Smartphone Detox: vício ou necessidade?

Por Colaborador externo RSS | em 27.02.2016 às 20h10

detox smartphone

Por Paulo Crepaldi*

É assustador, mas uma recente pesquisa realizada no Reino Unido por psicólogos chegou à seguinte conclusão: adultos utilizam o celular duas vezes mais do que estimam. Se você acha que checa seu smartphone 30 ou 50 vezes por dia, multiplique por 2. Essa mesma pesquisa concluiu que adultos utilizam em média o celular durante 5 horas por dia,  ou seja,  1/3 do total do tempo em que permanece acordado no dia.

É “chover no molhado” falar que os smartphones revolucionaram nossas vidas nos últimos anos. Também não quero repetir que vivemos grudados neles durante as 24 horas do dia, inclusive deixamos ele ao nosso lado, carregando, enquanto dormimos ou tentamos dormir.

É correto dizer que hoje, muito do que fazemos com nossos smartphones é visto como comportamento habitual e automático, que não temos sequer consciência de que realizamos.

Se você acha que sofre de dependência, obsessão pelo seu smartphone, então me conte, como não tê-lo?

Ele nos mantêm em contato com quem amamos, gravam cenas importantes das nossas vidas, facilitam o  acesso a informações, nos entretêm quando estamos entediados, nos resgatam quando estamos perdidos e nos fazem companhia quando estamos sozinhos ou em filas intermináveis.

Verdade, isso não pode ser vício. Mas espera um pouco.  E quando eles nos fazem ignorar a pessoa que está junto a nós, ao vivo e a cores, naquele momento? Quando interrompem nossas noites de sono, nos tiram a concentração durante a jornada de trabalho?

É essa obsessão por eles que nos fazem ser menos focados do que deveríamos estar, por exemplo, no trabalho? Saber o limite entre o necessário e o viciante é complicado, mas um professor da Nottingham Trent University, Dr. Mark Griffiths, criou esse questionário para testar a sua adição a smarphones. Se você responder sim para pelo menos seis sentenças, é hora de você rever seus conceitos sobre tecnologia.

  1. Meu smartphone é a coisa mais importante na minha vida;
  2. Conflitos surgiram entre mim e minha família / parceiro(a) sobre a quantidade de tempo que passo no meu smartphone;
  3. Meu smartphone regularmente atrapalha momentos no qual deveria estar trabalhando, estudando e etc;
  4. Eu gasto mais tempo no meu smartphone do que em outras atividades;
  5. Eu uso meu smartphone para mudar meu humor;
  6. Com o tempo, aumentei o tempo no smartphone durante o dia;
  7. Se fico impossibilitado de usar meu smartphone me sinto irritado;
  8. Eu sinto necessidade de usar meu smartphone frequentemente;
  9. Se eu paro de usar meu smartphone por um tempo e depois volto a utilizá-lo, eu sempre recompenso o tempo perdido e acabo usando mais do que uso regularmente;
  10. Eu já menti para outras pessoas sobre a quantidade de tempo que gasto com meu smartphone.

A verdade é que vício não seria a palavra certa, mas sim, ansiedade. Hoje os smartphones nos oferecem milhares de maneiras de comunicação e não podemos negar que essa é a grande evolução dos homo sapiens.  Sabemos nos comunicar como ninguém, sem entrar na discussão se fazemos isso eficazmente, mas criamos um alfabeto, gestos, palavras e gírias que tornaram nossas vidas muito mais fáceis e sociáveis. Portanto, quando estamos sem nossos smartphones sentimos essa ansiedade em dominar nosso corpo e corremos atrás para responder, curtir, comentar prontamente, naquele mesmo segundo, uma ação de um outro usuário.

Listei seis dicas DETOX para que você controle um pouco mais seu tempo de smartphone em prol das tarefas diárias:

  1. Ninguém sabe ao certo quanto tempo utiliza seu smartphone. Porém, existem diversos apps que fazem essa mensuração para você, como o Flipd, Breakfree, Moment ou Instant. Escolha um e faça o teste;
  2. Faça uma quebra gradual do uso. Estabeleça um tempo para uso e cronometre. Por exemplo, posso usar durante 5 minutos e ficarei 15 minutos sem mexer nele. Guarde em uma gaveta ou coloque-o  distante do alcance dos seus olhos, vire a tela dele para baixo. Depois de um tempo aumente esse intervalo para 20, 25 minutos, até chegar em 30. Você não precisa ficar sem, mas 30 minutos é um tempo suficiente para que você controle sua ansiedade e consiga focar em suas tarefas;
  3. Compre um alarme e não use mais seu celular para tal função. Deixe o celular distante dos seus braços durante o sono. Ao dormir,  você precisa descansar a mente e o cérebro e os  smartphones são o oposto disso;
  4. Não cheque seus e-mails até que você chegue realmente no ambiente de trabalho. Você não precisa acordar e abrir seus e-mails enquanto está na cama, deixar para um pouco mais tarde irá mudar e muito sua rotina, acredite!
  5. Diminua o número de notificações dos apps instalados. Por exemplo, você não precisa receber notificações do seu Facebook. Como dizem os sábios, o Facebook é como a geladeira que você abre de 15 em 15 minutos esperando que algo apareça para te surpreender ou saciar sua vontade;
  6. O modo avião serve para criar atenção também. Se você vai começar uma tarefa importante ou durante uma reunião, não custa nada deixar o celular no modo avião. Se você é viciado em tirar fotos de tudo, essa função continua ativa, inclusive o relógio, cronômetro e alarme.

A verdade é que você não precisa deixar seu smartphone em casa. Não seja radical, apenas social!

*Paulo Crepaldi, 34, é especialista em Liderança Situacional e Neuromarketing. Atualmente é sócio e Diretor Executivo da ING Marketing & Training - empresa pioneira na implementação do conceito Behavior Designer no Brasil.

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