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OUYA!, o console que promete democratizar o mundo dos games

Por Felipe Santana Felix RSS | 25.07.2012 às 16h10 - atualizado em 25.07.2012 às 17h50

OUYA! Video Games

Muitos adoradores de games sonham em ver um novo console concorrendo com a santíssima trindade - Xbox, PS e Wii. Neste mês pudemos ver o projeto de um novo video game encabeçado pela ex-IGN Julie Uhback e um bom time de designers criativos. O OUYA (UIA) fez um grande barulho e em pouco tempo já arrecadou no Kickstarter muito mais do que os U$ 950 mil necessários para seu lançamento.

O OUYA é o console que pretende “democratizar” o mundo dos games, trazendo mais liberdade aos desenvolvedores já que ele será baseado no Android 4.0 e totalmente open source. Isso fará com que o desenvolvimento de seus jogos sejam mais simples e a quantidade de títulos bem maior do que seus “concorrentes”.  A previsão é que o console tenha o tamanho de um cubo mágico e seja lançado em março de 2013 custando $99. Console barato, jogos barato! Mesmo tendo certeza que ele não terá chance de concorrer com os principais consoles do mercado, a proposta é interessante, mas alguns problemas conceituais chamam atenção.

Do console para o mobile

Julie Uhback, CEO do OUYA, menciona no vídeo descritivo um processo “migratório” que os consoles estão fazendo da televisão para mobile. Besteira!

Antes de existir qualquer gadget mobile atual, Snake, Tetris e outros games já eram jogados em tijolos de polímero que faziam ligações e mandavam SMS. Com a evolução do mobile, novas possibilidades foram criadas principalmente para o entretenimento e os games se tornaram destaque nesta nova geração. Com isso, o mundo declarou seu amor pelos jogos casuais.

Essa nova era do mobile acabou atraindo novos jogadores para o mundo dos games, da mesma forma que o Wii atraiu novos jogadores para o mundo dos consoles, ou seja, temos aí um novo nicho para o mercado de jogos que deve ser focado em títulos simples para entretenimento vago e casual por meio de uma plataforma especifica. Por isso jogos como Angry Birds, Fruit Ninja, Temple Run, Canabalt e Draw Something fazem sucesso: todos foram pensados para possuírem objetivos e comandos simples que utilizem os recursos do mobile, como touch screen e o acelerômetro.

Trazer jogos do mobile para a televisão é arriscado devido à dinâmica dos games e ao momento de interação do usuário. Para fazer sucesso, o OUYA irá precisar de bons jogos voltados ao console e não adaptações de mobile games.

Independência aos independentes

Outros pontos abordados pelos envolvidos no projeto são a “burocracia criativa” enfrentada pelos profissionais de desenvolvimento, e a dificuldade para desenvolver jogos independentes para Xbox live Arcade e PSN. Este problema burocrático de criação deve existir, assim como no cinema, publicidade e outras profissões; também concordamos que o desenvolvimento para a Xbox live Arcade e PSN é mais complicado que um desenvolvimento para Android, onde conhecimentos em Java já bastam para poder brincar de desenvolvedor. Mas um PC sempre será a melhor plataforma para a criação de jogos. Na web existem várias formas de distribuir seu jogo, seja no Steam, Origin ou de forma mais caseira.

A impressão é que este console vai servir como laboratório de testes para desenvolvedores e estará presente principalmente em escolas de desenvolvimento de games, casa de desenvolvedores e em empresas de tecnologia. Também há a esperança de que o console possa impulsionar o desenvolvimento de games em países como o Brasil, já que a criação para sua plataforma será simples. Será difícil que os jogadores dos outros consoles e PC gamers irão se interessar pelo OUYA, ainda mais utilizando um Tegra 3 como processador.

Com certeza, há a curiosidade de ver qual é a do console, mas por enquanto o projeto esta cheirando a um novo Zeebo. 

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