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BlackBerry: chegou a hora de deixar de ser motivo de chacota!

Por Luciana Zaramela RSS | 19.10.2012 às 09h28

BlackBerry

O mundo dos smartphones está sendo invadido por uma enxurrada de novidades tecnológicas. Mesmo quem está de longe consegue avistar a corrida desesperada entre as fabricantes de aparelhos 'top de linha' em busca de novos adeptos para poderem chamar de seus.

Afinal, quando se fala em smartphone, o que imediatamente vem à sua cabeça? A imagem de um BlackBerry e seu charmoso teclado QWERTY? Ou a de um Galaxy S III ou um iPhone 5 novinho em folha? Se você respondeu BlackBerry, significa que ainda há luz no fim do túnel da Research in Motion (RIM), fabricante destes aparelhos. Mas 95% das pessoas irão imaginar um dispositivo mais moderno, com tela grande e com o menor número de botões possível (não necessariamente fabricado pela Apple ou Samsung).

A mídia vem tratando a posição da RIM e de seus smartphones no mercado de maneira risível. Por exemplo, saiu nesta segunda (15) no jornal norte-americano The New York Times um artigo que deixou qualquer usuário de BlackBerry com a sensação de sair por aí usando a coleira da vergonha. O celular que era antes carregado com orgulho por seus usuários passou de mocinho a vilão em pouquíssimo tempo. Hoje, já tem gente escondendo o BlackBerry porque tem medo do que as pessoas irão dizer. É a cultura excêntrica que gira em torno dos celulares modernos...

E de acordo com muitos usuários de smartphones, atender uma ligação em um BlackBerry no meio de um coquetel ou reunião importante é pagar mico, é gafe injustificável, é feio. Ora, mas a marca não fazia tanto sucesso há poucos anos? Não era chique ter um BlackBerry e ficar trocando mensagens de maneira que só os aparelhos da marca poderiam oferecer? Era. Passou. Perdeu. E a RIM precisa tomar alguma providência para não cair no anonimato. 

Para se ter uma ideia, o fosso cultural entre os fãs da marca e todo o restante dos usuários tem crescido monstruosamente a cada dia. No ano passado, funcionários que possuíam um BlackBerry perdiam a preferência para donos de iPhone ou Android nas entrevistas de empresas, só porque os últimos causavam 'boa impressão'. E exemplos como esse se espalham pelo mundo todo - até a Casa Branca, que usava o BlackBerry por razões de segurança, começou a preferir o iPhone. É o que diz o New York Times.

Mas, horrorizar por quê? No Brasil, as coisas não são diferentes. Para muita gente, um smartphone bacana, caro e cheio de funções legais é sinônimo de status. Não é incomum vermos por aí pessoas desfilando com seus iPhones e Androids de última geração divididos em 12 vezes no cartão de crédito e funcionando no modo pré-pago. Os fins justificam os meios.

Ter um smartphone top de linha virou vantagem competitiva, e pobre daquele que não tem. Nessa situação, a RIM começa a se perder na relação tempo-espaço, pois quem antes tinha um BlackBerry, hoje tem um smartphone mais moderno. Poucos fiéis escudeiros da marca restaram para empunhar com bravura seus obsoletos BlackBerrys, encher o peito e dizer um nobre "alô!" ao atender uma ligação em um encontro de negócios ou festa de gala.

Alguns fãs da RIM dizem que preferem os BlackBerry porque eles vendem bem na África do Sul. Outros, como Al Sacco, da CIO, preferem o aparelho porque "é o telefone para pensadores independentes e não conformados" fato que certamente "é muito mais bacana que usar um iPhone, como todo mundo".

"O BlackBerry é superior a qualquer outro dispositivo que já usei para enviar mensagens, graças a seu teclado, seus recursos de caixa de entrada e seu sistema de notificação", relatou Sacco em seu blog. Mas ele confessou que, além de seu estimado e amado BlackBerry, ele carrega um Android no bolso, por ser melhor que o telefone da RIM em vários aspectos. E leva os dois telefones para onde for. 

