Motorola Moto Maxx: o smartphone do ano de 2014

Por Pedro Cipoli RSS

Os smartphones evoluíram, e muito, nos últimos anos em praticamente todos os quesitos. Telas ficaram maiores e consideravelmente melhores, processadores ficaram tão potentes a ponto de já serem comparados aos que equipam notebooks, câmeras ficaram boas o suficiente para fazer uma point-and-shoot não ter mais seu espaço no mercado... enfim, quase tudo melhorou. Quase. Exceto por um quesito que é uma crítica recorrente não somente de nossa parte, mas do público em geral: a autonomia de bateria

Ela evoluiu, claro que evoluiu, mas está longe de acompanhar a evolução do restante dos componentes do smartphone. Basta considerar que há pouco mais de 2 anos o Galaxy S3 da Samsung foi lançado, sendo um dos primeiros modelos do mundo com processador de quatro núcleos e tela com resolução HD, sendo ambos requisitos praticamente obrigatórios de qualquer smartphone intermediário que queira ter o seu espaço no mercado. De qualquer forma, a bateria continuou fornecendo a sua autonomia de apenas um dia, na maioria das situações.

Em 2014 a situação começou a melhorar. "Tops" de linha como Galaxy S5, LG G3 e Xperia Z2, lançados no primeiro semestre, aumentaram não só a capacidade de bateria, beirando os 3000 mAh, como também implementaram um melhor gerenciamento de energia. Pouco tempo atrás analisamos o Xperia Z3, um dos primeiros modelos que aguentaram 2 dias fora da tomada, combinação de uma bateria gigante com um gerenciamento inteligente de energia. Agora vamos conhecer o próximo passo, o Moto Maxx da Motorola, que nos faz acreditar que essa característica passe a ser, finalmente, comum daqui para a frente.

Design: o que vale a pena priorizar?

O Moto Maxx é meio gordinho para os padrões atuais. Assim como boa parte da linha Moto, ele vem com um formato curvo para uma melhor ergonomia durante o uso, o que quase esconde o fato de ele ter 11,2 mm de espessura na parte mais grossa. Além disso, é perceptivelmente pesado, com 169 gramas, considerando, claro, o peso de um smartphone típico. Isso não quer dizer que ele seja desconfortável de usar, mas vale a pena destacar que esse peso extra é sentido durante o uso.

Mais grosso e pesado? Sim. Incomoda? Não. Essas dimensões maiores não são fruto de uma falha de design, mas sim da presença de uma bateria (muito, mas muito) maior. O estilo do Moto Maxx não foge muito do DNA que a Motorola tem utilizado recentemente, mas trazendo alguns extras interessantes. Por exemplo, a empresa tem utilizado materiais que fogem do padrão, como madeira, couro e resina no Moto X 2014, e agora experimentando uma traseira de Nylon. Nylon mesmo, não plástico que simula Nylon, o que dá uma bela firmeza na hora de segurar o smartphone.

MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX MOTOROLA MOTO MAXX
MOTOROLA MOTO MAXX
MOTOROLA MOTO MAXX slideshow lupa

Temos também uma moldura de metal emborrachado que dá um toque bacana, mas vale destacar que isso só pega metade da borda. A outra metade, mais próxima da tela, é de plástico brilhante ao estilo Moto G 2014, o que faz o Moto Maxx ficar sujeito a pequenas pancadas. Isso é um problema a se considerar, já que pode exigir uma capa de proteção para essa região, o que faria com que o aparelho ficasse ainda maior. 

Vale destacar que as opções de controles do Android (Voltar, Home e Multitarefa) ficam abaixo da tela, o que faz o aproveitamento de tela ser maior. Eles acendem quando a tela está ligada e não ocupam tanto espaço como acontece com o Zenfone 5, sendo virtuais e, em nossa opinião, facilitando o uso, já que a tela é tudo, menos pequena. Por fala em tela, vamos a ela.

Tela

Temos aqui mais um resultado da evolução natural dos smartphones. 2012 foi o ano das telas HD. 2013 o padrão top de linha passou a ser o Full HD, e agora em 2014 temos o Quad-HD (2560x1440), para o qual a linha Nexus do Google geralmente serve de referência para acompanhar essas tendências, que, ao que tudo indica, nos faz acreditar que em 2015 o 4K será uma evolução previsível. Necessário ou não, é assim que o mercado tem funcionado até o momento.

