O que faz de um smartphone básico, intermediário ou avançado?

Por Pedro Cipoli RSS | em 20.02.2016 às 12h10

ASUS ZENFONE SELFIE

Smartphones tops de linha ficam mais potentes, bonitos e recheados de recursos todos os anos, puxando, por tabela, as exigências para certos modelos serem considerados médios ou básicos. A cada geração, os limites mínimos para cada categoria aumenta, o que é excelente para o usuário, já que mesmo modelos básicos atuais são mais potentes do que tops de linha de poucos anos atrás. Basta considerar que um Moto G de terceira geração consegue bater um Galaxy S3, o que aconteceu em um intervalo de apenas três anos.

Talvez o único ponto que não vamos considerar neste artigo é o preço, que realmente pouco tem a ver com a categorização de um aparelho. E por dois motivos: o primeiro deles é que smartphones sempre foram caros no Brasil independentemente de categoria, uma combinação de custo Brasil, lucro Brasil e impostos. O segundo é que eles variam bastante, em especial recentemente, algo que ocorreu tanto pela alta do dólar quanto pelo fim da Lei do Bem, que torna difícil delimitar apropriadamente uma faixa de preços. Ainda falando de Moto G, seu preço subiu nada menos do que três vezes desde o seu lançamento até a data de publicação deste artigo.

Dividimos cada categoria (básicos, médios e tops de linha) entre mínimo necessário para entrar na categoria e o que seria recomendado, o que pode ajudar usuários a decidir entre um e outro.

Básicos

Um modelo básico é aquele que o usuário quer comprar com um foco em economia, mas sem fazer um mal negócio, apelando para o segmento de baixo custo. O “baixo custo” não significa incluir todos os aparelhos que não preenchem os requisitos mínimos, mas sim aqueles de baixíssima qualidade e de marcas desconhecidas. O Moto E 2015 da Motorola, por exemplo, não entra aqui por dois comprometimentos importantes (tela e câmera), ainda que seja um aparelho “ok” de uma forma geral.

Mínimo

XIAOMI REDMI 2

Começando pelo armazenamento, corra de modelos que não trazem pelo menos 8 GB de memória interna independentemente do suporte para cartões micro SD. Se 8 GB já é um comprometimento e tanto, 4 GB é pedir para sofrer, para ter um calço de mesa. Já o SoC não precisa de tantas exigências, desde que seja quad-core e tenha pelo menos 1 GB de memória RAM. Sim, esse é o mínimo, sendo bastante raro encontrar lançamentos com processadores dual-core, ou apenas 512 MB de memória RAM. Menos do que isso, temos que dizer, é baixo custo.

O ideal para telas aqui é HD (1280x720), independentemente do tamanho. O Redmi 2, por exemplo, tem apenas 4,7 polegadas, o que resulta em uma densidade de pixels de mais de 300 PPPQ, mas um modelo de 5,5 polegadas com tela HD não é de todo ruim, dependendo da qualidade do painel. A câmera traseira deve ter, idealmente, pelo menos 5 megapixels e conseguir tirar fotos com alguma qualidade.

Exemplos: Xiaomi Redmi 2, Motorola Moto G 2015 (versão com 8 GB), Samsung Galaxy On7.

Recomendado

Moto G 2015

Acrescentaríamos, principalmente, 16 GB de memória interna, algo que, com certeza, oferece uma sobrevida maior ao modelo e menos engasgos. Outro ponto é a câmera traseira com um mínimo de 8 megapixels (o Zenfone Laser e o Moto G 2015 realmente chutam o balde nesse ponto, oferecendo câmeras excelentes para o segmento). Exigir telas Full HD já seria demais, mas esses dois diferenciais, juntos com uma tela IPS, justificam um preço um pouco maior, sendo um investimento que acaba se pagando com um tempo maior de uso com o aparelho.

Exemplos: Xiaomi Redmi 2 Pro, Moto G (versão com 16 GB e 1 GB de memória RAM), ASUS Zenfone Laser, ASUS Zenfone Go, ASUS Live.

Intermediário

Qualquer intermediário atual tem recursos o suficiente para compensar a troca de quem tem um top de linha de um ou dois anos atrás. Isso aconteceu com um esforço combinado de determinadas marcas, onde destacamos Motorola/Lenovo e ASUS, que passaram a trabalhar com um nível muito maior de competitividade.

Mínimo 

ALCATEL IDOL 3

Nos modelos básicos, recomendamos telas com resolução 720p sem especificar tanto o tamanho, mas aqui a densidade de pixels entra com um segundo fator importante. A Apple “cunhou” o termo Retina para especificar densidades de pixels acima de 300, o que é um bom ponto de partida, mas também não precisamos ser tão espartanos. Com valores próximos a 300 PPPQ já está mais do que suficiente, uma vez que há uma boa quantidade de modelos com telas de 5 polegadas e resolução 720p, o que resulta em 294 PPPQ.

Já sobre a configuração, ainda partindo dos SoCs quad-core, o ideal que o clock seja um pouco maior, já que grande parte dos smartphones básicos trazem 1,2 GHz, e pelo menos 1,5 GB de memória RAM. Em relação as fotos, o mínimo esperado de um intermediário atual é uma câmera traseira de 8 megapixels e câmeras frontais capazes de tirar selfies decentes. E, claro, alguma gracinha ou outra passa a ser um diferencial importante aqui, como um sistema de áudio melhor, resistência a água e assim por diante.

