Guia de lentes: como escolher a melhor opção para suas fotos

Por Caroline Hecke RSS

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Se você é um entusiasta da fotografia, já deve ter percebido quão grande é a variedade de lentes para as câmeras DSLRs. Mas você já conhece cada uma delas e entende seu funcionamento? Se tudo isso ainda é um mistério para você, chegou a hora de entender como cada lente funciona, o que significam as seqüências de números em cada uma e quais você precisa para sair fotografando os mais variados assuntos.

Os “misteriosos” números

Na hora de comprar uma lente, há centenas de opções disponíveis. São lentes 18-55mm f/3.5, 50mm f/1.8, 200mm f/2.8 e por aí vai. Mas o que cada número desses significa?

Se você acompanha o Canaltech, já deve ter aprendido aqui a relação da fotografia com o número “f”. Ele é a indicação de abertura do diafragma, que pode ser ajustado na própria câmera. Quanto menor f, mais aberto fica o diafragma da lente.

Esse número também é indicado no modelo da lente e, neste caso, significa a abertura máxima de diafragma que aquele equipamento alcança. Uma lente f/1.4, por exemplo, tem uma abertura muito maior que uma lente f/3.5. Com isso, ela é capaz de criar imagens mais claras, mesmo em ambientes escuros, sem que a qualidade da imagem seja comprometida com um ISO alto e sem criar borrões com uma velocidade baixa.

Já a milimetragem de uma lente indica o quanto ela vai mostrar do cenário. Quanto mais alta a milimetragem, mais “fechada” a imagem fica, ou seja, mais aproximação você terá do objeto fotografado. Resumindo: o número de milímetros indica quanto “zoom” uma lente tem.

Essa milimetragem é, na verdade, a distância entre o sensor da câmera e o ponto de convergência da imagem – o local em que a imagem é invertida. Quanto menor essa distância, maior é o campo captado pela câmera.

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Ícone indica o posicionamento do sensor na câmera (Imagem: Caroline Hecke/Canaltech)

Por exemplo: uma lente de 50mm faz a inversão da imagem a 50 mm (5 cm) do sensor. Uma lente de 70mm, faz essa inversão a 7cm do sensor – ou do filme, no caso das câmeras analógicas. Nesse caso, a imagem é mais “fechada”, indicando mais detalhes da cena.

O posicionamento do sensor é sempre indicado por uma pequena marca no corpo da câmera, geralmente posicionado próximo ao visor óptico.

Diâmetro

O diâmetro da lente também é informado em suas características técnicas. O diâmetro do elemento frontal geralmente é relacionado com o tamanho máximo de abertura do diafragma, mas isso não chega a ser uma regra. 

Essa característica não tem qualquer influência na qualidade final da imagem. Portanto, em linhas gerais, não se preocupe com isso na hora de comprar seu conjunto de lentes. O único momento em que isso é realmente relevante para a maioria dos fotógrafos é na escolha dos filtros, que devem ter o mesmo diâmetro de rosca que a sua lente.

Lente fixa x Lente zoom

Existem, basicamente, duas formas de construir uma lente fotográfica: ela pode ser fixa ou ter diversas distâncias focais. As lentes fixas captam apenas um ângulo de visão, já que elas contam com apenas uma lente móvel, a lente do foco.

Com uma lente fixa, o fotógrafo não consegue aproximar as cenas apenas movimentando a lente. Para fazer uma fotografia mais próxima do assunto, ele precisa se movimentar e se aproximar do objeto de foco.

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Lente fixa (50mm) e lente zoom (75mm-300mm) (Imagem: Caroline Hecke/Canaltech)

Em compensação, uma lente fixa é capaz de ter uma abertura de diafragma muito maior do que lentes zoom. Enquanto uma lente fixa pode ter f/1.4 ou até f/1.2, uma lente zoom geralmente não passa de f/2.8. Com isso, a lente fixa garante a possibilidade de usar velocidades maiores de exposição, mesmo em ambientes escuros.

As lentes zoom contam com um enorme conjunto de lentes, que são ajustadas para formarem a imagem. Além do anel de foco, existe um anel específico para a escolha da lente utilizada, o que permite ao fotógrafo aproximar um assunto sem a necessidade de se mover.

Com uma lente zoom, o fotógrafo pode carregar diversas lentes em uma só, o que economiza espaço e ainda permite um trabalho mais veloz e versátil, sem a necessidade de trocar de lente a cada mudança de assunto.

No entanto, por carregarem um conjunto de lentes móveis, elas são mais propícias a apresentarem distorções. A imagem não fica comprometida, portanto não é algo que possa preocupar o fotógrafo no dia a dia. Essas distorções são extremamente suaves e podem ser observadas em detalhes praticamente imperceptíveis.

Em uma lente zoom, é possível que uma parede no fundo de uma imagem, por exemplo, perca a precisão de suas linhas retas, algo que não afeta em nada o resultado final da imagem, salvas raras excessões.

Tipos de lentes

Comparativo de lentes (Imagens: Caroline Hecke/Canaltech)

Agora que você já sabe o que significa a milimetragem das lentes, vai entender com mais facilidade os tipos de lentes encontrados no mercado. De uma maneira geral, as lentes para DSLRs podem ir de 8 mm a 2000 mm. A classificação pode ser feita desta forma:

  • 8mm - 10mm - Olho de peixe: a lente capta imagens com um angulo de visão acima de 160 graus, tornando a imagem circular. 
  • 10mm - 20mm - Super grande-angulares: elas também pegam grandes ângulos e geralmente distorcem bastante as imagens, principalmente se o objeto fotografado estiver próximo da lente. Elas são ideais para clicar elementos muito grandes, dos quais o fotógrafo não pode se afastar fisicamente.
  • 21mm - 35mm - Grande angulares: são lentes apropriadas para fotografias de paisagens por serem capazes de captar uma grande quantidade de elementos, sem a distorção existente nas grande angulares.
  • 40mm - 60mm - As lentes normais: não apresentam distorções e podem ser uma boa opção para retratos.
  • 70mm - 135mm - Meia teleobjetiva/Meia-tele: essas lentes permitem fotografias de ângulos fechados, sem que a imagem seja distorcida.
  • 140mm - 400mm - Teleobjetivas: elas têm um ângulo muito fechado e permite captar elementos distantes.
  • 500mm - 2000mm - Super teleobjetivas/Super-tele: essas lentes são, na verdade, telescópios com montagem para câmeras. Podem ser utilizadas para fotografia de elementos muito distantes ou para a astrofotografia.

Mas, afinal, qual lente comprar?

Antes de escolher uma lente é importante ter em mente o quanto você pode gastar com isso. Lentes de milimetragem muito alta ou muito baixa são sempre mais caras: casos extremos, como lentes de 800 mm são mais difíceis de serem encontradas e podem ter valores assustadores, passando facilmente dos R$ 30 mil. Ainda assim, o nível de aproximação sozinho não é o que mais encarece uma câmera: a grande abertura do diafragma também pode fazer o preço de um conjunto de lentes saltar até as alturas.

Mas não é preciso investir o valor de um carro novo para fotografar com qualidade. Basta saber o que você precisa e pesquisar muito. Se você precisa fotografar viagens, festas de família e assuntos em geral, uma lente normal pode servir muito bem. Para assuntos específicos, como fotografias de animais selvagens, é preciso investir um pouco mais e garantir uma teleobjetiva que permita imagens aproximadas do assunto, mesmo que você esteja longe dele.

Outros casos específicos exigem lentes especiais, como as lentes macro, que permitem que você capte detalhes de objetos pequenos. Elas podem ser uma boa opção para a fotografia de produtos, principalmente para mostrar elementos específicos em um determinado objeto.

Para garantir uma lente de qualidade, é simples: procure sempre lentes de marcas conhecidas. Se estiver com dúvidas, dê preferência para uma lente da mesma marca que a sua câmera. Fabricantes independentes oferecem uma enorme variedade de lentes de alta qualidade compatíveis com as mais diversas marcas de câmeras. Apesar disso, lembre-se de sempre garantir que uma lente é compatível com o seu equipamento, já que cada marca segue um padrão diferente de encaixe da lente na câmera.

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