Motorola Moto Maxx Motorola Moto Maxx

O Moto Maxx é resultado dessa evolução, trazendo uma tela de 5,2 polegadas com resolução Quad-HD e tecnologia OLED, o que resulta em uma densidade de pixels de 565 pontos por polegada quadrada, uma das maiores que vimos até o momento. Na prática, bem, se a resolução fosse Full HD, como no caso do Moto X 2014, não repararíamos a diferença no dia a dia na grande maioria das atividades, sendo impossível ver os pixels que formam as imagens mesmo com o aparelho muito próximo do olho.

Motorola Moto Maxx Motorola Moto Maxx

Podemos dizer, com alguma certeza, que esta é uma das melhores telas de smartphone que vimos até o momento, sendo capaz de ganhar em qualidade e em densidade de pixels até mesmo do LG G3, que traz a mesma resolução, mas uma tela maior. Para completar o conjunto, há a proteção Gorilla Glass 3 contra riscos e arranhões, o que, junto com a proteção contra água (que detalharemos mais adiante), garante um bom tempo de uso para o Moto Maxx.

Especificações: 64 GB de armazenamento!

Nesse quesito temos o que há de melhor no mundo Android até o momento. O Moto Maxx utiliza o chip Snapdragon 805 da Qualcomm, o mais avançado anunciado oficialmente, com configuração de sobra para qualquer tarefa que o usuário vá realizar, a ponto de jogarmos Asphalt 8 enquanto conversamos no Facebook Messenger e navegamos no Google Chrome, sem qualquer lag no multitarefa.

Motorola Moto Maxx Motorola Moto Maxx

Isso é no mínimo esperado, já que estamos falando de quatro núcleos rodando a 2,7 GHz, 3 GB de memória RAM e a nova GPU Adreno 420, as mesmas especificações do Nexus 6 do Google, que ainda não deu as caras no Brasil (e que, por alguma coincidência, também é fabricado pela Motorola). Essa é uma configuração mais do que suficiente para rodar qualquer app na resolução Quad-HD sem engasgos, mesmo títulos como o já mencionado Asphalt 8, Real Racing 3 e GT Racing 2.


Motorola Moto Maxx Motorola Moto Maxx

O sistema de fábrica é o 4.4.4 Kit Kat, com o Android 5.0 Lollipop já garantido, naturalmente. Não há um slot de cartão microSD para expansão de armazenamento, mas, ei: são 64 GB de armazenamento interno por padrão. Então, quem se importa? Não estamos dizendo que o suporte para cartões microSD não seria bem vindo, mas sim que há espaço de sobra mesmo para usuários mais avançados. Acredite, é difícil encher tanto espaço assim, e o Moto Maxx é um dos primeiros modelos a desembarcar no Brasil com essa opção por padrão.

Bateria (ahhh, a bateria...)

Quando analisamos o Xperia Z2, ficamos bastante surpreendidos com a enrome bateria de 3200 mAh que a Sony utilizou, sendo maior até do que a que equipa muitos tablets de 5 polegadas. A Motorola não demorou para responder a isso, e equipou o Moto Maxx com uma bateria com nada menos do que 3900 mAh, apenas 50 mAh a menos do que a bateria do Nexus 7 2013, tablet de 7 polegadas de altíssima qualidade anunciado pelo Google que aguenta uns bons dias fora da tomada.

Tá, e o que isso singifica? Segundo a Motorola, o Moto Maxx fica até 2 dias fora da tomada, uma marca que é, por si só, excelente. É claro que isso varia bastante dependendo do uso. Em nossos testes conseguimos alcançar 2 dias e algumas horas com uso moderado, e cerca de 1 dia de uso intenso, mas bem intenso mesmo, com horas seguidas de jogos pesados, vídeos no YouTube e brilho no máximo. Isso é ruim? Não, é ótimo, já que modelos que já estão no mercado mal aguentam 10 horas nessas condições, enquanto o Moto Maxx conseguiu um dia inteiro de uso mesmo sob estresse.