Exemplos: Motorola Moto G 2015 HDTV e Music Edition, Alcatel One Touch Idol 3, Motorola Moto X Play (16 GB), Xiaomi Redmi 2 Pro, Sony Xperia C5.

Recomendado

ASUS ZENFONE SELFIE

Alguns fabricantes realmente não entraram para perder, equipando seus modelos com especificações próximas de um top de linha. Mas sem o preço abusivo. Eles trazem 32 GB de memória RAM, o que é extremamente bem-vindo, processadores poderosos e câmeras de altíssima qualidade, representando o teto da relação custo-benefício.

Exemplos: ASUS Zenfone Selfie, Motorola Moto X Play (32 GB), Mmotorola Moto G Turbo Edition, Lenovo Vibe A7010, Quantum Go 4G.

Tops de linha

O segmento top de linha representa, em teoria, o que o fabricante tem de melhor a oferecer, o que muitas vezes significa pouco (ou nenhuma) preocupação com o preço. 

Mínimo

SAMSUNG GALAXY S6 EDGE

Ainda que muitos fabricantes não deem tanta atenção a esse fato, modelos que almejam o posto de “top de linha” devem ter (pelo menos) 32 GB de memória interna e ponto final. Chega a ser um absurdo que ainda hoje existam versões com 16 GB de certos aparelhos que têm a falta de vergonha de serem vendidos como avançados; caso da versão brasileira do LG G Flex 2 (16 GB de memória interna + cartão micro SD de 16 GB), já que a versão internacional tem 32 GB. 

Essa lista se concentra primariamente no Android, mas as versões de 16 GB do iPhone podem perfeitamente entrar aqui. Basta ter o primeiro iPhone com 16 GB para nunca mais comprá-lo. Outro ponto é a memória RAM, com um mínimo de 3 GB, ainda que 4 GB seja mais coerente. Não por necessidade, mas sim por ser uma demonstração que o fabricante realmente mostra que quer oferecer o melhor para o usuário. Desempenho final, independentemente de quantos núcleos o SoC traz, deve ser liso, e 4 GB ajudam nesse ponto.

No quesito câmera, o mínimo esperado são fotos fantásticas, não importando a quantidade de megapixels ou suporte a vídeos em 4K, e câmeras frontais devem ter um mínimo de 5 megapixels e gravar vídeos em Full HD com boa qualidade. Já em relação às telas, Full HD também seria o mínimo, já que mesmo modelos intermediários já trazem essa resolução.

Exemplos: Samsung Galaxy S6, Motorola Moto X Style, ASUS Zenfone 2, LG G4, Sony Xperia Z3+ (ou sua versão internacional Z4).

Recomendado

MOTOROLA MOTO X FORCE

Para fechar a lista, temos os verdadeiros campeões, modelos cuidadosamente projetados para atender às exigências dos usuários mais avançados. Nesse ponto, além das características do smartphone, como recursos extras, câmeras superiores e designs de alto nível, separamos os modelos que trazem pelo menos 64 GB de memória interna, Acreditem, é difícil voltar a usar modelos com menos memória interna. 

Exemplos: Motorola Moto X Force, ASUS Zenfone 2 Deluxe e Special Edition, Samsung Galaxy S6 Edge (64 GB).

Conclusão

Nossa ideia com esse artigo foi estabelecer limites superiores e inferiores para certos smartphones entrarem em determinadas categorias. Por serem produtos que contam com altíssimo investimento em marketing e propaganda, muitos usuários acabam pagando mais caro do que deveriam em modelos que estão muito longe de corresponderem às expectativas. Nossa inspiração para escrevê-lo se baseia em um caso real, com um vendedor que tentou nos empurrar um Galaxy On7, da Samsung, como se fosse o ápice da evolução dos modelos da empresa.

Argumentos como “a Samsung sabe trabalhar com 8 GB de memória interna" e "você ainda pode comprar um cartão micro SD!", ou ainda “a Samsung não trabalha mais com modelos básicos. Esse On7 é o que tem de melhor, mais novo do que o Galaxy S6!” podem parecer até inocentes para quem entende de smartphones, mas é uma bela de uma armadilha para quem não tem referencial de outros modelos. Aliás, até hoje não entendemos esse Galaxy On7, que não é bom, muito menos barato.

Outro ponto é que alguns fabricantes acabam falhando em determinados quesitos em suas linhas mais básicas para inflar os recursos de suas linhas superiores. O Moto E 2015 é um exemplo disso, sendo um smartphone até bom, de uma forma geral, mas que traz uma tela bem abaixo do esperado e câmeras desesperadamente ruins. Mas, ei, você pode comprar um Moto G e resolver esses dois problemas, correto? Não, ele não deveria trazer esses dois problemas em pleno 2015.

Esperamos que fabricantes não percam tempo em modelos ruins em 2016 (modelos de baixo custo), que já se mostraram um mau negócio repetidas vezes, independentemente do preço. Com o avanço das categorias intermediárias, puxadas pela ASUS, Motorola/Lenovo e Quantum, continuar colocando modelos ruins no mercado pode ser uma estratégia pior do que realmente é, já que usuários que usam modelos assim dificilmente compram um segundo aparelho da mesma marca.

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