Guia: o que levar em consideração na hora de comprar um notebook, parte 1

Por Pedro Cipoli RSS

Notebooks

Notebooks aumentaram de preço nos últimos meses, em especial pelo fato de que é um produto altamente dolarizado. Por mais que eles sejam fabricados no Brasil (sendo que, na verdade, são montados), os componentes mais sofisticados são importados, como processadores, memórias RAM e SSD, o que impacta diretamente no preço final dos modelos vendidos por aqui. Esse cenário faz com que a escolha entre um modelo e outro fique ainda mais cuidadosa.

Pensando nisso, montamos uma lista com os principais quesitos que você deve levar em consideração, mas focados na categoria em si, não em marcas específicas.

Preliminares

Antes de começar, é importante definir o uso do notebook, já que ainda não existe um notebook “pau para toda obra” que se destaque em tudo. É um cenário diferente de comprar um carro, por exemplo, já que geralmente se compra um carro que servirá para tudo, e não um carro para fazer compras, outro para viajar, outro para levar os filhos para a escola e assim por diante. Quer dizer, pelo menos para a maioria das pessoas.

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Não existe um notebook que seja, ao mesmo tempo, leve, barato, pequeno, gamer e que fique 15 horas fora da tomada. É importante priorizar qual serão as principais tarefas que serão realizadas no notebook e, com um dado orçamento, tentar maximizar as capacidades desse notebook para tal. De qualquer forma, é importante já tentar excluir algumas características logo de cara para não passar dor de cabeça no futuro, como explicaremos no próximo item.

Sub-configurações

Há “sub-configurações” tanto da Intel quanto da AMD, utilizadas em certos modelos exclusivamente para deixá-los o mais baratos quanto possível, e é aí que reside o problema. Quando dizemos “sub-configurações”, focamos nas gerações mais básicas de cada empresa, como a série C ou E da AMD e vários modelos do Atom e Celeron da Intel, que já são projetados para serem fracos desde o primeiro dia. Como acontece com smartphones, os primeiros meses de uso são relativamente tranquilos, mas o desempenho começa a degradar, e muito, com o passar do tempo.

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Mais do que isso, os componentes internos também são escolhidos por serem baratos, indo desde capacitores mais simples até sistemas de refrigeração que não conseguem resfriar o processador apropriadamente, já que o foco é o custo, não a qualidade. Claro que não são todos os modelos que são assim, mas, na melhor das hipóteses, o primeiro problema que o usuário terá é um modelo que mal consegue manter várias abas abertas ao mesmo tempo. E outra: modelos assim não chegam a ser tão mais baratos do que os que trazem configurações mais interessantes, na maioria dos casos.

Se o objetivo for exatamente esse, economizar o máximo quanto possível, escolher modelos com esses processadores ainda exige alguns cuidados. Por exemplo, é interessante ter pelo menos 4 GB de memória RAM, mesmo que o processador seja o Atom. E, na hora de escolher um modelo, tentar encontrar gerações mais novas, em especial em híbridos, que costumam trazer SSDs para dar um gás extra no desempenho.

Desempenho para…?

Pois bem, partindo das versões um pouco mais potentes da Intel (Pentium para cima) e AMD (A4 em diante), para que o notebook será utilizado? Apenas tarefas básicas, como edição de textos e navegação Web, ou um uso mais intenso, como edição de vídeos e jogos em altas resoluções? Esse ponto é essencial, já que evita investir de menos para certos usos ou superdimensionar o desempenho.

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Por exemplo, um modelo com um Core i3 da Intel já atende muito bem à maioria dos usuários, pareado com 4 ou 6 GB de memória RAM. Um modelo com Core i5 com 8 GB já abre mais possibilidades, além de ter uma vida útil mais longa sem começar a travar, trazendo gráficos integrados mais do que suficiente para a maioria dos casos de uso. Já quem pretende editar vídeos ou jogar no notebook, mesmo com resoluções mais baixas e efeitos mais simples, é interessante escolher uma configuração com placa de vídeo dedicada (mais sobre isso adiante).

Porém, comprar um modelo com um Intel Core i7, em especial as versões quad-core, com 16 GB de memória RAM para ver vídeos no YouTube é um desperdício, assim como não dá para esperar que um modelo com Pentium rode jogos mais recentes sem travar. Vale mais comprar uma configuração mais equilibrada, não focando tanto no processador mas sim em outras características, como SSD ou um sistema de som mais sofisticado, do que ter Megahertz e Gigabytes ociosos.

Gerações e características dos processadores

Vale um item extra sobre as gerações de processadores. Naturalmente, gerações mais recentes são mais caras, o que não quer dizer que gerações mais antigas não tenham a sua utilidade. Por exemplo, para quem prioriza um pouco mais de desempenho, vale mais comprar um modelo com a terceira geração de processadores Intel Core i5 ou Core i7 do que outro com Core M-5XXX (quinta geração). Ou mesmo um Intel Core i3 de terceira geração do que um Pentium mais recente, dependendo muito do caso.

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O ganho de desempenho entre uma geração e outra é muito pequeno, em torno de 10%, de forma que não vale a pena pagar um valor maior por um desempenho extra que não existe na prática. Outro ponto é observar a nomenclatura dos modelos. No caso da Intel, por exemplo, os modelos terminados em “U” (como I5-5200U) significam Ultra-Low Voltage, que focam mais em economia de energia do que em desempenho, enquanto os modelos “HQ” se referem aos Intel Core i5 e i7 quad-core voltados para desempenho, trazendo TDPs maiores e não sendo a melhor opção para quem busca maximizar a autonomia de bateria.

Placa de vídeo dedicada

Notebooks com placas de vídeo dedicada trazem aquela aura de alto desempenho, o que não é necessariamente verdade. Em grande parte dos casos, ela serve somente como um auxílio aos gráficos integrados do processador, comumente mais fracos. Por exemplo, uma GT 820M da NVIDIA tem, mais ou menos, 2,5 vezes o desempenho do Intel HD 4400 do Intel Core i5 ULV (como o I5-4210U) de quarta geração. Isso não quer dizer, porém, que isso torna o modelo apto a rodar jogos mais pesados.

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Há muita desinformação nesse ponto. Lojas comumente colocam que certo modelo tem “2 GB de memória dedicada” como se isso indicasse alto desempenho. Acreditem: quando um modelo traz uma placa de vídeo potente, lojas fazem questão de dizer qual é. Modelos com essa nomenclatura usam memória mais lentas, como GDDR3, e chips mais simples da NVIDIA ou AMD. De qualquer forma, ainda são melhores do que os gráficos integrados de entrada da Intel, ou dos modelos mais básicos de APUs da AMD.

(Continua no próximo artigo...)

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