Outro ponto interessante é o carregador, o "pequeno" carregador, que é maior do que o do iPad, por exemplo. Ele é desenvolvido especialmente pela Motorola para o Moto Maxx, tirando proveito do QuickCharge 2, presente em boa parte dos chipsets avançados da Qualcomm. São 3 níveis de tensões: o que, no mundo real, realmente garante até 6 horas de uso para os 15 primeiros minutos de carga. Depois a tensão diminui para níveis normais de smartphone, carregando o resto da bateria em algumas horas.

De qualquer forma, a maior autonomia se deve exclusivamente à força bruta, e não a um trabalho de otimização como acontece com o Xperia Z3. Sentimos falta desse quesito, já que poderia estender essa autonomia para 3 dias ou mais. Por exemplo, instalamos o Juice Defender e realmente conseguimos alcançar a marca dos 3 dias, e seria bacana a Motorola fornecer um software otimizado para o Moto Maxx e aproveitar melhor os 3900 mAh de bateria. Ainda assim, é uma marca e tanto.

Câmera

Um upgrade bacana em relação ao Moto X 2014 foi o aumento da quantidade de megapixels da câmera, agora com 21 megapixels. Não, megapixel não é tudo, e sabemos disso, pelo menos não se não acompanhado de uma melhoria do sensor, o que aconteceu no Moto Maxx. A qualidade das fotos é perceptivelmente melhor do que a do Moto X 2014, com um maior nível de detalhamento e um comportamente melhor em situações de baixa luz, contando com os mesmos dois flashes do moto X 2014, só que um pouco mais separados.

Motorola Moto Maxx

Motorola Moto Maxx

Já no vídeo temos uma história um pouco diferente, já que esse recurso conta com uma falha fundamental: ausência de estabilização de imagem. O Moto Maxx filma em 4k@24fps, 1080p@30 fps e 720p slow motion, algo esperado para um top de linha lançado em 2014, porém o fato de não contar com estabilização limita o uso em algumas situações, em especial em vídeos em movimento. Isso faz com que ele se comporte muito bem em vídeos estáticos, mas não é a melhor opção para sair por aí filmando, ou mesmo para quem costuma tremer a mão durante a gravação.

Motorola Moto Maxx

Motorola Moto Maxx

Por usar uma implementação quase pura do Android, o software de câmera do Moto Maxx é o mesmo da linha Nexus, ou seja, bastante limitado, com poucas opções mais avançadas. Esse é um ponto em que modelos como o Xperia Z3 e Lumia 930 se saem bem na frente, e recomendamos fortemente que o usuário utilize algum app melhor disponível na Play Store, explorando mais as capacidades do sensor.

A câmera frontal tem 2 megapixels e grava em Full HD com excelente nitidez, e não sentimos falta de qualidade em nenhum momento nem em selfies nem em videoncoferências pelo Skype.

Extras

Um ponto bacana em que a Motorola focou no Moto Maxx é sua resistência a pequenas quantidades de água, utilizando uma cobertura impermeabilizante nos componentes internos. Isso não significa que ele seja a prova d'água, podendo ser submergido como o Gaalxy S5 ou Xperia Z2/Z3, mas sim que pode ser utilizado tranquilamente quando está chovendo, por exemplo, assim como sobreviver a derrubadas acidentais de líquidos quando batemos em um copo de água ao lado do computador (detalhes tirados de casos reais. Vários casos).

Motorola Moto Maxx Motorola Moto Maxx

Na embalagem encontramos o carregador que já mencionamos acima, um cabo USB, o mesmo fone de ouvido presente no Moto X 2014, o que é uma boa notícia, considerando o modelo antigo utilizado pela Motorola. O kit de conectividade é bastante completo, típico de um smartphone top de linha lançado em 2014, e sentimos falta somente de rádio FM. Suas principais conexões são:

  • 4G LTE com suporte a todas as frequências nacionais (até 150 Mbps down, 50 Mbps up), padrão nano SIM;
  • Bluetooth 4.0 LE com A2DP;
  • GPS com A-GPS e GLONASS;
  • Suporte para carregamento sem fios;
  • Porta infravermelha;
  • NFC;
  • Wi-Fi dual-band nos padrões A, B, G, N e AC com HotSpot e Wi-Fi Direct;
  • DLNA.