Pensando no lado comercial e no valor de mercado, o que acontece é que muitos usuários que antes eram fãs dos smartphones da RIM estão, neste momento, frustrados com a empresa. Eles estão cansados de esperar pelo lançamento do BlackBerry 10, que foi adiado várias e várias vezes. Eles estão perdendo a confiança na fabricante. Eles estão partindo para outras soluções.

Como em toda história que se preze, há sempre o lado bom: o CEO da RIM, Thorsten Heins, parece ser esperto o bastante para perceber que o BlackBerry 10 precisa, em primeiro lugar, oferecer uma experiência que reconquiste os usuários, principalmente os mais fiéis à marca. É por isso que as apresentações do novo BlackBerry 10 focam bastante no sistema de gerenciamento de mensagens e aplicativos, características que faziam a diferença na época áurea dos BlackBerrys de teclado QWERTY.

As mesmas características, porém totalmente reformuladas e eficientes, serão a isca para fisgar clientes fiéis e até mesmo potenciais. Mesmo que tais recursos não sejam tão 'de outro mundo' como o Siri, da Apple, ou o Google Now, do Google, tornam-se as chaves para atrair o público de volta, pois o que os fãs da marca esperam ver é justamente um smartphone à altura dos mais concorridos do mercado, porém com o nome BlackBerry escrito bem bonito na carcaça.

A melhor estratégia que a RIM pode utilizar para recuperar seus adeptos é renovar aquele ar de comprometimento que ficou perdido nos últimos dois anos. Obviamente, a RIM não vai conseguir conquistar tantos fãs em pouco tempo, uma vez que muitos deles já migraram para outras plataformas. E apenas duas palavras traduzem essa atual situação da empresa perante o mercados: 'sério problema'. Será necessário trabalhar com muita dedicação, paciência e paixão para conseguir reunir usuários e reconquistar a percepção do público.

Vale dizer que isso não significa que a RIM deva ignorar as principais tendências do mercado tecnológico para apostar em smartphones medíocres que apenas recriam sistemas do passado. Focar naquilo que faz de melhor é um ponto forte e estratégico para a empresa, mas acompanhar o movimento do planeta também é importante (já falamos aqui no Canaltech que os testes do BlackBerry 10 com operadoras de telefonia móvel estavam marcados para iniciar neste mês de outubro, e no começo de 2013, uma nova versão do sistema pode surgir por aí).

Nesta quarta-feira, o CEO da RIM, Thorsten Heins, enviou uma carta ao NY Times. Heins disse que o artigo da "Ovelha Negra" precisa de equilíbrio, já que a BlackBerry possui mais de 80 milhões de usuários ao redor do mundo, e usuários orgulhosos de serem proprietários de um aparelho da marca. "Enquanto qualquer relato de insatisfação entre nossos usuários seja uma causa de preocupacão que devo levar a sério, os comentários que temos recebido de nossos clientes apoiando a BlackBerry, tanto online quanto por telefone, em resposta a seu artigo, são bastante animadores para mim".

Heins reiterou dizendo que a RIM está prestes a lançar o BlackBerry 10 no primeiro trimestre de 2013, e disse que a empresa recebeu um excelente feedback dos desenvolvedores e operadoras sobre o novo sistema operacional. "Agradecemos aos clientes que mantiveram-se leais à plataforma BlackBerry e procuramos ganhar muito mais do que já perdemos", disse o CEO ao final da carta. Uma resposta que enche de esperança os fãs da marca.

São novidades condizentes com a época em que vivemos que os usuários e fãs esperam do BlackBerry 10. E ficarão extremamente lisonjeados no dia em que puderem se livrar do estigma de 'ovelha negra' e voltar a sacar seus novos BlackBerrys do bolso, em meio a adeptos de outras marcas, sem precisar correr o risco de serem apedrejados em praça pública. 

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