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Previsão com mais precisão nas Olimpíadas

Por Willians Bini RSS | 02.08.2012 às 17h11

Olimpíadas

Pra não ficarmos de fora, o assunto dessa semana não podia ser outro: Olimpíadas. Com a correria do dia-a-dia, fica difícil acompanharmos de perto todas as modalidades, mas pra quem tem um smartphone ou passa o dia na frente do computador, consegue assistir ou menos ver os resultados de seus esportes favoritos.

Mas o uso da tecnologia nas Olimpíadas vai além da contribuição no acompanhamento das competições. Está presente cada vez mais nos próprios jogos e partidas. Um exemplo, dentro de muitos outros: particularmente eu gosto muito de acompanhar o judô (esporte que eu pratico) e os juízes usam bastante o recurso das imagens para tirar algumas dúvidas, que sem essas imagens ficaria difícil de tomar alguma decisão.

Mas o assunto hoje está mais ligado aos esportes disputados a céu aberto, o que muitas vezes pode ser um pesadelo para os atletas e para as emissoras que transmitem o evento. Entre junho e setembro é verão no Hemisfério Norte, mas isso não garante que o clima em Londres seja típico de verão (pelo menos o verão que nós brasileiros conhecemos). Fazendo uma rápida comparação, a média de temperatura máxima no verão de Londres é 21 graus. Já em Porto Alegre é de 30 graus e Curitiba, a capital mais fria do Brasil, tem média de 25,5 graus. No inverno estas diferenças são ainda maiores.

Desde o momento em que Londres foi a cidade escolhida para receber as Olimpíadas em 2012, passou-se a ter a preocupação com as questões climáticas, e a melhor forma de se antever às condições adversas é investir numa boa previsão do tempo. O Serviço Nacional Inglês de Meteorologia (MetOffice) é o órgão responsável pela previsão do tempo na Inglaterra, semelhante ao papel do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) aqui no Brasil. Com foco na qualidade das previsões, o MetOffice criou uma configuração totalmente nova para a previsão do tempo nas Olimpíadas.

Antes, vale a pena uma discussão. A previsão é sempre feita a partir de modelos meteorológicos, que procuram simular todas as interações atmosfericas através de equações físicas. Devido a limitações computacionais, muitas vezes os modelos rodam com baixa resolução (espacial e temporal). Para se obter uma maior precisão, o ideal é explorar ao máximo o poder computacional dos atuais modelos de previsão. E isso justifica o fato de que os maiores supercomputadores do mundo são utilizados para rodadas de modelos de tempo e clima. O Brasil é um grande exemplo disso. O CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) sempre investe em supercomputadores com a finalidade de melhorar as resoluções das previsões, e minimizar o tempo destas rodadas. Vale lembrar que o modelo de previsão tem que rodar em tempo hábil. Não adianta nada rodar um modelo que demora 10 horas pra finalizar. Depois dessas 10 horas a informação já não tem utilidade. Seria algo como ter uma previsão para um período que já passou.

Voltando ao MetOffice, houve um enorme investimento visando melhorias na qualidade das previsões durante as Olimpíadas, e isso resultou em uma configuração de modelagem específica para o evento. Dentre elas destaca-se a resolução espacial de 2,2 km, com previsão para até 36 horas. No total são 4 simulações diárias (ou seja, a cada 6 horas, eles rodam uma previsão para as próximas 36 horas. Mas o grande destaque em tudo isso é o chamado Sistema de Ensemble, que o MetOffice está utilizando. Imagine que para você ter uma previsão para 36 horas, você parte de uma condição inicial da atmosfera. Dai as equações físicas cumprem o seu papel de ir simulando o que vai acontecer dai pra frente. Agora pense que você pode fazer a mesma previsão, mas partindo de uma condição inicial um pouquinho diferente. Dai você roda novamente o modelo por 36 horas. É natural que essa previsão fique diferente da anterior. Faça isso 12 vezes, ou seja, 12 previsões com 12 condições iniciais diferentes. Cada uma dessas previsões é chamada de “membro”. Isso permite analisar estatisticamente a previsão, dando probabilidades da ocorrência de determinados fatores. Para as Olimpíadas, os principais fatores a serem analisados seria a ocorrência ou não de chuva, vento (para os esportes náuticos) e temperatura, responsável pelo conforto térmico dos atletas. Foi isso que a MetOffice fez: está usando um Sistema de Ensemble com 12 membros, 4 vezes ao dia, resolução de 2,2 km, para as próximas 36 horas! É muita coisa. Aqui estão alguns resultados gerados pelo MetOffice, contendo probabilidade de chuva, vento forte e a temperatura máxima do dia. E aqui um link para os interessados em saber mais sobre Ensemble (leitura um pouco pesada!)

E já que o ser humano (ainda) não consegue controlar o tempo, pelo menos ele está cada vez mais perto de prever cada uma de suas pequenas e grandes mudanças, seja a curto, médio e longo prazo. Daqui 4 anos vai ser aqui no Brasil. Temos a grande vantagem de que os jogos serão realizados durante o nosso inverno, que normalmente não apresenta grandes problemas com o tempo (alagamentos, temporais, deslizamentos etc). Se fosse durante o nosso verão tropical, ai a estória seria outra. Mas o clima e a tecnologia estão ao nosso lado. Só temos que saber aproveitá-los muito bem.

Sugestões de assuntos e comentários são bem vindos.

Até a próxima!

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