#CPBR9 - YouTube é compromisso: algumas dicas para começar a fazer gameplays

Por Felipe Demartini RSS | em 29.01.2016 às 17h30

Games

Compromisso. Persistência. Vontade. Amor. Essas foram algumas das palavras mais citadas durante o painel “Aprenda (de vez!) a fazer os melhores gameplays no YouTube”, realizado na tarde desta sexta-feira (29) na Campus Party, em São Paulo. No palco, alguns veteranos da plataforma – Thiago Alves, o TerrorBionic, Guilherme Coelho, também conhecido como Matei Formiga, Gabriel Vilhena e Malena, dona de um dos maiores canais tocados por mulheres do serviço.

Por trás de muitas risadas, momentos hilariantes e edições altamente velozes, se esconde todo um universo de trabalho e dedicação. E não vá achando que só porque o assunto aqui são os jogos que tudo o que se tem é diversão. “YouTube é persistência”, afirma Alves logo de início, que revelou ter começado sua carreira com um canal de vlogs antes de abraçar os games – um trabalho que levou mais de dois anos e meio para começar a ter algum tipo de retorno relevante.

É justamente daí que vem também uma das maiores dicas de Malena – “A grande chave é não começar pensando em ser famoso e ganhar dinheiro”. Para ela, quem tem apenas esses objetivos como norte desiste muito fácil e, mais do que isso, acaba acumulando uma grande dose de frustração. Nos canais, as coisas demoram para acontecer e angariar público é um trabalho de formiga, um inscrito e visualização de cada vez.

Em comum entre todos os quatro, está o amor pelos video games, e isso facilita a vida nos momentos em que a dedicação e a excelência são essenciais. Entretanto, deve existir um certo limite entre trabalho e lazer, como explicou Coelho, que disse ter achado muito simples começar falando de um assunto que curte e domina. A coisa, entretanto, rapidamente mudou. “Gravar vídeos ferrou minha vida”, afirmou, dizendo que mesmo quanto está com o controle na mão por diversão, pensa que poderia estar gravando algo e transformando aquele momento em mais um vídeo.

Ele vai além, e engrossa o coro dos outros colegas de palestra com relação à persistência. “Começar é sempre a parte mais difícil. O primeiro vídeo de ninguém é bom”, explica, dizendo que, ele mesmo, levou algum tempo para encontrar sua identidade e chegar onde está hoje. Está envergonhado de compartilhar o vídeo com o mundo? Faça isso apenas com os amigos próximos. Tem problemas com a timidez? Comece conversando com o espelho antes de fazer isso com a câmera. E, acima de tudo, nunca deixe de dar a cara à tapa.

Apesar de ser sempre complicado iniciar qualquer projeto que seja, Vilhena dá algumas dicas que podem ajudar nesses primeiros passos. Para ele, é importante escolher um game que seja popular e esteja na cabeça dos jogadores, mas é igualmente essencial que o jogador custa aquele título. Na visão dele, um bom jogo para início de canal é Grand Theft Auto V, que dá bastante liberdade ao usuário e permite uma abrangência de temas e abordagens.

Requisitos básicos para começar

Para começar no mundo dos gameplays, entretanto, não basta apenas ser bom de controle. Além de ter um PC capaz de rodar os títulos ou um console como o PlayStation 4 ou Xbox One, é preciso cuidar da captação de áudio e vídeo, os dois elementos básicos que vão compor o trabalho. E é aqui que a coisa fica um pouco mais complicada.

Quando se fala em vídeos de gameplays nos consoles, um aspecto é unanimidade entre todos os presentes na palestra – você precisa de uma placa de captura. As principais marcas são AverMedia e Elgato, mas existe uma variedade delas no mercado, todas com diferentes preços e capacidades. Uma pesquisa profunda precisa ser feita para encontrar a melhor opção.

Os consoles de nova geração, entretanto, possuem sistemas que estão permanentemente gravando a jogatina, e tais vídeos podem ser transferidos para o computador sem problemas. Coelho, entretanto, não recomenda essa opção, uma vez que os arquivos nem sempre representam o game de forma fiel e podem apresentar quedas na taxa de frames ou perdas de sincronia entre áudio e vídeo. Pode até ser uma boa forma de se começar, mas pode acabar interferindo na qualidade.

Sony Playstation

No PC, é importante ter uma máquina que seja potente o suficiente para rodar não apenas o game, mas também suportar a gravação de vídeos com qualidade. Para fazer isso, Malena recomenda aplicativos como o Fraps, o Xsplit ou o Action!, sua escolha pessoal nos trabalhos com o canal. Para edição, Sony Vegas, no Windows, e iMovie, no Mac, são as opções unânimes pela acessibilidade.

