Análise: HTC One, o principal rival do Galaxy S4

Por Pedro Cipoli RSS

Lançado pouco tempo antes do Galaxy S4 da Samsung, o HTC One tem um papel mais importante para a empresa do que parece em um primeiro momento. A HTC anda mal das pernas ultimamente e a preferência do público pelo One pode significar o retorno da companhia para o jogo ou um prejuízo financeiro difícil de recuperar. Vamos conhecer cada detalhe do aparelho e conferir se ele realmente possui todos os recursos necessários para competir com os maiores players da atualidade: Galaxy S4 e iPhone 5. Confira!

Tela de 4,7 Polegadas com Gorilla Glass 2 Resolução Full HD 1080p LCD3 IPS Android 4.1 Jelly Bean Interface HTC Sense 5 Processador Snapdragon 600 quad-core de 1,7 GHz 2 GB de memória RAM GPU Adreno 320 Som Beats Audio 32 GB de memória interna Bateria de 2300 mAh Câmera traseira de 4 MP com tecnologia Ultrapixel Câmera frontal de 2,1 MP Estrutura de alumínio 9,3 milímetros de espessura 468 ppi HTC One HTC One HTC One HTC One HTC One
Tela de 4,7 Polegadas com Gorilla Glass 2
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É difícil não gostar do One quando o pegamos pela primeira vez. Parece um consenso de fabricantes de aparelhos Android em utilizar plástico (ok, policarbonato) independentemente da faixa de preços e a HTC fez um excelente trabalho aqui. Não só pelo fato da construção em alumínio em si, mas sim pela posição dos chanfros da lateral e organização da câmera, sensores e caixas acústicas. O conjunto passa uma impressão muito mais elegante e chamativa do que imaginamos à primeira vista.

Mesmo trazendo uma tela de 4,7 polegadas e proteção Gorilla Glass 2, o HTC One é mais grosso (9,3 milímetros), comprido (137,4 milímetros) e também um pouco mais pesado (143 gramas) que o Galaxy S4 que tem uma tela de 5 polegadas, o que não chega a ser um problema. Aliás, o fato da tela ser um pouco menor mantendo as dimensões do aparelho acaba trazendo alguns benefícios, como evitar cliques acidentais quando utilizado com apenas uma das mãos ou em programas que possuem funções de arrasto nas bordas, como é o caso do navegador Dolphin.

Posicionar as caixas acústicas na parte da frente não só proporcionou um design mais bonito como também mostrou-se algo muito útil. Essa abordagem deveria ser utilizada por muitos fabricantes, pois mesmo o Galaxy S4 possui somente uma discreta caixa acústica na parte de trás que nos obriga a posicionar as mãos para "direcionar" o som para nós na hora de ver algum vídeo. A HTC, há um longo tempo, utiliza recursos do Beats Audio em seus aparelhos e com o One não foi diferente: o sistema proporciona um som limpo e com excelente fidelidade sonora.

Por baixo do capô temos quase as mesmas especificações do Galaxy S4 4G: processador Snapdragon 600 quad-core de 1,7 GHz da Qualcomm, 2 GB de memória RAM e GPU Adreno 320. Os 200 MHz a menos fazem com que o One pontue um pouco menos do que o S4 nos benchmarks, mas é uma diferença difícil de perceber na prática. Mesmo em games pesados como Dead Trigger, Real Racing 3 e Zombiewood não observamos nenhum travamento ou problemas na hora de trocar de aplicativo.

HTC One ScreenshotsHTC One Screenshots

Aliás, a interface gráfica Sense 5 se mostrou muito mais responsiva do que a TouchWiz (Samsung) em várias situações, desde transições de tela até a abertura de aplicativos, mostrando uma boa integração com o hardware. Aqui vemos uma importante diferença entre o S4 e o One: enquanto o primeiro pode ser considerado um Feature Phone com seus vários sensores e recursos, o One se mostra mais atraente para os Power Users, aqueles que querem, acima de tudo, fazer o que têm que fazer da forma mais rápida possível.

HTC One Screenshots HTC One Screenshots HTC One Screenshots

A tela é um espetáculo à parte. Não podemos afirmar que ela seja melhor ou pior do que a Super AMOLED da Samsung, mas é realmente agradável aos olhos. A resolução Full HD (1920x1080) distribuída entre as 4,7 polegadas de tela resulta em uma densidade de pixels de 468 ppi, bem brutal. A tecnologia da tela é a Super LCD3 e traz uma qualidade de imagens que nos lembrou o iPhone 5 com tela Retina, modelo que também utiliza uma tela LCD.

Uma conta que não fechou na nossa cabeça foi a duração da bateria. O processador roda com um clock ligeiramente menor, a tela é menor do que a do S4 e uma estrutura maior é capaz de comportar uma bateria de maior capacidade, mas mesmo assim o One não sobrevive um dia inteiro fora da tomada. Os 2300 mAh mostram ter uma autonomia ainda menor do que a do S4, modelo que mal passa um dia fora da tomada, e ficamos bastante decepcionados com isso. Talvez em um futuro próximo os fabricantes finalmente percebam a importância de um smartphone top que dure um dia inteiro e criem modelos com essa capacidade.

HTC One Screenshots HTC One Screenshots HTC One Screenshots

O One tem uma câmera traseira com apenas 4 megapixels. Frustrante? De forma nenhuma. Em vez de lotar a câmera com megapixels, a HTC se preocupou com a qualidade das imagens e o resultado é uma tecnologia conhecida como Ultrapixel, um sensor capaz de capturar muito mais luz do que uma câmera de 8 ou 13 megapixels (300% a mais, segundo a HTC) e o resultado é excelente. Em nossos testes utilizamos o One em vários ambientes com diferentes luminosidades e ficamos bastante satisfeitos com o resultado.

Em vídeos o resultado é perceptivelmente melhor do que o Galaxy S4 com estabilização de imagens e microfone stereo. É possível escolher entre gravar vídeos 1080@30fps ou 720@60fps, recurso interessante para quem quiser editar depois de gravar. A câmera frontal é de 2,1 megapixels e também é capaz de gravar vídeos em 1080@30fps, importante para quem gosta de usar programas VoIP para videoconferências ou mesmo tirar fotos com qualidade utilizando essa câmera.

Galeria Fotos HTC

Com 32 GB de armazenamento, o usuário está bem servido para instalar qualquer tipo de aplicativo, mas ao mesmo tempo que o tamanho inicial pode parecer generoso, não há suporte a cartões SD. Consideramos esse um ponto bastante negativo, pois mesmo que não seja possível instalar apps no cartão externo ele é uma mão na roda para músicas, vídeos e fotos, de forma que com o tempo o usuário vai ter que começar a escolher com carinho qual programa ou jogo instalar. Observamos este mesmo problema no Xperia S da Sony que analisamos há algum tempo.

Um recurso que gostamos é o BlinkFeed, que usa uma das telas iniciais como uma interminável fonte de notícias de várias fontes (como o Flipboard), além das atualizações de redes sociais (testamos com Facebook, Twitter e LinkedIn). É basicamente um enorme widget que fica na home screen esquerda da tela inicial que pode ser desativado com algum trabalho. A interface é bastante integrada à do One e, aliás, esta é a única tela onde o dock desaparece (inclusive, de toda a Sense 5 o dock é a parte mais feia).

A versão do Android que vem por padrão é a 4.1.2 (Jelly Bean), e embora a HTC já tenha prometido a atualização para a versão 4.2 (também Jelly Bean), até o fechamento desse artigo ela não está disponível. Sinceramente, achamos que este é um erro que um smartphone top de linha não deve cometer, pois mesmo sem entrar no mérito de se a atualização é útil ou não, quem compra um dos smartphones mais caros do momento está esperando a versão mais atual do Android.

Os recursos que ele possui? Bem, todos, indo do NFC, Bluetooth 4.0 e 4G (que inclusive funciona no Brasil) e GPS com A-GPS e GLONASS, até infravermelho e MHL. A embalagem inclui carregador (que não segue o padrão brasileiro, afinal, ele não é vendido por aqui), cabo USB, fone de ouvido seguindo a linha do Beats Audio com cabo estilo "flat" com microfone embutido e manuais. Aliás, a caixa não tem o padrão minimalista do Galaxy S4 e iPhone 5, lembrando muito um Mac Mini. 

Conclusão

Em 2012 a HTC saiu do Brasil por uma série de motivos que não vamos discutir aqui, portanto o One não está disponível para venda nos meios "normais", ou seja, se alguém quiser um não vai encontrá-lo em shoppings ou nas principais lojas de departamentos. Não é necessário ir até os Estados Unidos para se ter um, pois sites como o Mercado Livre oferecem o modelo por aproximadamente R$ 2200 até R$ 2500, preço que o coloca no mesmo patamar do Galaxy S4 e iPhone 5.

Porém, há um risco. A Anatel anunciou que cortará a linha de todos os aparelhos que não possuírem representação no Brasil, o que inclui não só os aparelhos da HTC como também os xing-ling. Não acreditamos que isso irá de fato ocorrer, mas o risco é real. Temos aqui um dos poucos modelos Android  capazes de fazer frente ao Galaxy S4, tendo inclusive alguns recursos superiores (atualmente há outro também, o Optimus G Pro, mas ele ainda não aterrissou por aqui também).

O One oferece alguns pontos bastante interessantes, que vão desde a construção em alumínio até um excelente trabalho na interface gráfica — além da câmera, é claro. Mas ele é realmente páreo para o Galaxy S4? Sem dúvida nenhuma, já que ambos possuem o que há de melhor atualmente. Dizer que é melhor ou pior fica mais como uma questão de opinião, pois ambos possuem features o suficiente para agradar quem quer ver o Android rodando liso com qualquer tipo de aplicativo.

Vantagens

  • Construção fora de série, fugindo do policarbonato de muitos aparelhos
  • Performance capaz de atender ao usuário por um bom tempo
  • Câmera com tecnologia Ultrapixel, com qualidade superior mesmo produzindo fotos menores (com menos megapixels)
  • Possui performance o suficiente para rodar qualquer tipo de aplicativo
  • Som Beats Audio com caixas frontais

Desvantagens

  • Autonomia de bateria abaixo do esperado
  • Não há suporte a cartões SD
  • Quem comprar o HTC One corre o risco de ter seu aparelho travado, se tornando um lindo iPod Touch rodando Android
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