Oscar 2016: para gregos e troianos

Por Gustavo Rodrigues RSS | em 29.02.2016 às 17h59

Oscar 2016

Dificilmente alguma cerimônia do Oscar consegue agradar o grande público e os profissionais que trabalham com cinema, seja da imprensa especializada ou não. Entretanto, o Oscar 2016 conseguiu esse feito raro ao ter as estatuetas entregues a Leonardo DiCaprio e aos profissionais de Mad Max, enquanto manteve seu estilo conservador de premiação ao consagrar Spotlight como o melhor longa da noite. 

Para tocar na ferida aberta do #OscarSoWhite, Chris Rock conseguiu fazer um monólogo que conseguia agradar aos que se sentem incomodados com o racismo na indústria cinematográfica, mas não pegou pesado com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Com pequenos momentos em que podia elucidar como a cerimônia é focada aos brancos de Hollywood, o apresentador também brincou com o fato dos negros não darem a mínima para os concorrentes à categoria do Oscar.

Mad Max

Mas foi ao premiar indicados queridos do grande público que o Oscar conseguiu agradar os telespectadores. Mad Max: A Estrada da Fúria era o segundo blockbuster com mais fãs na disputa, atrás apenas de Star Wars neste quesito, e conseguiu levar levar seis estatuetas das nove que estava indicado, tornando-se o longa mais premiado da noite. Entretanto, todas técnicas; Mixagem de Som, Edição de Som, Edição, Maquiagem e Cabelo, Design de Produção e Figurino. Infelizmente, a genialidade de George Miller ao juntar estes profissionais e coordená-los não foi suficiente para garanti-lo o prêmio de melhor diretor, conquistado por Iñárritu. 

Entretanto, o que manteve o público acordado até tarde era a iminente vitória de Leonardo DiCaprio como Melhor Ator. Mesmo que tivesse apenas grandes nomes concorrendo ao prêmio, ele já havia batido na trave por diversas vezes e a Academia iria dar o que ele merecia, principalmente depois da atuação em O Lobo de Wall Street, muito superior à de O Regresso. Dificilmente, alguém não ficou realmente feliz ao vê-lo feliz no palco e com o sorriso bobo estampado no rosto.

Creed

Mesmo que a Academia tenha agradado por alguns prêmios esperados, algumas escolhas pareceram conservadoras, assim nadando contra o tema liberal que tentou emplacar. Spotlight é o típico filme que agrada os jurados por ser baseado em fatos reais, simples visualmente, boas atuações e com tema importante. Entretanto, não é nada original, afinal longas centrados na função do jornalismo não são nenhuma novidade. O que chama ainda mais atenção por ser considerado o melhor em Roteiro Original quando havia Divertida Mente e Ex Machina entre os indicados.

Mas a surpresa da noite foi a não-consagração de Stallone, que entregou a melhor atuação de Rocky Balboa em Creed: Nascido para Lutar, mas que foi nocauteado ao perder para Mark Rylance, de Ponte dos Espiões, a estatueta de Ator Coadjuvante.  Outra decepção foi ver Lady Gaga perder depois da única apresentação musical boa entre os candidatos da cerimônia. Com uma canção em apoio a quem já sofreu abuso sexual, a artista era a escolha mais esperada, mas foi a sem graça Writing's on the Wall de Sam Smith, por 007: Spectre, que saiu vitoriosa.

O Oscar 2016 sempre será lembrado pela massa como a noite que Leonardo DiCaprio se livrou dos memes e alcançou à estatueta, mas para poucos como a justa vitória do brilhante Ennio Morricone por Trilha Sonora. Para a indústria cinematográfica, a primeira vez que a supremacia branca foi questionada com força e levemente respondida pela Academia, o que pode gerar ainda mais mudanças na próxima cerimônia.

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar