15

EUA: visitamos a Riot games, desenvolvedora do game mais jogado no mundo

Por Felipe Felix e Paulo Freire RSS | 25.02.2013 às 09h05 - atualizado em 25.02.2013 às 14h27

Riot Games

Após a chegada ao Brasil no meio de 2012 e um segundo semestre extremamente atarefado para colocar diversas coisas nos trilhos e dar início em alguns planos, como o primeiro campeonato nacional de League of Legends, a Riot Games Brasil promete muito mais em 2013.

Finalizando a implementação de elementos obrigatórios, como estrutura física do servidor em território nacional e etapa final de inclusão pelo Tribunal de Justiça, a desenvolvedora parece que já organizou sua casa em nosso país.

Dessa forma, outros objetivos começam a ganhar foco e, aparentemente, um deles é fazer com que os laços dos brasileiros se estreitem ainda mais com a empresa e o jogo. Com isso em mente, no início de janeiro o Canaltech foi convidado pela Riot Games Brasil a fazer uma breve visita aos seus headquarters, na Califórnia, com o intuito de conhecer o ambiente de desenvolvimento.

Durante a visita, entrevistamos Bruno "Bagaço" Vasone, responsável pela comunidade brasileira de eSport da Riot Brasil, que nos contou sobre o que a Riot pretende fazer a respeito da cena competitiva por aqui. Inclusive, o profissional nos revelou mais informações sobre a chance dos brasileiros disputarem o mundial de 2013.

Leia também a entrevista sobre eSport realizada com Bruno "Bagaço" Vasone na Califórnia

Além do brasileiro, dois funcionários da sede nos cederam seu tempo para uma conversa franca sobre o surgimento da empresa e elementos de desenvolvimento de campeões, mapas e balanceamento. Vladmir e Ryan foram extremamente atenciosos, revelaram curiosidades sobre a Riot e até mesmo informações referentes ao processo de trabalho na empresa.

Leia mais: entrevista com o Diretor de comunicação e o Chefe de desenvolvimento da Riot Games

Nesta matéria vamos contar um pouco sobre as sensações de se estar no escritório da empresa, como são os Rioters, como eles pensam, o que eles comem e como eles vivem. Brincadeiras à parte, a idéia é contar as principais sensações de ter visitado o escritório que faz todo o desenvolvimento de League of Legends.

riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games riot games
riot games
riot games slideshow lupa

Em um relacionamento sério com o jogador

O escritório de três andares em um prédio empresarial chega a ser simples e muito aquém da ostentação que poderia se esperar da empresa que desenvolve o atual game mais jogado no mundo. Tudo é bem organizado e a decoração fica a cargo dos funcionários – que podem fazer o que quiserem com suas mesas.

Durante o tour, conduzido por Vladmir Cole – Diretor Internacional de Comunicação da empresa – pudemos ver a importância que a Riot dá aos jogadores de League of Legends. Logo na ampla entrada do escritório, dois monitores verticais mostram informações de comunidades e informações dos inúmeros jogos que acontecem por todo planeta (assista ao vídeo que gravamos no final da matéria). 

O mesmo pensamento, de estar sempre em contato com os jogadores, está presente em diversas outras áreas do escritório. Na área de lanches é possível pegar alguma guloseima das máquinas e assistir a partidas que estão ocorrendo em qualquer um dos servidores da empresa. Outro ponto interessante é o mural de homenagens aos jogadores.

Em um dos grandes corredores do lugar existe uma parede com diversos quadros, contendo os nicks de inúmeros jogadores que contribuíram para o crescimento do jogo de alguma maneira. Em alguns casos, os jogadores recebem homenagens ainda maiores e podem até ter ter algum item relacionado ao game batizado com seu nome.

Segundo Vlad, a Riot acredita que estar próxima aos jogadores é um dos principais ingredientes para construir um jogo que vá de encontro com as crenças dos desenvolvedores e expectativas dos gamers.

Vale salientar que esta visão de desenvolvimento "colaborativo", feito por desenvolvedores a partir de feedbacks de usuários, é característica marcante do universo dos jogos de PC. Outras grandes empresas como Blizzard e Valve sempre trabalharam este ambiente, que começa a ser incorporado de forma tímida pelos desenvolvedores de consoles. Talvez o diferencial da Riot em relação às demais desenvolvedoras que seguem este método seja o convívio diário dos funcionários com a experiência dos jogadores dentro do game.

Desenvolvimento cirúrgico e descontraído

Durante a visita, vimos um escritório quase vazio, pois muitos funcionários ficaram na firma até tarde no dia anterior e acabaram tendo uma "folguinha" no horário de entrada. Mesmo assim foi possível observar um ambiente de trabalho sério, e ao mesmo tempo descontraído e agitado, onde os profissionais têm liberdade para criar e propor coisas novas.

