Spotify quer ser mais do que um serviço de música

Por Redação | em 20.01.2016 às 12h11

spotify

Se muita gente desconfiava que o Spotify poderia ter seu fim decretado pela resistência de gravadoras e artistas ao seu modelo gratuito, a empresa provou nesta quarta-feira (20) que seu destino pode estar bem além do mundo da música. A companhia revelou a aquisição de duas empresas que, apesar de terem esse setor como mote, trabalham bem mais no segmento da comunicação e redes sociais.

Com valores de transações não divulgados, a primeira adquirida é a startup Soundwave, que opera um sistema de compartilhamento e conversas sobre música. Com ares de comunidade social, a ideia é parecida com a propiciada pelo próprio Spotify por meio de suas playlists – permitir que as pessoas conheçam novos artistas através de recomendações e observem o que seus amigos andam curtindo no momento.

A segunda adquirida, por valores também não revelados, é a enigmática e interessante Cord Project. Com a compra, o Spotify passa a operar também uma plataforma de comunicação por meio de áudio. Com o mesmo nome de sua startup criadora, o app permite que os usuários conversem entre si por meio de gravações, com um sistema simples que exige apenas um toque de botão para funcionar – o que permitiu, por exemplo, que o software funcionasse de forma completa e plena no Apple Watch.

Cord Project e Soundwave

Mais do que isso, temos aqui uma empresa que afirma estar trabalhando para criar “experiências em áudio”. Os outros dois aplicativos da Cord Project têm a mesma pegada – o Chhirp facilita o upload de arquivos de som para o Twitter, gravados diretamente do smartphone, enquanto o Shhout usa o acelerômetro para identificar quando o usuário vira o celular de cabeça para baixo, permitindo a criação de clipes de voz que são salvos na memória ou compartilhados com uma rede de seguidores na própria solução.

As duas empresas continuarão operando de forma independente, com seus aplicativos também sendo suportados da mesma maneira como hoje em dia. Entretanto, ao mesmo tempo, os times de desenvolvimento da Soundwave e do Cord Project passam a integrar uma equipe de novos negócios do Spotify, trabalhando no que provavelmente serão novas funcionalidades para o serviço musical.

E é aqui que está o pulo do gato. Para se diferenciar da concorrência, em vez de incrementar suas ofertas baseadas exclusivamente em música, a empresa estaria pensando fora da caixa e querendo se tornar “mais do que um jukebox”, nas palavras de Thomas Gayno, um dos fundadores do Cord Project. Segundo ele, os papos entre a startup e o Spotify começaram no início do ano passado e, muito rapidamente, ficou claro para ele que a companhia estava pensando em muito mais do que apenas a reprodução de músicas.

É claro, as playlists e sistemas de descoberta continuarão a ser o cerne do negócio, mas, como o Spotify já demonstrou recentemente, ir além disso dá muito certo não apenas para atrair novos usuários como para manter fieis aqueles que já usam a plataforma todos os dias. Esse movimento, no mínimo, acaba se convertendo em mais visualizações de anúncios e, como gostariam os executivos, em novas assinaturas, mostrando para o mundo e o mercado fonográfico que esse modelo pode até incomodar, mas não deixa de ser funcional.

Fonte: Wired

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