Qual a melhor distribuição Linux para você, parte 2

Por Pedro Cipoli RSS | em 06.01.2016 às 19h05

Distros Linux

Para usuários intermediários: Arch e Slackware

Saindo um pouco do “arroz com feijão” e partindo para distribuições independentes, temos o Arch e o Slackware como excelentes opções para usuários que já possuem um conhecimento geral de como o Linux funciona. Separamos ambas não por serem mais difíceis, já que a curva de aprendizado para quem está começando não é muito diferente, mas sim pelo fato de serem projetadas do zero. É um caso diferente de quem já mexeu no Ubuntu, que permite um certo “transporte de conhecimento” transparente para outras distribuições baseadas nele, como o Linux Mint, e facilidade de aprender o Debian, usado como base.

LinuxAo mesmo tempo que não é tão intuitivo como o Ubuntu ou o Linux Mint, o Arch aposta mais na versatilidade e customizações, sendo uma opção ideal para quem já possui um certo conhecimento do Linux.

A instalação, por exemplo, não é tão simplificada como acontece com o Ubuntu ou o Fedora. Por outro lado, porém, permite que o usuário selecione os pacotes que deseja instalar, não usando a abordagem de instalar um mesmo sistema operacional independentemente da máquina. O Arch é mais popular do que o Slackware, estando presente em um número maior de máquinas. Isso não significa que tenha menos suporte, já que ambos contam com comunidades extremamente ativas e prolíficas, onde o usuário pode receber ajuda ou dicas.

LinuxDe interfaces sofisticadas como KDE 5 até outras bem mais simples, como o XFCE (acima), é difícil encontrar dois sistemas com Slackware semelhantes.

Para quem quer experimentar uma distribuição diferente das principais e já possui algum conhecimento da plataforma, qualquer um dos dois se apresenta como um excelente candidato, cada um deles com poderosíssimos gerenciadores de pacotes (pacman (Arch), pkgtool (Slackware)). Aliás, as duas servem de bases para distros igualmente excelentes, caso do Manjaro e Archbang (Arch), e Salix e Absolute Linux (Slackware).

Para usuários avançados: Gentoo Linux

Temos aqui uma outra distribuição independente poderosíssima, mas criada especificamente para usuários avançados. O Gentoo traz muito do UNIX em seu código, caso do Portage, seu gerenciador de pacotes, e é compilado do zero por padrão. Ou seja, exige um nível de conhecimento do terminal mais avançado por parte do usuário para controlar quais, onde e quando certos softwares devem ser instalados. Não sem uma recompensa, porém, já que o usuário acaba com uma distro compilada exclusivamente para a sua máquina, sem pacotes que não serão usados.

LinuxPara quem está disposto a ler documentação e a dedicar mais tempo à manutenção do sistema, a experiência com o Gentoo é recompensadora.

Essas características fazem com que o Gentoo seja uma opção ideal para programadores, que podem controlar o versionamento de códigos e resolver problemas de incompatibilidade de forma mais atômica, e profissionais de rede, que sabem exatamente o que está instalado em um sistema, evitando brechas de segurança. Ou mesmo para o usuário avançado que faz questão de um sistema operacional livre de bugs e de saber exatamente como o sistema funciona, livre de resíduos que possam causar problemas ou pesar sobre a configuração.

Não vamos mentir: o tempo dedicado ao sistema operacional é bem maior no Gentoo do que em outras distros, mantendo, controlando e otimizando tudo. Assim como o nível necessário de conhecimentos de hardware, necessário para instalar os pacotes. Ou seja, não é nem de longe uma boa opção para quem está começando com o Linux, além de exigir uma leitura cuidadosa da documentação do Gentoo para começar, mesmo que o usuário tenha experiência com outras distros. De qualquer forma, para quem está disposto a se dedicar em dominá-la, é uma distribuição e tanto.

