que o Laboratório de Pesquisas da Força Aérea dos Estados Unidos (AFRL. na sigla em inglês) anunciou em dezembro que está desenvolvendo uma arma a laser operacional que deve entrar em operação daqui quatro anos.

De acordo com informações da CNN, o órgão americano vai instalar o equipamento em um caça a jato modelo F-15 Eagle. Embora a arma esteja sendo preparada desde maio do ano passado, os primeiros testes só devem acontecer entre 2016 e 2017.

Mas não espere ver raios de luz coloridos saindo sem parar desses aviões. Segundo o general Herbert Carlisle, que deve comandar os experimentos com a tecnologia nos próximos dois anos, a Força Aérea pretende usar um tipo de laser conhecido como laser de estado sólido. Trata-se de uma variante que depende do envio de energia em um material sólido cristalino para a produção de feixes de lasers. Na prática, esses lasers funcionam como qualquer outro: raios de luz concentrados que produzem altíssimas temperaturas capazes de incinerar o alvo.

Mesmo assim, Carlisle acredita que armas laser são o próximo passo a revolucionar as forças armadas dos EUA. "Eu acho que [a aeronave equipada com laser] vai reforçar a nossa capacidade de fornecer poder aéreo do teatro. Nossa posição [relativa] na luta conjunta no ar e no espaço não vai mudar, mas as nossas capacidades irão aumentar significativamente e nós vamos fazê-lo melhor do que qualquer um no mundo", destacou.

Kelly Hammett, engenheiro chefe do AFRL, afirma que, embora revolucionárias, armas lasers enfrentam problemas de adaptação porque ainda não é tão fácil desenvolver um laser pequeno, preciso e resistente o suficiente para ser equipado em um jato. Isso porque a força e a interferência de vibração causada pelas velocidades supersônicas da aeronave podem comprometer o funcionamento dos lasers.

Exemplo disso é que testes com armas lasers já acontecem há anos nos EUA, mas só agora esses equipamentos serão aplicados em caças de guerra, mais compactos que outros aviões. Em 2002, a Força Aérea instalou um laser protótipo de ataque em um avião cargueiro 747-400 (apelidado de YAL-1). Cinco anos depois, em 2007, o YAL-1 disparou com sucesso um laser de baixa potência em um objeto no ar, e em 2010 interceptou um alvo de teste utilizando um laser de alta potência.

Defesa

Além da capacidade de serem usados como armas, os lasers também estão sendo estudados pela AFRL como uma tática de proteção. A tecnologia, descrita como um "escudo de laser defensivo", poderia criar uma bolha de laser de 360 ​​graus em torno de um avião de combate, capaz de destruir ou incapacitar qualquer coisa que entre na bolha.

Na conferência Air and Space 2015, no começo do último ano, o tenente-general Bradley Heithold declarou explicitamente que gostaria de ter um laser equipando uma aeronave AC-130 "Gunship" somente por sua capacidade defensiva. Além disso, ele comentou que versões desse laser protetor instaladas em uma torreta, que evitam alterar a aerodinâmica de uma aeronave, já foram testadas.

Apesar das vantagens táticas, existe uma gama de questões relacionadas com a legalidade do uso de lasers na guerra. Enquanto o Congresso dos Estados Unidos considera armas laser "legais"sob leis locais e internacionais, a Organização das Nações Unidas condena e proíbe o uso de armas laser desde 1995 sob a justificativa de que estas causam "cegueira permanente numa visão não melhorada" - o chamado Protocolo sobre Armas Laser de Cegueira".

No entanto. tudo indica que isso não vai barrar os testes no F-15, que devem acontecer a partir deste ano.

Fontes: CNN, Digital Trends

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