#CPBR9 - Colonizar Marte é a chance de 'criar um backup da Terra', diz astrônomo

Por Douglas Ciriaco RSS | em 28.01.2016 às 18h13

Marte

O espaço sideral fascina a humanidade desde tempos imemoráveis. Assim, sendo Marte o planeta mais próximo à Terra, ele recebe uma atenção especial de cientistas ao longo da história. E foi exatamente sobre a atenção que o Planeta Vermelho recebe de nossos olhares que o jornalista e astrônomo Salvador Nogueira conversou na tarde desta quinta-feira (28), na Campus Party.

Nogueira se mostrou um grande conhecedor da história dos estudos sobre Marte, falando sobre o tema em sua palestra “Exploração e Colonização de Marte”. Durante cerca de uma hora, ele conversou com a plateia de maneira descontraída, relembrando o início repleto de mistério e fantasia das análises e expectativas relacionadas ao planeta vizinho até a descoberta de que há, sim, água líquida por lá.

Diferenças e semelhanças

Ele iniciou sua fala detalhando alguns aspectos físicos do planeta, como a semelhança com a Terra no tempo de rotação em torno do próprio eixo — o dia lá tem 24 horas e 39 minutos — e a diferença do tempo de órbita em torno do Sol entre os dois planetas — Marte leva quase duas vezes mais tempo do que a Terra para fazer isso. Isso significa que, a cada aproximadamente dois anos, ambos os planetas estão em seu maior ponto de proximidade. E descobrir este detalhe foi crucial para os astrônomos, afirmou Nogueira.

Campus Party: Exploração e colonização em MarteSalvador Nogueira fala sobre a exploração de Marte. (Foto: Reprodução/YouTube)

“Isso historicamente foi importante para a astronomia, porque os astrônomos sabiam que, na época em que os planetas se aproximavam, era quando eles tinham que apontar os telescópios para fazer observações, era o momento em que eles podiam ver Marte da melhor maneira possível no céu”, comentou. “E isso foi o que norteou o começo da real pesquisa do Planeta Vermelho, lá no fim do século XIX”.

Balde de água fria, descoberta de água e desafios atuais

Ao longo de muitas décadas, suspeitou-se da possibilidade de existência de alguma forma avançada de vida, quem sabe até de civilizações inteiras, em Marte. Nogueira conta que, em 1964, a sonda Mariner 4 passou sobrevoando o planeta vizinho e pôde pela primeira vez acabar com tais suspeitas, jogando um balde de água fria nos entusiastas desta ideia.

Após citar outras pesquisas especiais que levaram inúmeras sondas até o nosso vizinho no Sistema Solar até a recente descoberta de fluxos sazonais de água em Marte, Nogueira levanta alguns questionamentos que devem ser respondidos apenas nas próximas décadas. A confirmação da existência de vida em Marte em algum ponto do passado e, caso isso seja comprovado, o que pode ter gerado a vida por lá e que fim levaram os organismos vivos do planeta só deve vir com a realização de missões tripuladas para Marte.

Próximo passo: backup da Terra em Marte

Para um futuro bem distante, Nogueira aponta que a ideia é justamente chegar a Marte, algo muito além das “simples” missões tripuladas planejadas pela NASA até 2030. Para o astrônomo e jornalista de ciência da Folha de S.Paulo, conseguir habitar Marte pode ser a saída para dar sequência da vida na Terra.

“Se formos morar em Marte, teremos a oportunidade de criar um backup do planeta Terra”, afirma o pesquisador ao eleger impacto de asteroides, aquecimento global e até mesmo tecnologias humanas, como a inteligência artificial ou a energia nuclear, como possíveis carrascos da vida na Terra. Confira a palestra na íntegra clicando neste link.

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