Para produção multimídia: Ubuntu Studio e AVLinux

O Ubuntu Studio é, como o nome sugere, um spin-off do Ubuntu padrão. Pensado para os produtores de conteúdo multimídia, ele traz pacotes poderosíssimos para quem produz vídeo, trabalha com 3D, edita imagens ou manipula vetores. Assim como a distro, todos os softwares são gratuitos, caso do GIMP e Darktable (fotografia), Blender (3D), Openshot (vídeo), Ardour (DAW) e Inkscape (gráficos vetoriais), além de uma boa quantidade de outros pacotes que dificilmente deixarão o usuário na mão. Esta também é uma excelente opção para quem não está disposto a encarar os altíssimos valores cobrados por softwares proprietários. 

LinuxA versão Studio do Ubuntu elimina o trabalho de instalar um software de cada vez do usuário, que basta ligar o PC e trabalhar.

Essencialmente, ele apenas facilita a vida de quem quer começar a trabalhar logo após finalizar a instalação, já que é possível obter todos os programas inclusos no Ubuntu “padrão” e na maioria das distros. Essa é a proposta do Ubuntu Studio, aliás, que elimina a etapa de instalar um por um, lidar com dependências, plugins e afins. Imagine se existisse um Windows pré-configurado com os programas de criação da Adobe, Corel e Autodesk, drivers atualizados e assim por diante.

LinuxCom uma pegada mais forte para quem trabalha com música, usando softwares poderosíssimos como o Ardour acima, o AVLinux não decepciona, mas ainda não possui uma versão 64 bits.

Já o AVLinux tem um público mais restrito, mas proposta semelhante. O grande diferencial é que ele traz um kernel próprio otimizado para trabalhar com baixa latência de áudio e alguns softwares não-gratuitos em versões demo, caso do LinuxDSP, Renoise e Mixbus, além de adicionar programas importantes, como o Cinelerra (edição de vídeo). Porém, ele é mais voltado para computadores mais antigos, já que não possui suporte 64 bits, trabalhando com PAE para quem possui mais de 4 GB de memória RAM instalado, ou máquinas com UEFI em vez de BIOS.

Para quem vem do Mac: Deepin ou elementaryOS

Assim como o Linux Mint oferece uma transição mais natural para quem vem do Windows, o Deepin e o elementaryOS são excelentes opções para quem curte o OS X e sua interface Aqua. Ambos trazem interfaces gráficas próprias, oferecendo um visual semelhante ao OS X, onde o dock na parte de baixo, padrão nos dois sistemas, é a característica mais marcantes. Mais do que isso: o sistema inteiro tem esse DNA, com um visual excelente e animações recheadas de design para agradar qualquer público.

LinuxA interface do Deepin (Deepin Desktop Environment) usa o OSX como inspiração e ícones quadrados sólidos.

Conhecemos o Deepin pela primeira vez por acidente, para falar a verdade, e passamos um bom tempo com ele explorando seus recursos, sempre com surpresas positivas de como os desenvolvedores realmente refinaram a interface. Melhor ainda foi saber que ele é baseado no Ubuntu, contando com o mesmo nível de intuitividade e automação, valendo a pena experimentar para quem já tem experiência com os sistemas baseados no Debian. É uma experiência de uso que realmente vale a pena conferir, mesmo para quem prefere o visual do Windows.

LinuxEnquanto isso, a interface do elementaryOS (Pantheon) faz uso mais intenso de transparências.

O elementaryOS não deixa para menos, com o bônus de ser consideravelmente mais leve do que o Deepin, sendo uma opção ideal para quem quer experimentar uma interface polida ao extremo mesmo em máquinas mais antigas, ou com configurações mais modestas. Usando as versões “unstable” do Debian como base, o que garante um nível maior de compatibilidade com hardwares mais recentes, ele exige um pouco de conhecimento extra por parte do usuário, mas o desenvolvedores fizeram um excelente trabalho para facilitar o uso nesse aspecto.

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