Não foi possível tirar fotos das áreas de desenvolvimento, mas podemos falar um pouco sobre o processo que dá à Riot um ritmo de trabalho com resultados refletidos no jogo a cada mês.

Em diversas partes do escritório, alguns pequenos grupos conversavam e debatiam sobre características de personagens, estilos e gameplay. Enquanto isso, murais pelas áreas de desenvolvimento davam o parecer sobre inúmeras etapas de entrega e seus respectivos responsáveis.

A coisa toda é muito organizada e extremamente divertida de se observar. Todos os murais são coloridos e o terceiro andar, principal espaço de desenvolvimento, possui sketches de campeões que podem ou não sair do papel. A coisa chega a ser engraçada, e a galeria de personagens é tão diversificada e maluca quanto os moradores da 'Mansão Foster' para amigos imaginários.

Alguns funcionários cuidam apenas de skins, outros de áudio, e mais uma infinidade de profissionais fica a cargo de diversos elementos de desenvolvimento. Pelo que pudemos observar, grande parte dos inúmeros funcionários da sede tem como função desenvolver e, aparentemente, pode fazer isso com total liberdade, a ponto de quebrar alguns padrões da empresa.

Um bom exemplo disso é a música tema de um dos personagens lançados recentemente. O tema da Vi, a defensora de Piltover, foi um hard rock muito bom, idealizado por um dos funcionários de áudio, Christian Linke, e executado por uma banda formada por funcionários da empresa. A música foi um sucesso e rendeu ao idealizador do projeto um nome no troféu dos campeões da Riot, no qual todos que fizeram mais que um "bom trabalho" têm seu nome registrado.

Anteriormente, todas as trilhas das telas de login em lançamentos de novos personagens eram apenas temas instrumentais. Após a "experiência" com o último personagem, Thresh, foi lançada uma trilha inusitada, inspirada nos filmes de Freddy Krueger.

Lugar de gente feliz

Todo esse ambiente acaba fazendo com que os Rioters tenham o trabalho como sua segunda casa. Os andares são abertos, sem divisórias, e a comunicação entre os funcionários é visualmente livre. Poucas paredes dividem os ambientes da empresa e, caso seja preciso falar com alguém que está bem longe, basta ir até a pessoa ou simplesmente levantar e dar um belo grito para que o Rioter da matilha vizinha ouça.

Como em outras empresas grandes, existem salas de descanso com pebolins, tênis de mesa e até mesmo os clássicos fliperamas, porém o elemento que mais nos chamou atenção foi a "mesada de games". Cada funcionário da empresa recebe um valor anual que deve ser gasto em outros jogos do mercado. Imagine trabalhar para receber uma quantia em dinheiro por ano só para jogar outros games? Ao mesmo tempo em que se estuda os demais concorrentes, é possível se divertir no processo. Se isso for uma estratégia da empresa para "forçar" seus funcionários a avaliar os demais players do mercado, não faltarão candidatos.

Um outro ponto interessante comentado por Vlad tem relação com o jogo da empresa. Anualmente, é realizado um campeonato interno de League of Legends, no qual os funcionários são divididos em quatro categorias: Bronze, Prata, Ouro e Platina. O mais interessante disso tudo é que até mesmo em departamentos um pouco mais sérios e tradicionais, como financeiro, RH e marketing, a cultura do ato de jogar é totalmente abraçada e todos participam do torneio. São cerca de 70 times que levam a coisa bem a sério e com um grande sorriso no rosto. Além do torneio, todos os funcionários são encorajados a jogar LoL pelo menos uma vez por dia.

A Primeira impressão é a que fica

Nesta primeira visita à sede da Riot, a imagem que permanece é a de uma empresa apaixonante com foco em proporcionar a seus jogadores a experiência mais fantástica possível. Esse espírito é notado em cada metro quadrado da sede e perceptível no depoimento de todos os funcionários com quem conversamos ou entrevistamos durante nossa passagem por Santa Monica.

Os diversos perfis profissionais que existem no escritório da Califórnia são fundamentais para que vários aspectos da "procura da batida perfeita" sejam levados em consideração. A coisa é levada tão a sério que até mesmo um engenheiro de foguetes trabalha na empresa com diversos outros profissionais de áreas que, a princípio, poderiam não fazer sentido algum em uma desenvolvedora de games, como PHDs em psicologia e matemática.

Nós do Canaltech só temos a agradecer o convite feito pela empresa, que nos presenteou com o "título" de primeiro veículo brasileiro a visitar sua sede. E, além disso, esperamos que em breve possamos visitar o escritório da equipe brasileira.

Leia a Seguir

Comentários