Além disso, ela chama a atenção para um aspecto que considera essencial. “Todo mundo pode suportar um vídeo de baixa qualidade, mas um áudio ruim irrita”, conta, afirmando que é mais importante ter um microfone decente do que uma câmera poderosa. A indicação de Alves nesse sentido é o headset LiveChat LX-3000, que custa cerca de R$ 160 e apresenta um bom custo benefício para quem está começando.

Mas, acima de tudo isso, o mais importante é fazer o melhor uso possível da infraestrutura que se tem. Não é todo mundo que pode gastar dinheiro com equipamentos, principalmente logo de início, mas Alves deixa claro que mesmo os gameplays feitos com os dispositivos mais precários podem ser bons se o autor fizer as coisas com excelência e der o melhor de si a cada trabalho. “Faça com que cada vídeo seu seja o melhor da sua vida”, inspira ele.

Métricas, títulos e outros detalhes

Apesar de essa ser a parte principal de toda a coisa, o trabalho não termina uma vez que o vídeo de gameplay está gravado e editado. A hora de colocá-lo no ar é igualmente importante, já que é aqui que você deve capturar a atenção da audiência e prestar atenção no feedback de sua audiência.

Principalmente para canais pequenos, fazer com que o vídeo seja encontrado é essencial. E aqui, é preciso cuidado com um trio de aspectos que são essenciais – todo vídeo precisa de um título chamativo, uma descrição bem escrita e tags que possam facilitar o algoritmo de buscas do Google a ligar quem quer assistir gameplays de um determinado tema a você, que faz exatamente isso.

Coelho chama a atenção também para a importância das thumbnails, imagens de exibição que são a porta de entrada de qualquer usuário para seus vídeos. Ele destaca a importância de imagens chamativas e que mostrem exatamente o que dá para esperar do conteúdo, enquanto Malena concorda com isso, mas ressalta que é importante não tentar enganar o espectador. Por isso, nada de usar elementos chamativos ou que tentem ludibriar quem está assistindo.

Ficar de olho nas métricas também é importante para entender exatamente o que está pensando seu público. O YouTube oferece ferramentas que permitem ver até mesmo em que ponto dos vídeos os usuários estão fechando a janela, e informações como estas, ao lado do tempo que eles passam te assistindo e também quais são os gameplays mais acessados podem ser essenciais para pavimentar o caminho até o sucesso.

Apesar de parecer que focar em assuntos específicos é um bom caminho, até isso tem um limite. Coelho ressalta que todo nicho ou tendência tem um ponto de esgotamento e cita como exemplo o trabalho do coleta TerrorBionic, que começou exclusivamente com games de horror, mas ao perceber que esse segmento estava saturando, seguiu em frente para trabalhar com outras coisas. Conhecer o que dá certo é essencial, mas é igualmente importante saber a hora de caminhar adiante.

Por fim, na hora de ganhar dinheiro, Malena ressalta mais uma mudança de formato. Ao contrário de poucos anos atrás, ela afirma que networks, redes de criadores que facilitam o contato entre YouTubers e produtoras em termos de copyright e monetização, não são mais essenciais, pois o próprio site já possui ferramentas que permitem que os usuários ganhem dinheiro com seus vídeos. Entretanto, ela não descarta a parceria com redes desse tipo, principalmente quando elas oferecem algum tipo de extra ou suporte diferenciado, ou ainda, apresentam bônus para permanência.

Lidando com o público

O trabalho de qualquer YouTuber é intimamente ligado à resposta do público, e como toda figura desse tipo, está sujeito a críticas e julgamentos. E aqui temos mais um fator que pode acabar desestimulando os iniciantes, e mais um ponto em que a persistência tão citada por todos faz toda a diferença.

Mostrando se importar muito pouco com eventuais críticas, principalmente a principal delas, relacionadas à habilidade do jogador, Malena diz que até isso pode ser usado para melhorar o conteúdo do canal. “Se você joga mal, faça disso algo divertido. Se manda bem, aproveite sua habilidade”, explica, deixando claro, também, que é importante sempre deixar claro para os usuários o que eles devem esperar de você.

Como a única mulher do grupo, ela tem histórias bem particulares com relação a trolls da internet e é taxativa ao dizer que a “questão de gênero acabou”. Para a YouTuber, video games sempre foram coisa de menina pois, ela própria, cresceu assistindo à mãe jogar e participando das partidas junto com ela, e foi isso que gerou muitas das bases que ela carrega até hoje em seu trabalho.

O que remete todos à questão inicial, que deu origem à palestra e também a esse artigo. Se não existe amor pelo que está sendo feito, todo o restante também existirá. E se é assim, o melhor mesmo é nem começar.

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