As redes sociais e a opinião pública diante da crise política brasileira

Por Andressa Neves RSS | em 25.03.2016 às 14h00

Bandeira do Brasil

O bombardeio de informações sobre a atual crise política no país não é novidade, e você deve ter acompanhado a verdadeira guerra virtual que se estabeleceu nas últimas semanas. Desde o início da Operação Lava Jato, que investiga um grande esquema de corrupção na Petrobras envolvendo diversos políticos e empreiteiras, uma onda de manifestações tomou conta das redes sociais, as quais tem um poder enorme de influenciar o comportamento individual e social.

A viralização de certos conteúdos é assunto bastante complexo, e Lauren Colvaren, psicóloga, estudou em sua tese de doutorado a situação da subjetividade em tempos de redes sociais. A tese, defendida no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP), entre outros assuntos, fala sobre os conteúdos virais, relacionando-os com rotas preguiçosas de expressão, já que, ao compartilhar uma informação, o usuário dispensa a colocação de suas próprias palavras. 

Mas afinal, o que isso tem a ver com as últimas questões políticas ocorridas no Brasil? Tudo, pois o que pode ser observado, por meio das fan pages, comunidades e afins, é uma infinidade de informações e embates baseados em opiniões que rapidamente viralizaram, via Facebook, Twitter e WhatsApp.

manifestaçao politica        nao vai ter golpe           

É interessante perceber, diante dessas manifestações virtuais, que as redes sociais são utilizadas também como fontes de pesquisa interativa, onde o leitor não é passivo diante das notícias e informações recebidas.  O que se vê é que com a oportunidade de se expressar, por meio das redes, qualquer pessoa é capaz, não só de partilhar e ter acesso às informações, mas também de produzi-las e se tornar formadora de opinião, ainda que não seja expert no assunto.

Aí está a magia do uso das redes sociais, a liberdade de expressão diante dos fatos no lugar da passividade de recepção de dados e notícias das mídias impressas. Essa imensa capacidade interativa e de liberdade gera dificuldades para quem deseja controlar a opinião pública, já que a rede é um espaço criado e utilizado em que todos podem publicar suas opiniões, insatisfações, pensamentos e sentimentos em relação ao mundo.

Diante dos últimos acontecimentos relacionados à crise política no Brasil, pôde-se perceber o poder do uso das redes sociais, que se mostraram enquanto local de mobilizações, manifestações e reivindicações. Notícias sobre as decisões do poder público, abaixo assinados, e até memes sobre toda a situação do país viralizaram e ganharam força na mídia. A luta, independente de partido político, mostrou-se protagonizada por grupos com objetivos bem definidos.

Algumas pessoas não consideram as manifestações virtuais como práticas genuínas, por acreditarem que a luta se faz nas ruas, porém, não se pode negar que por meio das redes milhares de pessoas foram mobilizadas para a luta na sociedade. As manifestações que tomaram a Av. Paulista e tantos outros lugares no país ganharam força pela potencialização da comunicação possibilitada pela internet.

Diversos estudos, nas mais variadas áreas, tratam da influência das redes sociais no comportamento da sociedade, e os eventos ocorridos ao longo do mês só reforçam essa ideia. A opinião pública é influenciada pelo compartilhamento de informações, que se dá de forma extremamente veloz. Foi por meio do Facebook que ativistas dos dois lados (a favor do governo e contra o governo) se mobilizaram para combinar datas e outros detalhes das manifestações, além de utilizarem o espaço da rede para discutir os pontos que seriam reivindicados. Vale lembrar que o alcance foi de grande magnitude, repercutindo em matérias por todo o mundo.

manifestações av paulista

Seja para pedir o impeachment da presidente do país, seja para defender o atual governo, é importante que todo leitor-participante tenha criticidade e possa fazer uso das redes sociais da forma mais saudável possível. As vantagens do uso da internet, quando se trata de manifestação já está mais que provada, mas a conscientização de cada um no que se refere ao comportamento social deve ser prioridade, para que toda a possibilidade de disseminação de ideias não seja fonte de arbitrariedades e violência, como o que vem ocorrendo no último mês. 

E você? Como se informa sobre todas essas questões?

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