Com YouTube Edu, Google quer explorar nicho de vídeos educativos

Por Felipe Demartini RSS | em 01.02.2016 às 09h11

YouTube Edu

Em sua concepção, o YouTube surgiu puramente como um serviço de entretenimento e, em seu coração, ainda o é até hoje. Mas em meio a vídeos de gatinhos fazendo peripécias, gameplays comentados, memes da internet e comentários sobre a vida e o mundo, surgiu o que o professor e responsável pelo canal Física Total, Ivys Urquiza, chamou de “um produto colateral da oportunidade”. Ele está falando sobre os vídeos educacionais.

Falar nele apenas como educador, entretanto, é pouco. Urquiza também é um dos embaixadores brasileiros do YouTube Edu, a iniciativa do Google, em parceria com a Fundação Lemann, voltada justamente para fomentar a utilização da plataforma de vídeos para fins de ensino. Ele esteve ao lado dos também embaixadores Rafael Procópio e Paulo Valim no palco da Campus Party no fim da tarde da última sexta-feira (29).

Desde o começo, a apresentação veio com palavras e números fortes que mostram um potencial ainda inexplorado. De acordo com Urquiza, o Brasil tem hoje um público potencial de 15 milhões de pessoas conectadas à internet e se candidatando a concursos, vestibulares e outras provas. Menos de 10% desse total é aproveitado pelos canais de educação, e o maior deles, o Vestibulândia, do professor Nerckie Jr., tem quase 615 mil inscritos, muito pouco perto da demanda gigante.

Por outro lado, também se vê um crescimento bastante acelerado no número de canais e vídeos voltados para ensino e educação. Urquiza relembra sua experiência com blogs, onde já falava sobre educação desde os anos 2000 e recebia pedidos dos alunos para a criação de um conteúdo mais direto e fácil de consumir. O YouTube, claro, se mostrou a plataforma ideal para fazer isso.

Na onda dos vídeos de “faça você mesmo”, ele cita o canal Manual do Mundo, de Iberê Thenório, como um dos grandes responsáveis por esse movimento. “O canal dele dá poder aos usuários, que podem testar suas dicas e experiências. A nossa ideia é fazer o mesmo com os alunos”, explica.

É para fomentar esse desenvolvimento que o YouTube Edu realiza, o tempo todo, uma curadoria de conteúdo, de forma a indicar para os alunos os canais mais interessantes e promissores, mas, acima de tudo, que apresentem um conteúdo correto. “Cada professor tem sua maneira de ensinar, e cada aluno de aprender”, explica Valim, que também publica no canal Química em Ação. Segundo ele, a exatidão dos conceitos passados em vídeo é o grande mote da seleção feita pela iniciativa.

Urquiza vai um pouco além e conta que são dez os critérios utilizados pelo Google para selecionar quem vai participar do YouTube Edu. Nem todos podem ser revelados publicamente, mas além da exatidão do conteúdo, a frequência de postagem também é levada em conta. Não é preciso ser um canal grande para ingressar na iniciativa, mas um total mínimo de dez vídeos é exigido para avaliação.

Presente no Brasil desde outubro de 2013, a “plataforma dentro da plataforma” já começa a dar seus resultados. As centenas de canais e vídeos curados pelo YouTube Edu apresentam, juntos, mais de um milhão de visualizações por mês e atingem não apenas o Brasil, mas também países da África que também falam a língua portuguesa.

Os primeiros passos para começar

Como um dos embaixadores da plataforma por aqui, Procópio é um dos grandes entusiastas do ensino pelo YouTube, incentivando mais e mais canais a começarem a trabalhar com esse nicho. E, segundo ele, para quem quer iniciar, a grande dica é: “só comece”. Professores, teoricamente, já possuem empatia com público e sabem falar, portanto uma boa parte do caminho para se ter um canal de qualidade já está trilhado.

Ele mesmo diz ter começado seu canal, o Matemática Rio, sem grandes pretensões e estrutura, mas com bastante foco. O espaço criado em 2010, entretanto, veio pela noção clara de que existia uma demanda por conteúdo específico, e mesmo com os vídeos com baixa qualidade que começaram tudo, a audiência só crescia. Hoje, Procópio trabalha exclusivamente com aulas pela internet e tem quase 240 mil inscritos, além de já estar beirando as 14 milhões de visualizações.

 Tecnologia na Educação

E uma dica, para ele, é essencial: preste atenção no áudio, pois 60% da qualidade do vídeo será definida por ele. O professor afirma que não é preciso fazer grandes investimentos em produção e equipamento, principalmente no começo, pois as imagens podem ser gravadas até mesmo com um celular. O som, entretanto, é essencial para que os alunos entendam o que está sendo dito. Um headset simples, de menos de R$ 100, já pode dar conta do recado.

Quanto às cenas em si, ele se une às palavras do colega Valim e concorda que cada professor tem seu estilo. Ele cita, mais uma vez, o Vestibulândia, no qual o mestre, em si, não aparece nos vídeos, mas utiliza apresentações de slides para explicar o conteúdo. Aqui, softwares gratuitos como o Expression Encoder 4, da Microsoft, ou o pago Camtasia Studio fazem os trabalhos de captura de tela com a qualidade necessária para publicação.

Tanta simplicidade na escolha de equipamentos, então, permite que o criador foque em seu conteúdo. Procópio vê o roteiro como essencial para qualquer canal educacional, mas não em termos do que será dito em cada vídeo, mas também em relação à continuidade. “Crie cursos, não aulas”, escreve ele, com letras gigantes, em um dos slides projetados no telão da Campus Party.

O professor chama a atenção ainda para um nicho bastante inexplorado no YouTube brasileiro – o de aulas ao vivo. Utilizando sistemas como o Google Hangouts, por exemplo, os usuários podem interagir em tempo real com os alunos e resolver as dúvidas no ato, ampliando ainda mais o potencial de ensino do serviço.

YouTube

Por último, é sempre importante ficar de olho no tempo. Uma das regras básicas do YouTube é que vídeos menores retém mais usuários, mas quando se fala em educação, essa norma é um pouco flexível. Na experiência de Procópio, aulas com cerca de 15 minutos de duração são o ideal, e caso o conteúdo demande mais espaço, o ideal é criar uma série ou dividir o tema em partes, de forma a não fazer com que a experiência se torne cansativa.

No final das contas, a grande noção que Procópio deseja passar é de que existe público para tudo. E ao contrário de outros segmentos, em que tendências vêm e vão, sempre teremos estudantes e pessoas lutando para garantir uma vaga em vestibulares e concursos. E é aí que reside a grande força de iniciativas como o YouTube Edu.

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