Documentos revelam campanha de espionagem contra drones no Oriente Médio

Por Redação | em 01.02.2016 às 11h49

Drones

Os anos se passam e a onda de revelações de espionagem detonada por Edward Snowden não para. Agora, o ex-analista da NSA liberou documentos que revelam detalhes sobre uma campanha de vigilância contra países como Israel, Síria e outros no Oriente Médio, mais especificamente na região do Levante, em busca de informações sobre modelos, armamentos e missões realizadas pelas nações utilizando drones.

A operação “Anarchist”, como foi batizada, teria sido realizada pela GCHQ, a agência de segurança nacional do Reino Unido, em parceria com a NSA, dos Estados Unidos. Utilizando softwares de código aberto e sistemas de manipulação de imagens, elas teriam sido capazes de interceptar comunicações via satélite entre os drones e suas bases de operação, quebrando a criptografia por meio de métodos de força bruta.

Por se tratar de uma operação voltada contra parceiros e aliados dos dois países, EUA e Reino Unido tinham como foco principal conhecer exatamente o que os países-alvo estavam usando em suas missões com drones, e não necessariamente o que eles estavam fazendo com os equipamentos. De acordo com os documentos, a “Anarchist” foi capaz de interceptar imagens aéreas usadas para verificar a integridade das aeronaves, revelando os modelos usados e as armas carregadas, além de altitude, velocidade e outros dados de voo.

Essas, inclusive, seriam as primeiras evidências de que nações como Israel estariam utilizando drones para vigiar seus inimigos. Em um dos casos, por exemplo, foi possível identificar a colocação de um míssil em um dos dispositivos, além de verificar sobrevoos sobre uma área específica da Síria em 2008, cujo alvo não pode ser identificado nas imagens de baixa resolução.

O que mais chama a atenção na operação, entretanto, é a utilização de tecnologias baratas e disponíveis para qualquer pessoa nas missões. A interceptação foi feita por uma base do Reino Unido no Chipre e também envolveria informações de países como Egito, Líbano e Turquia, além de outros no norte da África. Os documentos também citam o conhecimento, por parte dos americanos, de uma campanha de espionagem semelhante de Israel contra os Estados Unidos, também com o objetivo de conhecer as operações estadunidenses com drones na região do Levante.

O único governo a se pronunciar sobre a revelação feita por Snowden foi o de Israel, que por meio de seu ministério de infraestrutura e energia afirmou que a espionagem dos EUA sobre suas operações não é nenhuma novidade. De acordo com o governo do país, as missões de espionagem no sentido contrário, entretanto, cessaram nos anos 1980 e que a descoberta de acontecimentos desse tipo é “desagradável” – mas serve como um alerta para que os sistemas de segurança sejam incrementados de forma a evitar novas ocorrências.

Fonte: The Intercept

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