Em busca de melhores condições, ex-taxistas migram para o Uber

Por Redação | em 15.02.2016 às 16h15

Uber vs Taxi

A polêmica envolvendo taxistas e o aplicativo Uber pode demorar para chegar ao fim, mas a empresa dona do app conseguiu aumentar sua visibilidade em todo o Brasil. Tanto é que, de setembro de 2015 a janeiro deste ano, a companhia viu seu número de motoristas crescer de 5 mil para 7 mil. E a maioria é ex-taxista.

Segundo depoimentos coletados pela Folha de S.Paulo, a justificativa é que o Uber tem mais flexibilidade, permitindo que se trabalhe menos dias e com custos menores. Carlos, de 49 anos, que não teve o sobrenome revelado, disse que trabalhou por oito anos como taxista, cujo alvará era alugado por R$ 1.200 mensais. Há um ano, ele migrou para o aplicativo, comprou um carro seminovo e o que gastava com o alvará usa na prestação do veículo. "E ainda sobra", comentou.

Carlos ainda afirma que tem um genro e dois primos trabalhando no Uber, mas eles não são os únicos. Regis Camargo, de 36 anos, trocou o táxi pelo aplicativo para não ficar "à mercê da máfia dos alvarás". Para ele, o percentual de 20% por corrida cobrado pela empresa é mais justo que o valor cobrado se ele ainda tivesse um táxi. "O melhor de tudo é que não preciso trabalhar sábado, domingo ou feriado e tiro férias", declarou.

De acordo com o Uber, serão contratatos 50 mil novos motoristas no Brasil em 2016, o que aumentaria em 500% o número de cadastrados na ferramenta. A companhia alega que o país tem uma de suas maiores taxas de crescimento, cerca de 30% ao mês. O número de funcionários no escritório brasileiro também deve aumentar, passando de 56 para mais de 100 nos próximos meses.

"Quando a gente olha o Brasil de fora, o quadro parece realmente diferente. Houve uma perda de 1,5 milhão de empregos no ano passado. Há as crises política e econômica. Mas eu preciso dizer que no Uber estamos vendo nossa operação aqui com muito otimismo", destacou Andrew MacDonald, gerente regional do Uber no Brasil.

Regulamentação

No início deste mês, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo decidiu por uma liminar que impede que a Prefeitura apreenda veículos do aplicativo em serviço, o que consequentemente autoriza que o Uber continue funcionando na cidade. Semanas antes, o prefeito Fernando Haddad sancionou uma lei específica para apps ou serviços de internet usados para atender passageiros de táxi, além de sinalizar uma regulamentação oficial para o Uber e ferramentas similares.

Grupos de taxistas são contra as medidas que libera o uso do app na capital paulista. Alguns deles afirmaram em conversas de áudio compartilhadas no WhatsApp que pretendem intimidar motoristas do Uber, prometendo "colocar fogo em cada carro preto" da empresa em São Paulo. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

"A categoria entende que a municipalidade está buscando uma alternativa que respeite o trabalho deles, mas abra espaço para regulação. Estamos tentando construir, fazendo isso em diálogo com eles e com a sociedade. Não estamos impondo. Está havendo diálogo amplo. Estamos no meio de uma discussão regulatória", disse Haddad.

Fonte: Folha de S.Paulo

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar