Qual a melhor distribuição Linux para você, parte 3

Por Pedro Cipoli RSS | em 07.01.2016 às 17h00

Distros Linux

Para quem foca em segurança: Kali Linux e Tails

Da mesma forma que o Ubuntu Studio é “tunado” para os produtores de conteúdo multimídia, o Kali Linux faz o mesmo para os profissionais de segurança. Antes conhecido como Backtrack Linux, essa distro vem com centenas de softwares pré-instalados para quem quer investir na carreira de ethical hacking, oferecendo uma lista poderosa de pacotes como o Nmap (análise de tráfego de rede), Aircrack (detecção de falhas de segurança de senhas Wifi, padrões WEP, WAP e outros), John the Ripper (quebra de senhas), entre outros.

O Kali usa o Debian (testing) como sistema base e interface GNOME 3 por padrão (ainda que ligeiramente modificado), de forma que quem está familiarizado com o gerenciador de pacotes APT não terá problemas em usá-lo. Um ponto bacana do Kali Linux é que há versões do sistema otimizadas para dispositivos com processadores ARM, incluindo desde o RaspBerry Pi e Chromebooks até alguns computadores do tamanho de pendrives.

Já o Kali Linux tem uma proposta um pouco diferente, sendo uma das melhores opções para quem preza por privacidade, trazendo o Tor embarcado para qualquer tráfego de dados na internet. Nada de rastros, histórico ou a NSA americana no seu pé, o mesmo valendo para os arquivos do sistema, já que a criptografia é ativada por padrão tanto nos dados do sistema quanto no envio de e-mails e chats (Hangouts e Facebook Messenger inclusos).

Para quem gosta de customizações: Bodhi e BunsenLabs Linux (CrunchBang)

Duas excelentes distros para quem quer customizar cada elemento do desktop, do tema de ícones ao posicionamento de cada painel de controle, fontes de sistema e assim por diante. Cada um deles faz isso com interfaces diferentes, que certamente ajudam nesse aspecto, com a Moksha do lado do Bodhi Linux, que é uma versão modificada da Enlightenment, e o OpenBox do lado da bunsenlabs, antes conhecida como ChrunchBang Linux.

Mais interessante ainda é que as duas são excelentes opções para computadores antigos ou com hardwares mais básicos, dando uma nova vida a cada MHz e GB disponível, além de trazerem instalações bem pequenas. As duas usam o Debian como base, e no caso da Bodhi Linux há uma versão criada especificamente para o Raspberry Pi 2 e outras para Chromebooks com processadores ARM, uma boa opção para quem quer substituir o Chrome OS sem ter que sofrer tanto com o pequeno SSD disponível nesse tipo de máquina.

Para estudantes: Uberstudent

Não podemos esquecer dos estudantes, onde o UberStudent se apresenta como uma opção do Linux importantíssima para a nossa “pátria educadora”, com todas as aspas devidas. Um companheiro e tanto para estudantes secundaristas quanto universitários, contando com um conjunto completo de softwares dedicados ao aprendizado. Entre eles, temos programas de análises de dados, ferramentas dedicadas para ajudar no estudo de matemática, enciclopédias e eBooks específicos para uma boa quantidade de assuntos.

Há também visualizadores de portais consagrados de conhecimento, como o Khan Acadamy, Coursera, Cultural Institute e Wolfram Alpha (uma versão semelhante àquela do Raspian, versão do Debian para o Raspberry Pi). Infelizmente, muito do conteúdo está em inglês, mas há ferramentas gratuitas para aprender a língua. Assim como boa parte das distros dessa lista, o UberStudent usa o Debian como base, usando o Xfce como interface padrão, não exigindo grandes recursos da maioria das máquinas.

Para empresas: CentOS

Um dos questionamentos constantes que vemos em fóruns na internet é sobre qual seria a melhor distro Linux para usar em empresas, sem levar em consideração as distros comerciais. Dois quesitos essenciais para esse cenário é a facilidade de uso e estabilidade do sistema, ponto em que o CentOS se destaca. Ele pode ser entendido tanto como uma versão gratuita do Red Hat Enterprise Linux (RHEL), quanto como uma versão conservadora do Fedora, que foca mais em atualizações constantes em vez de estabilidade do sistema.

Nesse ponto, o CentOS é muito parecido com o Debian, só que completamente compatível com o o RHEL, sendo uma opção para quem não está disposto a pagar pelo suporte comercial, trazendo o poderosíssimo gerenciador de pacotes RPM, que facilita a vida de quem precisa resolver problemas e adicionar recursos via terminal. Quem está disposto a não pagar as licenças do Windows para máquinas comerciais e estava em busca de uma distro Linux que corresponda às expectativas, em especial onde ele não é estritamente necessário, pode considerar o CentOS como uma das melhores opções que há por aí.

Para quem quer jogar: SteamOS

Ainda que sejam bastante raras no Brasil, as Steam Machines estão pipocando aos montes no mercado americano. Basicamente, são máquina completas com o SteamOS pré-instalado, sistema operacional da Valve criado em cima do Debian (Stable). Porém, não é necessário comprar uma Steam Machine para usar o SteamOS, como acontece com o Chrome OS dos Chromebooks, já que elas apenas eliminam a necessidade de instalar o sistema em uma máquina que você já possui em casa.

É possível instalar o Steam na maioria das distros que vimos acima, de forma que o SteamOS vale a pena somente para quem tem uma máquina exclusiva para games. As desvantagens são as mesmas, aliás, já que o catálogo de jogos permanece o mesmo, sendo uma fração dos títulos disponíveis para Windows. Um cenário que provavelmente mudará rapidamente nos próximos anos, com o foco da Valve em manter um sistema próprio, em especial pelos hardwares da empresa, como o Steam Controller. 

Conclusão

Reparou na quantidade de distros que usam a mesma base, em especial o Debian? Isso acontece pois muitas das distros são variações de um mesmo sistema, aproveitando as suas características e trazendo particularidades otimizadas para diferentes usuários. Essencialmente, é possível usar uma distro só e conseguir a maioria dos recursos de outras. Por exemplo, usar o Linux Mint e instalar o Steam para jogos, os apps educacionais do UberStudent e pacotes de criação de conteúdo do Ubuntu Studio (além de muitos outros não inclusos nele). 

Outro ponto é o foco em estabilidade (caso do Debian e CentOS) e em atualizações rápidas (caso do Fedora), já que muito desse foco se deve mais ao uso do que do sistema em si. O Ubuntu, por exemplo, pode ser usado tanto em sua versão LTS (onde a 14.04 é a mais recente) quanto atualizada a cada 6 meses (15.10, na data em que esse artigo foi escrito), estratégia utilizada também para as distros-filhas, caso do Linux Mint, que usa o Ubuntu LTS como base. O que diferencia um do outro é o ponto de partida.

Montamos a lista tomando como base a nossa experiência com o Linux através dos anos, um processo de experimentar várias delas até encontrar a nossa preferida. Um processo que recomendamos para todos, já que permite conhecer o Linux em diferentes sabores, já que a experiência de uso de cada distro não é abandonada no processo. É bastante raro encontrar um usuário que só tenha experimentado uma das distribuições e não sentiu vontade de ir atrás de outras, explorar o que as outras trazem de bom, até encontrar a que mais corresponde às necessidades do usuário.

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