Um ponto que vale a pena mencionar é decisão de design da Motorola de não inserir uma entrada específica para o cartão nano SIM, como acontece com o Nexus 5 e Lumia 930, por exemplo. Ao invés disso, a gaveta onde o chip é inserido é o controle de volume: basta retirá-lo com a unha para ter acesso a ele. Há uma caixa de som frontal, a mesma utilizada durante as conversas, não sendo estéreo como acontece com o Moto G 2014. Ainda assim, tem qualidade o suficiente e não fica escondida na parte de trás, o que melhora bastante a experiência de uso.

Motorola Moto Maxx Motorola Moto Maxx

Temos também os extras da Motorola, como o Active Display, que funciona de forma semelhante à do Moto X 2014, o always on do Google Now, que aceita comandos múltiplos, inclusive comandos como "Boa noite" (desliga as notificações) e "Bom dia", que faz o inverso. Continuando, temos o Assist, com funções pré-definidas dependendo da localização, e o software de migração da Motorola, que deixa o aparelho pronto para uso. A parte interessante aqui é que, como boa parte da linha Moto, inserir recursos à versão pura do Android não necessariamente é ruim, como muitos fabricantes fazem com bloatwares excessivos e interfaces gráficas pesadas.

Conclusão: temos um vencedor em 2014

É isso mesmo. Depois de uma boa quantidade de smartphones top de linha analisados aqui, o Moto Maxx é com certeza o melhor smartphone do ano. E olha que já testamos várias celebridades como o LG G3, Galaxy S5, Lumia 930, iPhone 6, Xperia Z3, entre outros, e o Moto Maxx ficou na frente deles tanto em recursos quanto em custo-benefício. Desde a inauguração da linha Moto, ainda em 2013, a Motorola conseguiu reconstruir a sua marca e lançar o smartphone mais interessante de 2014.

Ele é caro? Sim, já que estamos falando de um preço sugerido de R$ 2.199. E sim, sabemos que os smartphones Android desvalorizam bastante e de forma bastante rápida, mas, considerando o preço de lançamento de modelos concorrentes, como o Samsung Galaxy S5 (R$ 2.599), LG G3 (R$ 2.299), Sony Xperia Z3 (R$ 2.699) e até mesmo o iPhone 6 no Brasil (R$ 3.199), chegamos à conclusão que todos eles são caros demais pelos o que oferecem. Começando pelos 64 GB de memória interna que, com exceção do iPhone 6 (por R$ 3.599), nenhum dos concorrentes oferece aqui no Brasil.

Fora isso temos a bateria, que possui como rival apenas o Xperia Z3, capaz de deixar qualquer power user tranquilo de não precisar levar o carregador na mochila em nenhuma situação. Em nossa opinião, bem que o Moto Maxx poderia trazer um software de gerenciamento de energia mais avançado, como o presente no Z3, mas isso não tira o mérito de ele ser um modelo com autonomia de cair o queixo.

Para nós, o Moto Maxx deveria ser considerando o modelo de referência para outros fabricantes não só em relação às suas características físicas, mas também de preço. A verdade é que a indústria de smartphones ficou, por muito tempo, focada no "status de luxo" e preço abusivo dos iPhones, tentando repetir a receita da Apple sem se preocupar tanto em oferecer um custo-benefício que seja bom o suficiente para fazer os usuários considerarem alternativas de forma séria.

O Moto Maxx é a esperança de duas luzes no fim de túnel: a de modelos que realmente compensem comprar e que ofereçam recursos que realmente justifiquem o seu preço e, de quebra, que garanta pelo menos dois dias de uso. Se isso realmente acontecer, 2015 contará com lançamentos bem bacanas.

Vantagens

  • Custo-benefício imbatível;
  • Tela de altíssima resolução e qualidade ;
  • Bateria de respeito;
  • Câmera suficiente para a maioria das situações;
  • Configuração robusta;
  • 64 GB de memória interna por padrão;
  • Design diferenciado.

Desvantagens

  • Um software de gerenciamento de energia seria extremamente bem-vindo;
  • O mesmo para a câmera;
  • Apesar dos 64 GB de armazenamento, um slot para cartões microSD seria extremamente bem vindo.
Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar